Estudos para definir a cachaça de alambique como patrimônio cultural em Minas trazem boas perspectivas para o setor
O início dos estudos para reconhecer os alambiques tradicionais como patrimônio cultural de Minas Gerais foi recebido pelo setor produtivo como um passo importante para ampliar a valorização da cachaça de alambique dentro e fora do Estado. A expectativa é que a iniciativa também fortaleça o pedido de reconhecimento da bebida como patrimônio histórico, cultural e imaterial do Brasil, atualmente em análise no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
“É muito oportuno para o nosso setor ter um trabalho como esse de reconhecimento pelo Estado de Minas. O Iepha tem feito um trabalho muito importante com a cultura e o patrimônio histórico brasileiro e a gente vê que Minas Gerais está saindo na frente com esse projeto”, afirma o presidente da Associação Nacional da Cachaça de Alambique (Anpac), Sergio Maciel.
Segundo ele, o reconhecimento estadual contribui para ampliar a visibilidade da bebida e de sua tradição produtiva. “Para nós, é muito importante que esse reconhecimento seja oficializado para colocar o nosso produto no conhecimento popular”, diz.
Isso porque o Governo de Minas anunciou no mês passado o início dos estudos para proteção dos alambiques tradicionais por meio da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo (Secult-MG) e do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha-MG). A proposta prevê o mapeamento e a documentação dos modos tradicionais de produção da cachaça, incluindo técnicas, saberes, relações com o território e formas de transmissão entre gerações.

Liderança nacional
A iniciativa acontece em um contexto em que o Estado concentra a maior parte da produção formal de cachaça do País. Dados do Anuário da Cachaça 2025, do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), mostram que Minas Gerais possui 501 estabelecimentos produtores registrados, o equivalente a 39,6% do total nacional.
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O levantamento também aponta que o Estado reúne 256 municípios com pelo menos um produtor registrado, o que corresponde a 30% das cidades mineiras. Além disso, cinco municípios mineiros aparecem entre as cidades brasileiras com dez ou mais estabelecimentos elaboradores da bebida.
Outro indicador evidencia a força da atividade em Minas, onde há um produtor para cada 42.560 habitantes, a maior proporção do País.
Pedido de reconhecimento nacional
A valorização da atividade em âmbito estadual ocorre paralelamente a uma articulação nacional do setor. De acordo com Maciel, a Anpac protocolou em 2025 um pedido junto ao Iphan para que a cachaça de alambique seja reconhecida como patrimônio histórico, cultural e imaterial brasileiro.
“Acredito que esse trabalho feito por Minas Gerais, promovendo esse reconhecimento, provavelmente, vai fortalecer bastante o trabalho que estamos fazendo em Brasília. Essa soma de esforços é que vai fazer o setor acabar se desenvolvendo melhor”, afirma.
Preservação e desenvolvimento
Para o secretário de Estado de Cultura e Turismo, Leônidas Oliveira, o avanço da produção deve estar associado à preservação dos conhecimentos tradicionais ligados aos alambiques.
“Defendemos e incentivamos profundamente os processos de legalização e qualificação da produção, porque eles são fundamentais para ampliar mercados, gerar segurança, fortalecer os produtores e preparar Minas Gerais para crescer também no cenário internacional. Mas tão importante quanto a legalização é a proteção da história desses lugares. Os alambiques tradicionais carregam memória, conhecimento, técnicas e modos de fazer transmitidos entre gerações”, afirma.
Os estudos conduzidos pelo Iepha-MG devem envolver levantamento técnico, pesquisa histórica, documentação audiovisual, escuta de produtores e articulação com municípios, universidades, instituições culturais e entidades representativas do setor.
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