Expocachaça reforça papel estratégico para os negócios e espera movimentar R$ 30 milhões

Expocachaça deve reunir 250 expositores e movimentar R$ 30 milhões em negócios, fortalecendo a cadeia da cachaça e o agronegócio
Ouvir a matéria 0:00 / 0:00
Expocachaça reforça papel estratégico para os negócios e espera movimentar R$ 30 milhões
Ao longo de três dias, previsão é de público de 25 mil pessoas; para organizador, percepção sobre a bebida mudou desde a primeira edição de Expocachaça, em 1998 | Foto: Douglas Castro / Expocachaça

A 35ª Expocachaça, maior vitrine mundial da cachaça, que será realizada de 6 a 8 de agosto, no CenterMinas Expo em Belo Horizonte, deve movimentar cerca de R$ 30 milhões em negócios. A expectativa da organização é reunir aproximadamente 250 expositores de 18 estados brasileiros, com cerca de 2 mil marcas de cachaças. Mais do que uma vitrine de produtos, a Expocachaça, ao longo das 35 edições, mudou a imagem do produto no mercado e se consolidou como um ambiente de relacionamento comercial para produtores, distribuidores, fornecedores, compradores e investidores.

Ao reunir diferentes elos da cadeia produtiva, o evento funciona como espaço para lançamento de produtos, abertura de mercados e prospecção de novos negócios. A previsão de público é de 25 mil visitantes ao longo dos três dias. O idealizador e presidente da Expocachaça, José Lúcio Mendes Ferreira, explica que a feira vai além de um espaço de comercialização, atuando como um instrumento de transformação do mercado e de valorização da cachaça.

Canecas de metal coloridas com a logomarca da Expo Cachaça em destaque.
Foto: Divulgação Expocachaça Douglas Castro

“A Expocachaça foi a oportunidade de tirar o pano que cobria toda a história da cachaça. Antes, havia um preconceito muito grande em relação à bebida e, quando os produtores passaram a mostrar as histórias de família, as fazendas, os produtos legalizados e a qualidade do que produziam, essa visão começou a mudar. A evolução da imagem da cachaça acompanha um movimento semelhante ao vivido por outros destilados tradicionais no mundo. Antes de criar a feira, visitei vários países, como Escócia e França, para compreender como bebidas como o uísque passaram de produtos associados à informalidade para símbolos de qualidade e tradição”.

Ferreira destaca que o problema que os países enfrentaram no início da história das bebidas é o mesmo que a cachaça enfrentava no Brasil. A solução foi organizar o setor, valorizar o produtor e mostrar ao consumidor que existe qualidade, história e cultura por trás da bebida. Assim, desde a primeira edição, realizada em 1998, a Expocachaça contribuiu para mudar a percepção do consumidor. Ferreira destaca que, ao longo dos anos, produtores investiram em embalagens, qualidade, identidade visual, processos produtivos e profissionalização, fatores que ajudaram a agregar valor ao produto.

“O rosto da cachaça foi mudando ao longo do tempo com todo o trabalho que foi feito. As empresas se organizaram, as embalagens melhoraram, o produto ganhou visibilidade e o consumidor passou a enxergar a bebida de outra forma, como um produto de qualidade e sofisticado”.

Mercado amplia portfólio e fortalece a economia

Com todas as mudanças, hoje, o mercado da cachaça vai muito além da tradicional bebida branca ou envelhecida. O setor incorporou bebidas mistas, licores, drinques especiais e engarrafados.

Além disso, a bebida tem forte impacto na economia e Minas Gerais é o principal produtor. Conforme os dados do Anuário da Cachaça 2026, elaborado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), em 2025, o Brasil registrou 1.538 estabelecimentos elaboradores de cachaça, sendo que Minas Gerais concentra 564 estabelecimentos, seguido por São Paulo (230) e Rio Grande do Sul (106). De acordo com o Sistema Integrado de Produtos e Estabelecimentos Agropecuários (Sipeagro), 8.379 cachaças estavam registradas em 2025 e Minas Gerais contabiliza a maior parte entre os estados, com 2.922 registros de produtos.

“O mercado mudou muito ao longo do tempo em função da abertura, das possibilidades e aí o mundo ficou muito mais agradável e o universo da cachaça muito mais rico”.

Além de promover a cachaça, ao longo do evento, vários outros produtos do agronegócio estarão disponíveis na Expocachaça, sendo também uma oportunidade de valorização e divulgação para os produtores. A edição também contará com a 4ª edição do Minas + Doce, reunindo 32 empresas ligadas à doçaria mineira e outros produtos regionais, além da 19ª edição da Brasilbier, criada para dar visibilidade às cervejarias artesanais.

“A Expocachaça, hoje, tem uma pegada de agronegócio muito forte. Ela reúne produtores de azeite, vinho, queijo, doces e outros segmentos. Não é apenas uma feira de cachaça, mas um ambiente de negócios para diversos setores”.

Extra Premium Diamond 21
Extra Premium Diamond 21 é envelhecida 21 anos e produzida no RS | Foto: Dione Alves / Expocachaça

Além da exposição de produtos, o evento receberá missões empresariais organizadas por várias unidades do Sebrae, prefeituras e entidades de desenvolvimento econômico de diferentes estados. A feira funciona também como um espaço de aprendizado para quem deseja ingressar ou expandir a atuação no mercado.

“Quem passeia pela Expocachaça passeia pelo Brasil que produz. É uma oportunidade de conhecer diferentes culturas de produção, equipamentos, embalagens e modelos de negócio”.

Podcast registra histórias e memória do setor

A programação contará ainda com lançamentos de produtos, apresentações de novas embalagens e a estreia do podcast “No Grau Certo”, criado para registrar histórias de produtores e preservar a memória do setor. A primeira temporada será gravada ao longo do evento. Apresentado por José Lúcio Mendes Ferreira, idealizador da Expocachaça, o programa reunirá produtores, pesquisadores, empresários, chefs, especialistas e representantes de instituições para discutir temas como produção, inovação, sucessão familiar, propriedade intelectual, gastronomia, turismo, mercado e internacionalização.

As gravações acontecerão em um estúdio montado dentro do CenterMinas Expo e poderão ser acompanhadas pelo público visitante.

Sobre o autor

Michelle Valverde

Repórter do Diário do Comércio desde 2009. Graduada em Jornalismo pela Newton Paiva.

Rádio Itatiaia

Ouça a rádio de Minas