Produção industrial cresce em março, mas confiança segue baixa em Minas Gerais
O ano de 2026 não está sendo fácil para o industrial mineiro. Com cenário internacional instável e economia incerta, o empresário do Estado segue com pouca segurança para investir, apesar de a atividade industrial ter registrado uma recuperação em março de 2026.
De acordo com a Sondagem Industrial da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), o índice de evolução da produção industrial atingiu 54,6 pontos, acima da linha de 50 pontos, que indica crescimento, refletindo principalmente a normalização da atividade após um período marcado por menor demanda, férias coletivas e Carnaval.
Na comparação com fevereiro, quando o indicador marcou 42,9 pontos, houve avanço expressivo de 11,7 pontos. Em relação a março de 2025, o crescimento foi de 5,7 pontos. Apesar do resultado positivo, o desempenho ainda está associado a fatores sazonais, e não necessariamente a uma retomada consistente da indústria.
“Tivemos um período de redução na produção da indústria no final do ano, em que a demanda fica menor após a alta antes das festas de fim de ano. Em seguida, a queda foi causada pelas férias e pelo Carnaval. Então, depois de quatro meses seguidos de queda, veio março, que teve essa recuperação, muito ligada a esse componente sazonal que foi relevante na melhora observada no período”, explica a coordenadora de pesquisas econômicas da Fiemg, Daniela Muniz.
O movimento de melhora pode não se confirmar como tendência para os próximos meses, pois as preocupações das indústrias mineiras seguem as mesmas, o que demonstra uma conjuntura macroeconômica que gera insegurança no empresariado.
“O índice de satisfação com a situação financeira das empresas registrou 44,7 pontos, abaixo dos 50 pontos. Isso demonstra e reforça o descontentamento dos industriais com a situação financeira dos seus negócios. E o que a gente pode tirar disso? Isso decorre em grande parte da manutenção dos juros altos por um período muito prolongado, tornando o crédito caro e de difícil acesso”, comenta Daniela.
Investir para sobreviver
Com tantas incertezas e um ambiente mais hostil para os negócios, os empresários mineiros se veem em uma encruzilhada: preservar o caixa ou utilizá-lo de forma assertiva. Isso porque, ao mesmo tempo em que pode haver economia, também existe o risco de perda de mercado caso não haja atualização do negócio para manter a competitividade.
Mesmo que o movimento de investimento industrial seja cauteloso nos próximos meses, como demonstra a Sondagem da Fiemg, o industrial do Estado seguirá buscando alternativas para manter sua empresa em funcionamento.
“A indústria mineira vai continuar tendo investimento. A gente vê até pelo índice de intenção de aportes, que ficou acima dos 50 pontos na sondagem, chegando a 57,4 pontos em abril. Mas quando a gente compara com os mesmos meses de anos anteriores, eles foram os menores para abril em cinco anos. Isso denota cautela dos empresários. Ou seja, as empresas seguirão investindo. Manter o investimento é uma questão de sobrevivência. O empresário tem que reavaliar o maquinário, modernizando o negócio. Se não fizer pelo menos o mínimo, não terá como sobreviver no mercado”, afirma Daniela.
Queda de empregos
O emprego industrial, por sua vez, segue em trajetória de queda. O índice de evolução do número de empregados registrou 48,5 pontos em março, permanecendo abaixo da linha de crescimento. Embora tenha apresentado leve melhora frente a fevereiro (46,1 pontos), o indicador sinaliza continuidade da retração no mercado de trabalho industrial.
A recuperação dos postos de trabalho também não deverá demandar novos investimentos da indústria, pois o índice trouxe outra dura realidade: a ociosidade da capacidade produtiva.
“As empresas seguiram operando com o nível de capacidade produtiva abaixo do usual, permanecendo abaixo dos 50 pontos. Isso quer dizer que as empresas ainda estão operando com capacidade ociosa. Logo, quando há capacidade ociosa em excesso e é preciso aumentar a produção, não é necessário investir nem contratar”, explica Daniela Muniz, da Fiemg.
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