Agronegócio

Tarifaço dos EUA poupa café e beneficia principal produto de exportação de Minas

Além do café verde, o café solúvel também ficou fora da sobretaxa de 25%, resultado comemorado por entidades do setor exportador
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Tarifaço dos EUA poupa café e beneficia principal produto de exportação de Minas
Foto: Reprodução/ Adobe Stock

Maior exportador de café do Brasil, Minas Gerais foi beneficiada pela decisão do governo dos Estados Unidos de isentar todos os cafés brasileiros da tarifa adicional de 25% anunciada para produtos do País. A medida consta na lista de exceções divulgada pela Casa Branca e representa um alívio para um dos principais setores exportadores do agronegócio mineiro e nacional. No ano passado, o café verde e alguns produtos industrializados já haviam sido incluídos na lista de exceções, mas o café solúvel permaneceu sujeito à sobretaxa até então.

O diretor-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics), Aguinaldo José de Lima, afirmou que a decisão do governo norte-americano de isentar todos os cafés da sobretaxa representa um grande alívio para o setor.

“É com grande alívio que o setor recebe a notícia de que o café solúvel também foi incluído na lista de exceções das tarifas americanas aplicadas ao Brasil. É uma luta que vem de muito tempo, desde o ano passado, quando todos os produtos de café ficaram fora da sobretaxa e só o solúvel acabou sofrendo uma tarifa de 50%, causando sérios prejuízos à nossa indústria e uma queda considerável no volume de exportação a um país que é o nosso maior importador, com negócios de mais de US$ 220 milhões por ano. Os Estados Unidos sempre foram o nosso maior cliente há mais de 60 anos”, disse.

Ainda segundo Lima, a entidade segue atenta às futuras decisões do governo norte-americano relacionadas a novas tarifas: “Ainda há uma investigação conduzida pelo United States Trade Representative (USTR) com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos, que envolve mais de 60 países e pode resultar na aplicação de uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos brasileiros. Mas, enfim, o setor se sente bastante aliviado com o fim da ameaça da tarifa de 25% sobre o café”.

O diretor-geral do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), Marcos Matos, explica que a aplicação da tarifa adicional de 25% sobre diversos produtos brasileiros já era esperada por diferentes fatores, mas ressalta que a ampliação da lista de exceções, com a inclusão de todos os tipos de café, foi uma notícia muito importante para o setor.

“Nós já tínhamos a sugestão dos cafés verdes e alguns industrializados, e agora, os cafés solúveis. Isso para nós é muito importante porque assegura o acesso ao maior mercado mundial de café. Os Estados Unidos são o maior importador e o maior consumidor, e o Brasil é o maior produtor, maior exportador e segundo maior consumidor. Os EUA são parceiros insubstituíveis”, observou.

Dados do Painel do Comércio Exterior, elaborado pela Superintendência de Inovação e Economia Agropecuária da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), mostram que o café é o principal produto do agronegócio mineiro exportado para os Estados Unidos.

De janeiro a junho, os embarques de café para os Estados Unidos somaram US$ 645,8 milhões, com a exportação de 95,5 mil toneladas. Segundo Marcos Matos, as negociações para incluir todos os tipos de café brasileiros na lista de exceções duraram meses e envolveram diversas entidades representativas do setor.

“Essa ampla negociação, para nós, foi muito importante e nós notamos que esse trabalho trouxe resultados concretos. O comércio dos Estados Unidos para o Brasil é de US$ 2 bilhões a US$ 2,5 bilhões e gera muitas oportunidades para os nossos exportadores. O Cecafé segue firme na defesa dos cafés do Brasil, com certeza melhorando a vida de 330 mil famílias de cafeicultores em 39 regiões produtoras. Nós vamos seguir sempre promovendo a nossa qualidade, a nossa sustentabilidade, a nossa credibilidade e a nossa competitividade pelo mundo”, disse Matos.

Sobre o autor

Michelle Valverde

Repórter do Diário do Comércio desde 2009. Graduada em Jornalismo pela Newton Paiva.

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