Megaleite projeta recorde de público e espera movimentar mais de R$ 300 milhões em Belo Horizonte
Maior produtor nacional de leite, Minas Gerais também é palco da maior exposição de pecuária leiteira da América Latina, a Megaleite. Nesta edição, que acontece de 2 a 6 de junho, no Parque da Gameleira, em Belo Horizonte, a expectativa é receber em torno de 1,4 mil animais e superar os R$ 300 milhões em negócios registrados no ano passado. No mesmo espaço, de 4 a 6 de junho, acontece a 8ª edição do Festival do Queijo Artesanal de Minas. Os eventos são importantes e mostram a pujança da pecuaria de leite do Estado.
A Megaleite chega à 10ª edição com grandes expectativas. O evento, que movimenta o Estado e o País, projeta um público próximo de 120 mil pessoas. No Parque da Gameleira, estarão 1,4 mil exemplares de diversas raças que participarão de exposições, torneios leiteiros e leilões. Os exemplares são das raças Girolando, Gir Leiteiro, Guzerá, Guzolando, Holandês, Sindi e também búfalos. Um marco da edição é a participação da raça Sindi, que retorna à Megaleite após mais de 10 anos de ausência.
A Megaleite, além dos julgamentos e leilões, também terá cursos, palestras e lançamentos.
Conforme o presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Girolando, entidade organizadora do evento, Alexandre Lacerda, a programação da Megaleite foi ampliada frente ao ano passado. A agenda inclui 12 leilões, dois a mais que no ano passado, e a participação de mais de 100 empresas expositoras de diversos segmentos.
“A Megaleite é a nossa grande vitrine. É onde a gente busca conteúdo, conhecimento e os leilões são a oportunidade de aquisição de animais diferentes, de genética melhor, de aprimorar o rebanho dos produtores, de trazer uma maior qualidade para dentro de casa e diversidade também, com pedigrees diferentes, com abertura de sangue de animais e tudo mais. Ninguém leva à Megaleite um animal comum, todo mundo leva para o leilão o que tem de melhor”, analisa.
O presidente da Girolando explica que, apesar dos desafios do mercado do leite, a expectativa é que os produtores aproveitem o momento para investir no rebanho e conhecer os avanços das raças. Este ano, após meses de queda nos preços do leite, houve uma retomada dos valores, o que pode estimular os negócios.
“O mercado do leite enfrenta desafios, como a concorrência desleal com as importações. Mas, esperamos uma resposta positiva em relação ao processo antidumping em tramitação na Camex, que pode resultar em medidas para proteger os produtores. Não somos contra as importações, mas é preciso competir de forma leal. Nós somos competitivos. Queremos e podemos disputar com qualquer um, desde que seja nas mesmas condições”, acrescenta Lacerda.
Festival do Queijo Artesanal de Minas
Em paralelo à Megaleite, o Festival do Queijo Artesanal de Minas também mostrará a relevância da pecuária leiteira e a vocação do Estado na produção dos queijos artesanais. A 8ª edição do Festival do Queijo, que será realizada entre os dias 4 e 6 de junho, teve a programação voltada à experiência gastronômica e à promoção comercial dos produtos artesanais mineiros ampliada.
Entre os destaques, estão oficinas técnicas e gastronômicas, além de uma agenda de relacionamento que reunirá produtores e compradores convidados de diferentes estados do País. As oficinas vão abordar desde técnicas de conservação e maturação de queijos até harmonizações entre queijos artesanais, cafés, vinhos e méis produzidos em Minas Gerais.
Parte da programação será conduzida em formato de cozinha-show, aberta ao público do evento, com demonstrações gastronômicas e degustações comentadas. Entre os temas estão os “Queijos mineiros com Indicação Geográfica”, “Conservação e maturação de queijos em casa”, “Soufflé de queijo do Serro” e “Combinando queijos e cafés mineiros”.
Além das oficinas voltadas ao público consumidor, o festival também terá uma agenda de relacionamento voltada à promoção comercial dos produtos mineiros. A ação será realizada no dia 5 de junho, em um ambiente reservado dentro do evento, com dois ciclos de encontros. Cerca de 40 ofertantes participarão da iniciativa, incluindo produtores de queijo artesanal e agroindústrias ligadas ao projeto Origem Minas. Compradores de estados como São Paulo, Bahia, Paraíba, Paraná, Santa Catarina, Espírito Santo, Rio de Janeiro e Distrito Federal já estão confirmados.
Além dos queijos artesanais, a programação comercial contará com produtos como cafés especiais, mel, geleias e cachaças mineiras.
Dia Mundial do Leite
Em meio à realização da Megaleite e do Festival do Queijo Minas Artesanal, em 1º de junho, é comemorado o Dia Mundial do Leite. A data, criada pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), tem o objetivo de incentivar o consumo de lácteos pela população mundial e Minas Gerais se destaca na produção do leite.
Conforme o Relatório Executivo do Agronegócio de Minas Gerais, elaborado pela Secretaria de Estado da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), em 2025, Minas Gerais foi responsável pela produção de 9,8 bilhões de litros de leite, um avanço de 3,8% frente a 2024. Com o volume, o Estado segue como o maior produtor do País. A produção tem forte relevância na economia mineira, movimentando um Valor Bruto de Produção (VBP) de R$ 18,1 bilhões, faturamento que cresceu 1,4% quando comparado com o ano anterior.

Entre os derivados do leite, o queijo integra a identidade cultural de Minas Gerais. A cadeia produtiva é crescente e tem alto impacto econômico. Dados de monitoramento do Sistema Faemg Senar, com base em produtores acompanhados por programas técnicos, indicam que, entre 2019 e 2026, a comercialização de queijo artesanal movimentou aproximadamente R$ 243 milhões.
No mesmo recorte, o preço médio do produto passou de cerca de R$ 16,01 para R$ 25,61, sinalizando um processo gradual de valorização no mercado.
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