Economia

Setor sucroenergético avalia impacto limitado da tarifa de 25% dos EUA em produtos brasileiros

Tarifação de etanol e açúcar orgânico pelos Estados Unidos tem pouco efeito no estado, mas setor defende cooperação global e critica assimetrias comerciais
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Setor sucroenergético avalia impacto limitado da tarifa de 25% dos EUA em produtos brasileiros
Foto: Reuters / Marcelo Texeira

A lista de produtos brasileiros taxados em 25% pelos Estados Unidos incluiu itens do setor sucroalcooleiro, o etanol e o açúcar orgânico. Os dados da Seapa mostram que, no primeiro semestre de 2026, as exportações mineiras do complexo sucroalcooleiro para os EUA somaram US$ 135,1 mil e 214,1 toneladas. O resultado, frente a igual período de 2025, representa queda de 99,5% tanto em valor quanto em volume.

O presidente da Associação da Indústria da Bioenergia e do Açúcar em Minas Gerais (Siamig Bioenergia), Mário Campos, destaca que o impacto da tarifação será praticamente nulo para o setor em Minas Gerais.

“O impacto para Minas Gerais é, praticamente, nenhum. No Brasil, haverá impacto no mercado do açúcar orgânico, mas, para o etanol, como um todo, não vejo grandes efeitos porque o mercado principal que atendemos é o doméstico”.

Setor defende cooperação entre Brasil e Estados Unidos

Ainda conforme Campos, é preciso que o Brasil e os Estados Unidos parem de olhar o mercado alheio de etanol e passem a pensar nas grandes possibilidades que existem no mercado mundial de blend de etanol com gasolina.

“De forma conjunta, é interessante convencer os países a fazerem, cada vez mais, blend de etanol na gasolina, no conceito de descarbonização. É importante colocar, também, o etanol como um produto disponível para a descarbonização do setor marítimo e o etanol também como uma rota possível para se fazer o famoso Combustível Sustentável de Aviação (SAF). Temos muito mais a ganhar pensando no mercado mundial, do que ficar brigando um com o outro sobre o mercado entre os dois países”.

O representante da Siamig ressalta que, apesar da oportunidade, um possível acordo entre os países no setor sucroenergético é complicado de ser firmado.

“É uma situação muito difícil de se resolver. No Brasil, etanol e açúcar são extremamente ligados e os Estados Unidos nunca quiseram abrir o mercado de açúcar. Os americanos produzem 8 milhões de toneladas de açúcar e consomem 11 milhões, importando 3 milhões de toneladas. Dessas 3 milhões de toneladas, o Brasil tem uma cota de 150 mil toneladas e o mercado orgânico, que gira em torno de 200 mil toneladas”.

Unica critica tarifa e defende política brasileira

Em nota, a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) lamentou a decisão do governo dos Estados Unidos de impor tarifas adicionais sobre o etanol brasileiro.

A entidade reiterou que a política brasileira para o etanol está plenamente alinhada às regras da Organização Mundial do Comércio (OMC), sendo aplicada de forma não discriminatória e em conformidade com os compromissos multilaterais assumidos pelo Brasil.

“Também não existe qualquer acordo bilateral entre Brasil e Estados Unidos que obrigue o Brasil a conceder tratamento tarifário diferenciado ao etanol norte-americano. Da mesma forma, a redução das exportações de etanol dos Estados Unidos para o mercado brasileiro decorre, sobretudo, da expansão da produção nacional, especialmente do etanol de milho, e não de alterações na política tarifária brasileira”.

A entidade também ressalta que a decisão desconsidera importantes assimetrias na relação comercial entre os dois países. As exportações brasileiras de açúcar permanecem sujeitas às tarifas e restrições de acesso impostas pelos Estados Unidos, enquanto o Brasil mantém uma política não discriminatória para o etanol, em conformidade com as regras do comércio internacional.

Sobre o autor

Michelle Valverde

Repórter do Diário do Comércio desde 2009. Graduada em Jornalismo pela Newton Paiva.

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