Protocolo foi assinado pela reitora da UFMG, Sandra Goulart, e pelo presidente da Casa, o deputado Agostinho Patrus | Crédito: Guilherme Bergamini

O presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), deputado Agostinho Patrus (PV), e a reitora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Sandra Regina Goulart, assinaram, em reunião especial realizada no Plenário ontem, um protocolo de intenções para a cooperação técnica entre as duas instituições no monitoramento, na prevenção e no enfrentamento da pandemia causada pelo coronavírus.

Essa cooperação se dará principalmente por meio da elaboração de documentos que contenham informações técnico-científicas sobre a doença e de legislação e instrumentos de fiscalização da atuação dos demais Poderes. Também está prevista a promoção de informações para a população, como materiais de orientação.

Já como fruto dessa parceria, o deputado Agostinho Patrus destacou os principais pontos de documento encaminhado pela UFMG, no qual são apresentadas simulações da oferta e da demanda por leitos e aparelhos de ventilação assistida por regiões de saúde em Minas Gerais.

De acordo com o estudo, a oferta de leitos gerais seria suficiente para atender os pacientes em praticamente todas as microrregiões do Estado. A sobrecarga começaria a ser observada se a taxa de infecção por Covid-19, a doença causada pelo coronavírus, alcançasse 1% da população em três meses. Nesse cenário, seis microrregiões (7%) teriam sua capacidade de atendimento comprometida.

Se a taxa de infecção atingir 1% da população em seis meses, apenas os municípios de João Pinheiro (Noroeste) e Ipatinga (Vale do Aço) operariam além de sua capacidade. Por outro lado, se a taxa de 1% fosse alcançada em um mês, também haveria uma exigência acima da capacidade de 36% das microrregiões de saúde.

UTIs – Quanto às unidades de terapia intensiva (UTI), os resultados apontam uma situação menos tranquila. Com uma taxa de infecção de 1% da população em seis meses, o comprometimento da oferta seria verificado nas macrorregiões Jequitinhonha, Triângulo Norte, Nordeste, Sul e Centro-Sul, representando 36% das macrorregiões de saúde.

Mesmo entre as macrorregiões superavitárias, a média da taxa de ocupação estimada seria de 92%. Essa taxa seria maior no Norte (100%) e no Centro (98%).

Ainda tendo como referência o estudo da UFMG, o deputado Agostinho Patrus relatou que, para o pronto atendimento de casos graves, os gestores terão que transportar pacientes para os municípios-polo das macrorregiões, uma grande dificuldade em um estado com as dimensões de Minas Gerais.

A distância mínima média percorrida para se obter atendimento em leito de UTI no Estado é de 85 km. Com uma distância média de 120 km a serem percorridos em busca de atendimento, dificuldades de acesso podem estar presentes em 18% dos municípios, muitos deles das macrorregiões Nordeste, Jequitinhonha e Norte, que também são as que apresentam mais dificuldades para atender toda a demanda gerada.

Já em relação aos respiradores, o estudo mostra uma situação menos preocupante. Com uma taxa de infecção de 1% da população em um mês, apenas a macrorregião do Jequitinhonha não teria condições de atender toda a demanda gerada pelo Covid-19.

Isolamento – Os dados apresentados demonstram, como ressaltou o presidente da ALMG, a necessidade de isolamento para achatar a curva de infecções.

O deputado Agostinho Patrus também salientou a importância de a ALMG se aliar à ciência e ao conhecimento em um momento como este, referenciando suas sugestões ao Executivo e sua função fiscalizadora das medidas adotadas pelo poder público na expertise da UFMG em várias áreas de conhecimento.

“A Assembleia será mais assertiva, efetiva e terá uma atuação mais profícua no combate à pandemia”, concluiu.

A reitora Sandra Regina Goulart lembrou, por sua vez, que a Assembleia tem sido uma grande parceira da UFMG, nos momentos mais alegres, como as comemorações dos 300 anos de Minas Gerais, e naqueles de maior apreensão, como o atual.

O Parlamento mineiro está arrecadando recursos, por exemplo, para campanha que prevê a compra de insumos para três hospitais vinculados à universidade. “Na história da UFMG, nunca estivemos tão próximos desta Casa”, destacou a reitora.

Sandra também abordou a importância para a sociedade da atuação conjunta entre a Assembleia, que representa a voz da população, e uma instituição pública, gratuita, a serviço dos cidadãos.

“O País depende da ciência e da educação mais do que nunca”, afirmou, ao ratificar que a UFMG está à disposição para fornecer estudos, análises e quaisquer outras ações que possam apoiar a atuação da Assembleia. (Com informações da ALMG)