Agronegócio

Conafe marca retomada do debate sobre futuro do feijão

Congresso em Belo Horizonte discutirá produção, consumo, inovação e desafios do mercado de feijão no Brasil
Conafe marca retomada do debate sobre futuro do feijão
Entre os temas relevantes a serem discutidos, estão consumo e comércio de feijão, possibilidades de exportação e melhoramento genético | Foto: Reprodução Adobe Stock / Pic_It

Segundo maior produtor de feijão do Brasil, ficando atrás apenas do Paraná, Minas Gerais deve colher cerca de 514,1 mil toneladas na safra 2025/26. Além do volume expressivo, o Estado se destaca por produzir três safras anuais – a safra das águas, a safra da seca e o feijão irrigado -, diversidade que reflete a capacidade dos produtores em se adaptarem a diferentes condições por meio do uso de tecnologias. Nesse cenário, o Estado sediará o 14º Congresso Nacional de Pesquisa do Feijão (Conafe), que, após anos suspenso, ressurge como um evento fundamental para o avanço do setor. O evento acontece desta quarta-feira (27) a 29 de maio, na Cidade Administrativa Presidente Tancredo Neves, em Belo Horizonte.

Conforme o pesquisador da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), Fábio Aurélio Dias Martins, a produção mineira de feijão é bastante democrática e abrange desde pequenos produtores, que fornecem para programas de aquisição de alimentos como o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), até grandes produtores tecnificados, que utilizam pivô central e alcançam altas produtividades, especialmente nas regiões do Triângulo e Noroeste.

“Minas Gerais é como se fosse um resumo da capacidade brasileira de produzir feijão”, explicou.

Apesar da relevância na produção, o mercado de feijão em Minas Gerais e no Brasil enfrenta desafios. Conforme Martins, o País produz pouco mais de 3 milhões de toneladas e consome praticamente tudo que é produzido. O feijão carioca, que representa 70% do consumo, é produzido e consumido exclusivamente no Brasil, o que o impede de ser uma commodity.

“Essa particularidade provoca grandes oscilações nos preços do feijão já que quando falta o grão não tem onde buscar e, quando sobra, não tem para onde vender. As oscilações nos preços não são boas nem para o produtor e nem para o consumidor.”

Diante dos desafios e também das oportunidades de avanços na produção, Minas Gerais será sede do Congresso Nacional de Pesquisa do Feijão (Conafe). A temática central desta edição é o feijão como um alimento que promove saúde. O congresso abordará a importância do feijão na dieta do brasileiro, seus benefícios nutricionais e os desafios relacionados à diminuição do consumo.

“O feijão é uma fonte de proteína de alta qualidade e fornece minerais importantes para a nutrição. Infelizmente, o consumo de arroz e feijão está diminuindo por diferentes motivos.”

Outros temas relevantes serão discutidos, como o comércio e consumo de feijão, as possibilidades de exportação, o progresso do melhoramento genético, o controle da mosca branca e o uso de bioinsumos. A agricultura familiar também terá um painel dedicado ao segmento, abordando o feijão como um negócio social e as políticas públicas que impactam os produtores.

“Ao longo do congresso nós teremos desde o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) levando o consumo do feijão em Minas, no tropeiro, no tutu, até as questões mais específicas da produção do feijão como melhoramento de cultivares e uso de bioinsumos. Será um evento muito interessante, porque o Conafe busca atualizar o produtor, identificar áreas para avanço e chamar a atenção para questões importantes do setor”.

O evento é direcionado a pesquisadores, empresas de insumos, produtores e estudantes, oferecendo uma oportunidade de networking e troca de experiências. As inscrições para o Conafe podem ser feitas até o dia do evento, 27 de maio, no auditório JK, na Cidade Administrativa, a partir de 8h. O custo da inscrição é de R$ 400.

“É uma oportunidade importante para fazer networking com as pessoas que estão envolvidas na cadeia produtiva e que têm mais experiência”, finaliza.

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