Economia

Investimentos da CSN Mineração devem superar R$ 3 bilhões em 2026 com obras em Congonhas

A projeção é do diretor financeiro e de Relações com Investidores da empresa, Pedro Oliva
Investimentos da CSN Mineração devem superar R$ 3 bilhões em 2026 com obras em Congonhas
Aumento no volume de aportes é resultado do avanço nas obras no complexo Casa de Pedra | Foto: Alexandre Rezende / Nitro / CSN

Os investimentos da CSN Mineração devem passar de R$ 3 bilhões em 2026 em razão do avanço das obras da Itabirito P15, a nova planta de minério de ferro do complexo Casa de Pedra, em Congonhas, na região Central de Minas Gerais.

A projeção foi revelada pelo diretor financeiro e de relações com investidores da empresa, Pedro Oliva, em teleconferência com analistas na quinta-feira (14) para apresentação de resultados do primeiro trimestre. Em 2025, o capex totalizou R$ 2,4 bilhões.

Conforme balanço divulgado nesta semana, nos primeiros três meses deste ano, a subsidiária da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) investiu R$ 431 milhões. Foram R$ 159 milhões em expansão dos negócios e R$ 272 milhões em continuidade operacional.

Em relação ao mesmo período do ano passado, o valor subiu 14,3%. A alta decorreu da evolução de projetos estruturantes, com destaque para a expansão das obras de infraestrutura e civil da P15, além dos desembolsos para ampliar a eficiência operacional.

Quando comparado ao trimestre imediatamente anterior, o montante recuou 51,3%. A queda refletiu a menor execução de capex no período de precipitações.

De acordo com Oliva, as chuvas acentuadas que atingiram a região no primeiro trimestre impactaram um pouco o avanço das obras da nova planta, o que já era previsto e não acarretou atraso no cronograma. Além disso, como grande parte da infraestrutura já havia sido concluída, houve uma desaceleração do ritmo de obras nessa frente, ao passo que as obras civis estavam em mobilização. Com isso, os investimentos foram menores.

O diretor ressaltou que, agora, as obras civis em ritmo máximo levarão o capex para outro patamar, e cifras expressivas devem ser investidas neste e no próximo trimestre. Ainda segundo ele, em 2026, a CSN Mineração fará contratações da montagem eletromecânica do beneficiamento e da filtragem e da montagem dos minerodutos.

Mais de R$ 2,2 bilhões foram investidos na P15, que deve começar a operar em 2027

Capaz de produzir 16,5 milhões de toneladas (t) de minério de ferro de alto teor, a nova planta do complexo Casa de Pedra demandará R$ 8 bilhões em investimentos, sendo que mais de R$ 2,2 bilhões foram investidos até o momento, conforme Oliva.

A previsão de começo da operação da P15 segue para o quarto trimestre de 2027, embora existam desafios no caminho. Estão entre eles, segundo o diretor, a disponibilidade de mão de obra para as obras e a contratação, mobilização e execução da montagem eletromecânica das plantas de beneficiamento e de filtragem (rejeito e produto) e da montagem das tubulações de conexão da planta e do platô de beneficiamento às plantas de filtragem.

“A boa performance das obras civis naturalmente é um caminho crítico. Felizmente, tem caminhado bem”, acrescentou. “Apesar de eu estar apontando estes como os principais riscos, hoje não temos motivos para acreditar que eles tendam a se materializar, pois há uma série de ações para mitigá-los”, ponderou, citando também as chuvas de início de ano.

Empresa tem produção própria recorde no trimestre e lucro líquido de R$ 222 milhões

A CSN Mineração produziu, entre janeiro e março deste ano, 10,1 milhões de t de minério de ferro, incluindo compras de terceiros, o que representa queda de 1,5% ante o mesmo período de 2025. Se considerada apenas a produção própria, o volume subiu 6,7% e alcançou patamar recorde para um primeiro trimestre. Já as vendas ficaram estáveis em 6,6 milhões de t, enquanto a receita líquida caiu 7,2%, totalizando R$ 3,2 bilhões.

Nos primeiros três meses de 2026, a mineradora reportou lucro líquido de R$ 222 milhões, revertendo o prejuízo de R$ 357 milhões registrado um ano antes. Na mesma base de comparação, o Ebitda ajustado da empresa reduziu 0,5%, para R$ 1,4 bilhão, e a margem Ebitda avançou dois pontos percentuais, atingindo 44,9%.

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