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Tarifaço dos EUA preocupa indústria mineira; Fiemg cobra regras claras para exportadores

Entidade mineira reage à tarifa de 25% dos Estados Unidos, que pode afetar a competitividade da indústria e exportações
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Tarifaço dos EUA preocupa indústria mineira; Fiemg cobra regras claras para exportadores
Foto: Divulgação/ Portal Governo Brasil

A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) reagiu com preocupação à confirmação da tarifa de 25% que os Estados Unidos passarão a cobrar sobre produtos brasileiros a partir da próxima quarta-feira (22). Para a entidade, a medida abre uma distância de competitividade entre fornecedores brasileiros e concorrentes de outros países que disputam os mesmos compradores no mercado norte-americano, com risco de substituição de fornecedores, pressão sobre preços e margens, e renegociação de contratos em andamento.

O anúncio foi feito pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) na noite de quarta-feira (15), com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, mecanismo que permite a Washington retaliar países cujas políticas comerciais sejam consideradas prejudiciais aos interesses americanos. A lista de exceções divulgada pelo USTR isenta itens como carne bovina, café, suco de laranja, petróleo e celulose, mas deixa de fora a maior parte da pauta exportadora industrial, justamente o segmento que preocupa a indústria mineira.

Segundo a coordenadora de Facilitação de Negócios Internacionais do Centro Internacional de Negócios da Fiemg, Verônica Winter, o impacto real sobre as empresas mineiras ainda depende de definições que o governo americano não detalhou: quais produtos e classificações tarifárias serão de fato alcançados, os prazos de implementação e o tratamento que será dado a contratos já firmados e cargas em trânsito. A entidade defende que essas clarezas sejam obtidas rapidamente para reduzir a incerteza das exportadoras do Estado.

A Fiemg defende ainda a intensificação das negociações entre os governos brasileiro e norte-americano como caminho para evitar uma perda prolongada de competitividade da indústria mineira e nacional.

O tarifaço ocorre em meio a um impasse diplomático mais amplo. Nas redes sociais, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, atribuiu a tarifa à condução das negociações pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, enquanto o Palácio do Planalto classificou a data como um “marco lastimável” nas relações bilaterais e anunciou que acionará tanto a Lei de Reciprocidade quanto o mecanismo de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC). O USTR, por sua vez, afirmou seguir aberto a negociações para resolver os pontos identificados na investigação, que incluem comércio digital, meios de pagamento eletrônico como o Pix, propriedade intelectual e acesso ao mercado de etanol.

Para Minas Gerais, estado com forte presença industrial e pauta exportadora diversificada, a falta de clareza sobre os produtos efetivamente atingidos é hoje o principal fator de risco apontado pela Fiemg, à frente até mesmo da magnitude da própria tarifa.

Tarifaço dos EUA: veja a linha do tempo da escalada até a tarifa de 25%

A linha do tempo mostra a escalada desde a tarifa de 10% de fevereiro até a nova tarifa de 25%, que passa a valer em 22 de julho, com destaque para os dois marcos mais recentes: o anúncio do USTR e a resposta do governo brasileiro, além do posicionamento da Fiemg sobre o impacto para a indústria mineira.

Vale notar que 24 de julho aparece como um ponto de tensão adicional: é quando vence o prazo legal da tarifa anterior baseada na Seção 122, o que ajuda a explicar a pressa do governo americano em consolidar a nova cobrança antes dessa data.

Desde fevereiro, o embate comercial entre Brasil e Estados Unidos vem se acumulando em etapas até chegar ao ponto mais crítico desta semana.

Do aviso à tarifa de 25%: como o embate comercial entre Brasil e EUA chegou a este ponto

Tudo começou em 20 de fevereiro de 2026, quando entrou em vigor uma tarifa global de 10% sobre produtos brasileiros, baseada na Seção 122 da legislação comercial americana: um mecanismo que só permite cobranças temporárias e que, por lei, precisaria de aval do Congresso dos EUA para se manter além de 150 dias.

Ao longo dos meses seguintes, o tema seguiu em discussão em Washington. Em audiência no USTR, o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro participou das investigações contra o Brasil, criticando publicamente o governo Lula e afirmando que as tarifas vinham sendo usadas para benefício político do Planalto.

O ponto de virada veio na noite de 15 de julho: o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) confirmou a aplicação de uma tarifa de 25% sobre a maioria das importações brasileiras, com base na Seção 301, mecanismo que permite retaliar países cujas políticas comerciais sejam consideradas prejudiciais aos EUA. Nas redes sociais, o secretário de Estado Marco Rubio atribuiu a medida à falta de negociação de boa-fé do governo Lula.

Horas depois, já na madrugada de 16 de julho, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência divulgou nota classificando a data como um marco lastimável nas relações bilaterais, anunciando que o Brasil acionará a Lei de Reciprocidade e retomará o caso na Organização Mundial do Comércio (OMC). O mesmo dia trouxe a reação da indústria mineira: a Fiemg cobrou clareza sobre quais produtos serão de fato atingidos e defendeu a intensificação das negociações para reduzir a incerteza das exportadoras do Estado.

A tarifa de 25% passa a valer oficialmente em 22 de julho, com uma lista de exceções que inclui carne bovina, café, suco de laranja, petróleo e celulose. Dias depois, em 24 de julho, vence o prazo de 150 dias da tarifa anterior baseada na Seção 122, o que explica em parte a urgência do governo americano em consolidar a nova cobrança antes que aquele mecanismo perca validade.

Sobre o autor

Luciana Montes

Editora Executiva do Diário do Comércio desde 2019. Atuou como repórter e editora de Economia e Negócios entre 2004 e 2018. Graduada em Comunicação Social pela Fafi-BH, com pós-graduação em Tecnologias da Informação e Marketing em Comunicação. LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/luciana-montes

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