Transporte público no Brasil: discutir financiamento já não basta

Saiba como o Marco Legal do Transporte Público no Brasil busca melhorias e sustentabilidade para os sistemas de transporte coletivo
Ouvir a matéria 0:00 / 0:00
Transporte público no Brasil: discutir financiamento já não basta
Foto: Divulgação PBH

O debate sobre o futuro do transporte público no Brasil ganhou novo impulso, com a aprovação do Marco Legal do Transporte Público Coletivo pelo Congresso Nacional, em maio. O projeto, que agora aguarda sanção presidencial, busca atualizar as regras nacionais do setor, criar novos instrumentos de financiamento e reduzir a dependência quase exclusiva da tarifa paga pelo passageiro.

Sua tramitação reflete um entendimento cada vez mais amplo entre governos, especialistas e operadores: o modelo atual já não consegue sustentar os sistemas urbanos. Em um cenário de queda de passageiros, aumento dos custos de operação e pressão por serviços mais acessíveis, o transporte coletivo passa a ser tratado, corretamente, como serviço essencial para o funcionamento das cidades e para a inclusão social.

Mas existe um ponto que ainda recebe menos atenção do que deveria: além de discutir quem paga a conta, é fundamental discutir como tornar o sistema mais eficiente. Afinal, as cidades cresceram, na maioria das vezes, sem planejamento e os deslocamentos mudaram. Por isso, ampliar recursos sem modernizar a operação pode limitar o impacto positivo esperado pela população.

É aqui que entra a tecnologia embarcada no transporte público coletivo. Ferramentas como telemetria (monitoramento em tempo real), gestão de frota, análise de dados operacionais e bilhetagem digital com meios de pagamento avançados permitem que gestores e operadores do transporte tenham uma visão muito mais precisa do funcionamento da rede. Com isso, torna-se possível ajustar itinerários, identificar gargalos, melhorar a frequência das linhas de ônibus e metrô, oferecendo uma experiência melhor aos passageiros. Quando todo mundo chega na hora certa, a cidade funciona melhor.

Esse ponto é relevante porque o Brasil vem enfrentando uma perda gradual de passageiros no transporte coletivo. Uma pesquisa da Confederação Nacional do Transporte (CNT) mostrou que 63,5% dos ex-usuários afirmam que voltariam a utilizar o ônibus caso os problemas que motivaram a substituição de transporte fossem resolvidos, e eles vão além da tarifa. Como condição para o retorno, as pessoas apontaram maior conforto (19,8%), mais rapidez nas viagens (19%), flexibilidade de rotas (14,3%), pontualidade (12,8%) e maior segurança (8,7%).

A transformação digital já vem ajudando cidades brasileiras a operarem melhor seus sistemas. Em Florianópolis, por exemplo, o aplicativo Floripa no Ponto tem contribuído para a redução das filas e a melhora do fluxo de passageiros. A solução facilitou, por exemplo, o recadastramento dos estudantes beneficiários de desconto sem que eles precisassem sair de casa e ir até uma estação para resolver isso. Nos três primeiros meses, de 20% a 30% dos estudantes aderiram ao processo online; atualmente, esse número chega a 80%. Um futuro sustentável para a mobilidade urbana passa justamente por soluções que entregam tarifas mais acessíveis, comodidade ao usuário e eficiência operacional.

Marcos Maciel
Sobre o autor

Marcos Maciel

CEO da Empresa 1, centro de inovação em mobilidade urbana e pioneira da bilhetagem eletrônica no Brasil

Rádio Itatiaia

Ouça a rádio de Minas