Finanças

Mineiros já pagaram R$ 123 bilhões em impostos neste ano

Dados são do Impostômetro da Associação Comercial de São Paulo (ACSP)
Mineiros já pagaram R$ 123 bilhões em impostos neste ano
Arrecadação de impostos no Brasil já ultrapassou R$ 1,66 trilhão | Foto: Reprodução Adobe Stock

Na semana do Dia Livre de Impostos, realizado em 28 de maio, o Impostômetro da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), que simula em tempo real o volume arrecadado no Brasil, mostra que os mineiros já pagaram R$ 123,2 bilhões em impostos até 26 de maio deste ano. O montante corresponde a cerca de 7% do total arrecadado no País, que somou R$ 1,66 trilhão no mesmo período.

Promovido pela Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), o Dia Livre de Impostos protesta contra a elevada carga tributária e promove vendas de produtos em lojas, shoppings e postos de combustíveis sem a cobrança de impostos, com descontos que podem chegar a 70%.

Neste ano, os tributos pagos pelos mineiros nas três esferas (federal, estadual e municipal) foram 3,44% superiores ao montante arrecadado no mesmo período de 2025. O acréscimo pode indicar reflexos do aquecimento da economia do País. Porém, com inflação acumulada em torno de 3,5% nos últimos 12 meses em Minas Gerais e de 4,39% no Brasil, a atividade econômica demonstra estabilidade ou até desaceleração, apesar do cenário ainda aquecido.

Conforme a economista da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Diana Chaib, o aumento na arrecadação em Minas Gerais precisa ser analisado com cautela. Ela explica que, como a inflação acumulada no período ficou em patamar semelhante, não é possível afirmar que houve crescimento real expressivo da economia observando apenas esse dado. “Parte desse avanço está relacionada ao aumento de preços e ao próprio encarecimento do consumo e dos serviços”, analisa.

Além disso, a economista ressalta que, mesmo em cenário de desaceleração econômica, a arrecadação pode continuar crescendo porque o sistema tributário brasileiro é concentrado no consumo. “Ou seja, mesmo com perda de renda e menor dinamismo econômico, a população continua pagando impostos ao consumir bens e serviços essenciais”, afirma.

Diana Chaib também chama atenção para o fato de Minas Gerais representar 7% da arrecadação nacional. Segundo ela, o dado evidencia a relevância econômica do Estado, especialmente pela força da indústria, mineração, agronegócio e serviços. Porém, faz uma ressalva. “Como a carga tributária brasileira recai fortemente sobre a produção e, principalmente, sobre o consumo, quem acaba sendo penalizado proporcionalmente são as famílias de baixa e média renda”, explica.

Nesse cenário, a professora da UniBH, Vaníria Ferrari, pontua que tanto no Estado quanto no País o déficit nas contas públicas dificulta a redução de impostos sem impacto sobre a arrecadação. Segundo ela, em momentos de recessão, inflação elevada e juros altos, o governo poderia reduzir gastos, principalmente em áreas que não afetam diretamente a população.

Conforme explica Vaníria Ferrari, a redução de despesas abriria espaço para redução de impostos em setores estratégicos que impactam diretamente o consumo da população, como agropecuária, alimentos e energia. “Esses setores são estratégicos e poderiam receber incentivos fiscais. Seria importante sacrificar parte da receita do governo para incentivar a produção”, afirma.

Em consonância com a professora, a economista da UFMG afirma que existe espaço para discutir redução de impostos, mas isso deve ocorrer com responsabilidade fiscal e foco em justiça tributária. “Uma alternativa seria reduzir tributos sobre consumo e bens essenciais, compensando com maior tributação sobre renda elevada, lucros, dividendos e patrimônio. Setores ligados à produção, inovação, indústria e consumo popular poderiam ser beneficiados sem necessariamente comprometer a arrecadação pública”, finaliza.

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