Minas Gerais busca agenda comum para crescer com equilíbrio
Firme no propósito de discutir de forma aprofundada os desafios e as oportunidades de Minas Gerais e do Brasil, no ciclo 2026, o Parceiros do Futuro, fruto de uma iniciativa do Diário do Comércio e da consultoria Spine, dá continuidade aos debates, encontros e conteúdos estratégicos com a realização da terceira edição do Fórum de Líderes. O encontro, que será realizado nesta quinta-feira (7), na sede do Órbi ICT, no bairro Lagoinha, na região Noroeste, foi pautado, desde o seu desenvolvimento, pelos pilares:
- Diversificação econômica, superação da dependência do extrativismo e agregação de valor a produtos, serviços e cadeias produtivas;
- Tecnologia verde e regeneração, com linhas de crédito especiais e produtos de alto valor agregado;
- Geração de riquezas de forma equilibrada, com o fomento à integração entre academia, setor produtivo, governo e sociedade civil.
O projeto busca, dentro da perspectiva de um cenário de prosperidade real, determinar e transformar a sua missão em ações concretas, unindo poder público, iniciativa privada e sociedade civil organizada.
Assim, a missão é um conjunto de soluções coordenadas para resolver um grande desafio da nossa sociedade e estabelece um objetivo audacioso e concreto, que exige articulação e execução em rede para criar inovações e respostas que ainda não existem ou não estão em execução na escala necessária. Por isso, ela não é sobre fazer tudo, mas, sim, sobre escolher problemas difíceis e usar o poder da articulação para resolvê-los de forma coordenada, com um alvo claro e um prazo definido.
Cada missão deve responder às seguintes perguntas:
- O grande desafio (o “porquê”): qual é o problema crítico de Minas Gerais que estamos tentando resolver?
- A meta ambiciosa (o “o quê” e o “quando”): qual é o alvo claro, mensurável e com prazo?
- Setores e atores (o “quem”): quem precisa estar na mesa para isso acontecer?
- Mapeamento do ecossistema: quais indústrias, quais departamentos do governo e quais centros de pesquisa são indispensáveis?
- Projetos (o “como”): quais tecnologias, projetos ou modelos de negócio precisam ser criados ou impulsionados? Lista de projetos práticos que servem de degraus para a missão.
- Barreiras e gargalos (o “o que nos impede?”): o que trava esse avanço hoje? Identificação de leis obsoletas, falta de infraestrutura específica ou lacunas de qualificação profissional.
- Critérios de sucesso e impacto social: como mensurar e divulgar os resultados.
Para a diretora editorial e presidente do Diário do Comércio, Adriana Muls, a construção das missões é um passo fundamental para que o grupo reúna competências e construa soluções voltadas ao desenvolvimento socioeconômico do Estado.

“No primeiro Fórum, emergiu com muita força a necessidade de falar sobre a ambição de Minas Gerais, sobre a marca e a identidade do Estado. Demos continuidade a essa discussão com muita qualidade. A diversidade de olhares montou um painel capaz de revelar o orgulho do que somos, mas também mostrou que ainda falta muito para nos apropriarmos e comunicarmos tudo o que temos a oferecer.”
Ainda segundo Adriana Muls, Minas tem uma economia que já ultrapassa R$ 1 trilhão, responde por mais de 9% do PIB nacional e tem a produção agrícola mais diversificada do Brasil. “São números que mostram força real. Mas o próprio estudo Parceiros do Futuro nos alertou: Minas ainda depende demais de commodities de baixo valor agregado e ainda não conseguiu traduzir todo esse potencial em prosperidade distribuída.”
Por isso, reforça a presidente do Diário do Comércio, a construção de missões não é um exercício acadêmico. “É a resposta concreta a um desafio que identificamos juntos: precisamos de um projeto de futuro que não mude a cada ciclo político, que una o setor público, o privado e a sociedade em torno de objetivos comuns.”
“Agora, a meta é avançar na construção dessas missões dentro dos pilares já desenvolvidos para criarmos um plano de ações que nos permita chegar a um futuro de prosperidade real e de justiça”, afirma Adriana Muls.
Desde o início do Parceiros do Futuro, em 2024, com entrevistas com cerca de 40 lideranças de diferentes áreas para entender qual futuro elas imaginam para Minas Gerais e como podemos tornar possível um futuro baseado no bem comum, até esta edição do Fórum de Líderes, algumas questões já aparecem como fundamentais para a construção de um futuro próspero e mais justo em Minas Gerais:
- Minas Gerais como hub global de materiais críticos e baterias: ultrapassar a era da simples extração de lítio, nióbio e terras-raras como commodities para alcançar a verticalização industrial, agregando valor à matéria-prima.
- Indústria verde de emissão zero de carbono: aproveitar a competência em produção e uso de energia limpa, especialmente a fotovoltaica, para liderar a descarbonização global de setores de base, como siderurgia e cimento.
- Economia circular e regeneração de passivos: transformar os rejeitos minerais em novos ativos econômicos, gerando uma economia sustentável e regenerativa.
- Potência agroindustrial e segurança alimentar: ir além da exportação de commodities, com tecnologia, rastreabilidade e hubs regionais de beneficiamento.
- Estado inteligente e equidade territorial: redução da burocracia com o uso de IA e governança de dados para diminuir a desigualdade de desenvolvimento entre a capital e o interior.
“O Fórum de Líderes reforça que Minas Gerais vive um momento decisivo para transformar potencial em estratégia de desenvolvimento. O debate construído ao longo dos encontros mostra que há capacidade, conhecimento e ativos econômicos para ampliar a competitividade do Estado, mas isso exige articulação permanente entre iniciativa privada, poder público, academia e sociedade civil. Mais do que discutir diagnósticos, o projeto busca criar caminhos concretos para que Minas avance de forma mais sustentável, inovadora e equilibrada”, destaca a presidente do Diário do Comércio.
Debate propõe reposicionamento de Minas além da mineração
Nas duas edições anteriores do Fórum de Líderes, realizadas em outubro de 2025 e março de 2026, o grupo revisitou o papel histórico de Minas Gerais na economia nacional e discutiu os entraves que ainda limitam o desenvolvimento do Estado. Entre os principais pontos levantados estiveram a forte dependência da mineração, a baixa diversificação produtiva e as desigualdades regionais, desafios estruturais que reduzem a competitividade mineira e comprometem sua posição no cenário federativo.
Dentro desse contexto, os participantes defenderam a construção de uma “marca Minas” mais alinhada à capacidade contemporânea do Estado. A avaliação é que Minas Gerais ainda é pouco associada à inovação, à tecnologia e à produção cultural sofisticada, apesar da relevância de seus ativos econômicos, acadêmicos e produtivos. A proposta debatida no Fórum é transformar essa identidade em uma estratégia de posicionamento e desenvolvimento de longo prazo.
Outro ponto recorrente nas discussões foi a dificuldade de garantir continuidade a projetos estruturantes. Segundo os participantes, a excessiva dependência das mudanças políticas e administrativas, nas esferas federal, estadual e municipal, além das transições nos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, compromete a execução de agendas de longo prazo e dificulta a consolidação de políticas permanentes para o desenvolvimento do Estado.
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