José Carlos Martins discursou em painel, no qual lembrou as perdas relevantes que tanto o Brasil quanto o setor tiveram com a falta de apoio/Adri Felden

Um dos principais gargalos do desenvolvimento sustentável da economia brasileira está na infraestrutura, que, a cada ano, recebe menos investimentos e faz deteriorar as condições de crescimento do País. Juntos, quesitos como segurança jurídica, crédito, planejamento e estímulo ao capital privado, formam a base para a retomada dos investimentos no setor e podem dar novo ritmo à economia nacional.

A análise foi feita por especialistas durante o Painel “Infraestrutura – destravando o crescimento econômico”, no segundo dia do Congresso Aço Brasil, em São Paulo. Na ocasião, o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic), José Carlos Martins, chamou a atenção para as perdas do Brasil e do setor em relação à falta de investimentos em infraestrutura nos últimos anos.

Segundo ele, somente em relação aos aportes em manutenção das rodovias do País, houve um decrescimento de mais de 70% em cinco anos. Enquanto em 2014 o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do governo federal investiu R$ 64 bilhões em infraestrutura no País, o orçamento do governo federal para 2019 prevê R$ 17 bilhões.

“A cada ano vemos o orçamento público destinado às obras de infraestrutura se deteriorar. Não há outra solução para a recuperação dos investimentos, a não ser o estímulo ao capital privado. Com as concessões, você estimula o gasto eficiente dos recursos e, consequentemente, a geração de empregos e resultados”, justificou Martins.

Aliado a isso, existe a necessidade de uma maior segurança jurídica. Para o presidente da Cbic, a inconstância e a burocracia da legislação brasileira são inconcebíveis e afugentam qualquer investidor. Da mesma forma que o crédito dificultado e a falta de planejamento a médio e longo prazos.

“Se colocarmos isso em prática, teremos a oportunidade de ajudar o Brasil a entrar nos eixos. Somente os investimentos em infraestrutura vão resgatar a qualidade dos serviços, os níveis de emprego, a renda e o desenvolvimento do País”, opinou.

Da mesma maneira, o líder do Programa de Infraestrutura e Desenvolvimento do Banco Mundial e coautor do estudo “Back to Planning: How to Close Brazil’s Infraestructure Gap In The Times Of Austerity”, Paul Procee, chamou atenção para a falta de planejamento brasileiro. De acordo com ele, não basta apenas o País investir mais em infraestrutura, mas investir com qualidade.

“O próprio Banco Mundial diz que o Brasil gasta muito e mal. E agora não tem mais recursos para bancar os investimentos. Além disso, há o gargalo do planejamento. Muitos investidores internacionais querem entrar no Brasil, mas não têm perspectiva de longo prazo e, por isso, desistem”, explicou.

Procee também destacou a necessidade de uma maior transparência nos contratos e equalização da revisão de taxas e tarifas junto à iniciativa privada. Além disso, ele citou os problemas na regulação. “E isso não é só na infraestrutura, existem gargalos regulatórios em outras áreas, com grande influência política nas agências e uma fragmentação muito grande de interesses”, alertou.

Oportunidades – Por fim, a diretora da E8 Inteligência, Eliana Taniguti, apresentou algumas das oportunidades de investimentos em infraestrutura no País, por meio de um estudo do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), do governo federal, que avaliou o potencial de consumo de aço nas obras previstas no programa.

Segundo levantamento, os projetos do setor logístico, como aeroportos, ferrovias, rodovias, portos e setor de óleo e gás englobam 54 obras potenciais. Juntas, as intervenções preveem investimentos da ordem de R$ 95 bilhões e um consumo aproximado de 8,5 milhões de toneladas de aço.

“Sozinho, o PPI nos traz um panorama de oportunidades para um único setor, que é a siderurgia nacional. Imagine englobando todos os outros. Mas precisamos levar em conta que essas obras ainda não existem. Seja por burocracia da União ou por falta de recursos”, disse.

* A repórter viajou a convite do Instituto Aço Brasil