Usinas mineiras passam a apostar no milho e abrem nova frente para o etanol em Minas
Os projetos anunciados por dois grupos sucroenergéticos para integrar a produção de etanol de cereal (milho e/ou sorgo) às usinas de cana-de-açúcar colocam Minas Gerais no radar da expansão desse segmento. Embora o Estado seja um dos principais produtores nacionais de etanol, toda a produção ainda é baseada na cana-de-açúcar. Para que os investimentos se pulverizem entre as usinas, será necessário ampliar a produção de grãos, a infraestrutura de irrigação e criar instrumentos de incentivo no Estado, como já acontece, por exemplo, na região Centro-Oeste do País.
No Estado, estão em construção/adaptação duas unidades que usarão cereais para a produção de etanol. Um dos investimentos é do Grupo Sada, com sede em Betim, que está desenvolvendo dois projetos de produção de etanol de milho em usinas localizadas nas cidades de Jaíba, no Norte de Minas Gerais, e Montes Claros de Goiás (GO).

Com aporte próximo a R$ 1,1 bilhão, as unidades serão adaptadas para a modalidade flex, e, assim, o Grupo Sada terá a capacidade de operar de forma contínua durante todo o ano, com maior eficiência e sinergias, atenuando a sazonalidade da cana-de-açúcar e garantindo uma oferta mais estável de biocombustível no mercado. O fundador e CEO do Grupo Sada, Vittorio Medioli, disse, em entrevista ao jornal O Tempo, que a previsão de inauguração da unidade mineira é em agosto.
Outra iniciativa é do Grupo Aroeira, com complexo instalado em Tupaciguara, no Triângulo Mineiro. O grupo construirá uma nova planta produtora de etanol de cereais no município. A ampliação terá aportes superiores a R$ 600 milhões.
Integração entre cana e milho gera ganhos de eficiência
O presidente da Siamig Bioenergia, Mário Campos, explica que a integração entre cana e milho para a produção do biocombustível é vantajosa e aproveita parte da estrutura já existente nas usinas. O bagaço da cana fornece a biomassa utilizada na geração de energia e calor para o processo industrial, reduzindo a necessidade de novos investimentos em infraestrutura energética. Essa sinergia explica o interesse das empresas pelo modelo consorciado.
Minas Gerais ainda não produz etanol de milho, mas, a produção de etanol a partir de grãos em outros estados tem crescido e já representa quase 30% da produção nacional. Conforme Campos, a maior adoção do modelo em Minas depende, principalmente, da disponibilidade de matéria-prima.
“Minas Gerais é um grande produtor de milho e um produtor relevante de sorgo, mas também é um grande consumidor desses produtos. O crescimento da produção de grãos é que vai determinar se esses investimentos na produção de etanol de milho serão ou não uma tendência para outras unidades”, analisou.
Ele explica ainda que, nos últimos anos, houve um grande movimento de desburocratização, sem descuidar da questão do meio ambiente, das possibilidades relacionadas à produção de grãos no Estado, principalmente, no Noroeste e na região Central, o que pode favorecer a produção dos cereais e da produção de etanol.
“Em Minas Gerais, a gente tem a produção, normalmente, de primeira safra com soja e milho. A segunda safra já depende muito do clima e da região, e, quando se tem irrigação, facilita muito. Então, o fato de conseguir fazer as barragens necessárias, o fato de ter energia para tocar os pivôs e o potencial de áreas disponíveis, principalmente, na região Central e Noroeste do Estado, pode facilitar e levar Minas Gerais a ter um grande crescimento da produção de grãos”, explicou.
Mercado promissor de DDG reforça atratividade, mas é preciso melhorar o ambiente de negócios
Outro fator considerado favorável por Campos é o mercado consumidor de Dried Distillers Grains (DDG), ou grãos secos de destilaria, coproduto da fabricação de etanol de milho e sorgo, utilizado na alimentação animal. Minas Gerais concentra um dos maiores mercados consumidores do produto, impulsionado pelos confinamentos de bovinos e pela cadeia leiteira.
“A possibilidade de se ter um mercado de DDG também pode facilitar a atração de investimentos para a produção de etanol de milho”, completou Campos.
Na avaliação do presidente da Siamig, a competitividade do segmento também dependerá do ambiente de negócios. Segundo ele, Minas disputa investimentos com estados do Centro-Oeste, que oferecem incentivos fiscais ao setor e tem atraído grande parte dos investimentos.

“Obviamente, o Estado ainda tem alguns mecanismos que podem ser feitos e utilizados para incentivar essa produção aqui em Minas Gerais. Dependendo da utilização correta desses mecanismos e incentivos, que podem ser criados dentro da legalidade e dentro da nossa legislação, pode intensificar a diversificação das nossas unidades, que hoje fabricam o etanol de cana para também produzir etanol a partir de grãos”, concluiu.
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