CRÉDITO: ARQUIVO DC

A pandemia gerada pelo Covid-19 levou muitas pessoas a buscar locais mais sossegados, como casas de campo, sítios e fazendas, para passar o período de isolamento social.

Em Capitólio, na região do Lago de Furnas, há muitos proprietários de residências que vivem e moram em outras partes do Estado e do País, utilizando-as apenas para passar temporadas de férias, finais de semana e feirados. Isso é o chamado turismo de segunda residência.

De acordo com a secretária de Turismo de Capitólio, Andréia Rodrigues, alguns proprietários não visitavam essas casas há mais de dois anos.

“Muitos optavam por alugar suas residências, mas, com os riscos trazidos pelo coronavírus (Covid-19) e a necessidade do isolomento social, vários proprietários voltaram a frequentar a cidade. Alguns já estão aqui há mais de 40 dias em busca de tranquilidade e sossego”.

A médica endocrinologista Tassiane Alvarenga, que tem uma filha de oito meses, com a insegurança gerada pelo Covid-19, decidiu passar uma temporada na casa que a família mantém em Capitólio.

“Neste momento, muito mais do que médica, eu sou mãe e acredito que muitas vezes a vida necessita de pausas, para escutarmos o barulho do nosso próprio silêncio. Eu tenho uma vida muito agitada e nem depois do nascimento da minha filha eu fiz essa pausa. 40 dias após o nascimento dela eu já retornei ao trabalho”, comenta Tassiane Alvarenga.

Segundo a médica, foi com a chega do novo coronavírus que ela se viu em um momento de caos e vulnerabilidade.

“Eu tive mais dúvidas do que certezas. Foi então que eu resolvi passar umas semanas na casa em Escarpas do Lago. A vantagem foi que eu pude tanto me dedicar à tarefa de mãe quanto à tarefa de médica, já que o Conselho Federal de Medicina liberou a telemedicina. Nessa temporada o mais importante foi a proximidade com minha filha, que até aprendeu a sorrir e dar gargalhadas ”, relata a endocrinologista, que fez o isolamento total, inclusive valendo-se dos serviços de delivery oferecidos pelos empreendedores de Capitólio.

Outro fator que também contribuiu para o retorno desses proprietários às suas segundas residências, na cidade Capitólio, foi o Decreto Municipal 201 de 20 de abril de 2020, que proíbe o aluguel de casas para temporada.

“Isso faz com que o proprietário se sinta mais seguro para fazer o isolamento social aqui, já que o turismo em sua forma tradicional está parado”, complementa Andréia Rodrigues.

De acordo com a secretária, o turismo de segunda residência foi muito forte na região até a primeira década dos anos 2000. E, com o passar do tempo, essa modalidade foi diminuindo.

“O fato de as viagens para o exterior terem ficado mais acessíveis, as pessoas acabaram deixando de frequentar suas segundas residências”, afirma.

A analista do Sebrae Minas Fabiana Rocha explica que quando as pessoas vão passar uma temporada em sua segunda residência, consequentemente, a economia local se aquece.

“O turismo de segunda residência é uma oportunidade não só para Capitólio, mas para toda a região do Lago de Furnas, que envolve 34 municípios. O Sebrae Minas tem trabalhado muito em parceria com as prefeituras e outras entidades, para auxiliar os empreendedores regionais que, ao contrário de muitos, têm neste momento uma oportunidade clara de crescimento”, Observa Fabiana. (ASN)