Construção civil em Minas acumula alta de 7,2% com pressão de insumos e logística
O custo da construção civil acumula aumento de 7,2% em Minas Gerais nos últimos doze meses. O avanço, superior à inflação, é resultado de uma combinação de fatores, como o desaquecimento da economia nacional aliado aos impactos dos conflitos no Oriente Médio, que afetam os custos do transporte e logística em toda a cadeia produtiva.
Em abril, o Índice Nacional da Construção Civil (Sinapi), apurado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) junto à Caixa Econômica Federal, registrou alta de 0,15% no Estado. Com o ajuste, o custo médio por metro quadrado no Estado atingiu R$ 1.848, sendo R$ 1.038 referente aos materiais, enquanto os gastos com mão de obra somam R$ 809.
A economista do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Minas Gerais (Sinduscon-MG), Ieda Vasconcelos, pontua que o setor de construção já observa um aumento nos custos desde a pandemia. “Entre 2020 e 2022, houve um forte aumento no custo dos materiais de construção. No ano passado, o avanço voltou a se intensificar, desta vez puxado pela mão de obra, em função do aquecimento do mercado de trabalho, da dificuldade de contratação e da queda na taxa de desemprego”, avalia.
Além de os custos já estarem em um patamar elevado, sem retorno aos níveis anteriores, o setor agora volta a enfrentar elevação nos custos dos insumos. Para a economista, o aumento começou a ser sentido de forma mais intensa entre março e abril, e se agravou ainda mais, em função dos conflitos no Oriente Médio, que afetaram o preço do petróleo que elevou os custos de logística e transporte.
“Dentro da construção, o impacto não se restringe apenas ao transporte do insumo até a obra, mas atinge toda a cadeia produtiva, desde a indústria. Há reflexos também no custo de energia, entre outros fatores”, destaca Ieda Vasconcelos.
Esses aumentos mais intensos têm feito com que os custos do setor permaneçam acima da inflação oficial do País, que se aproxima de 4,4%. Somado ao impacto no material, reajustes das categorias de profissionais da construção também elevam os custos para o setor ao longo do ano, a depender do mês de reajuste em cada estado.
Setor teme novos impactos nos custos da construção
Para os próximos meses, com as incertezas acerca de um cessar fogo no conflito, as expectativas ainda são nebulosas. O preço do petróleo continua acima de US$ 100 o barril, e a volatilidade impacta de forma severa todo o setor.
“Hoje, não temos visibilidade clara sobre o que pode acontecer daqui para frente. Enquanto houver instabilidade, com aumento no custo do petróleo, dos insumos e do transporte, haverá impacto direto sobre os custos do setor”, finaliza Ieda Vasconcelos.
No Brasil, o setor registrou avanço de 0,72% em abril e acumula alta de 7% nos últimos 12 meses. O custo médio por metro quadrado foi de R$ 1.946, sendo R$ 1.098 relativos aos materiais e R$ 847, à mão de obra.
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