Superintendentes da PF defendem direção em meio a embates do órgão com Mendonça
Os 27 superintendentes da Polícia Federal divulgaram uma nota pública, nesta quinta-feira (6), em que dizem confiar na direção do órgão, chefiado por Andrei Rodrigues, e no seu compromisso “com a defesa da Constituição, da democracia, da legalidade e do interesse público”.
A declaração ocorre em meio a embates da cúpula da polícia com o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça.
Nos bastidores, há acusações mútuas entre a PF e o tribunal de viés político nas conduções das operações Sem Desconto, que investiga as fraudes nos descontos no INSS, e a Compliance Zero, que mira o Banco Master.
Os superintendentes afirmam que acreditam na preservação de uma Polícia Federal “forte, técnica, independente e fiel à sua missão institucional” e que a sua atividade investigativa “não se submete a interesses políticos, ideológicos ou pessoais, mas ao estrito cumprimento da lei”.
“A credibilidade construída perante a sociedade brasileira decorre da atuação técnica e independente de seus servidores, orientada exclusivamente pelos fatos, pelas provas e pelos mecanismos de controle previstos no ordenamento jurídico”, escreveram.
Os superintendentes também afirmam que, ao longo de seus 82 anos de história, o órgão “consolidou-se como uma instituição de Estado comprometida com a Constituição da República, a legalidade, a imparcialidade e a defesa do Estado democrático de Direito”.
Eles acrescentaram que, para o adequado exercício de sua missão constitucional, “é indispensável a preservação da independência técnica das investigações e da autonomia administrativa necessária à gestão eficiente de seus recursos e prioridades institucionais”.
“Tais garantias existem em benefício da sociedade e da correta aplicação da lei, e o debate público e as críticas legítimas são próprios da democracia, mas não quando voltados ao enfraquecimento da credibilidade e da confiança que a sociedade deposita nas instituições republicanas”, finalizaram.
Há cerca de duas semanas, a Polícia Federal acionou a AGU (Advocacia-Geral da União) contra medidas impostas por Mendonça que aumentaram o seu controle dos casos.
Estão com o ministro dois inquéritos que envolvem Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula (PT).
Ele é investigado sob suspeita de tráfico de influência por suposta atuação em defesa de interesses de empresas em órgãos federais.
A PF queria que a AGU encontrasse algum argumento jurídico para rebater a determinação do ministro.
Mendonça decidiu que todos os atos da apuração sejam imediatamente juntados ao processo que tramita em seu gabinete.
Desse modo, essas informações não poderiam passar mais por outros departamentos da PF, como a Coordenação-Geral de Repressão à Corrupção, Crimes Financeiros e Lavagem de Dinheiro.
O ministro também determinou que qualquer afastamento de policiais da equipe de investigadores seja comunicado a ele e que a remessa de todas as extrações de dados seja enviada ao gabinete no meio das apurações, com a ferramenta de análise da PF.
Oficialmente, a AGU ainda não respondeu à PF se tomará alguma medida em relação ao pedido.
Conteúdo distribuído por Folhapress
Ouça a rádio de Minas