Com investimento de R$ 5 milhões, Uberlândia inaugura primeiro posto de biometano de Minas Gerais
Pensando na diversificação dos negócios, a Gasgrid, empresa nascida em 2011 em Uberlândia, no Triângulo Mineiro, que tem como “carro-chefe” a infraestrutura, comercialização e otimização logística de gás e soluções energéticas sustentáveis, aposta em uma iniciativa que a torna pioneira em um mercado com alto potencial de retorno: o abastecimento de frotas com biometano.
“Neste ano, a Gasgrid buscou dar outra aplicação para o biometano, porque a melhor forma de uso do biometano é para substituir diesel, porque não só se reduzem emissões, mas também custos”, disse o CEO da empresa, Henrique Ceotto.
E o primeiro passo da empresa para incrementar sua atuação será dado na quinta-feira (20), quando deve inaugurar o primeiro posto de biometano de Minas Gerais, que será instalado no Distrito Industrial da cidade, próximo à BR-050. A primeira unidade recebeu R$ 5 milhões em investimentos, mas no futuro, a empresa prevê custos menores.
“No hub de Uberlândia foram R$ 5 milhões de investimentos. Os próximos serão mais baratos porque serão em parceria. A diferença é que, neste aqui, a operação é totalmente da Gasgrid: o pátio e toda a infraestrutura são próprios. Nos outros, a empresa fará através de parceria, então, de fato, focará apenas no abastecimento de gás. Assim, o investimento deve ser aproximadamente metade do que o realizado neste. E o investimento da planta de produção com os equipamentos de transferência de gás é aproximadamente R$ 85 milhões”, observa Ceotto.
Bio-Rota
O novo hub de abastecimento de gás natural e biometano terá uma importante rota consolidada para iniciar as operações: a bio-rota das rodovias BR-050 e SP-330, que levará essa alternativa energética a cidades do Triângulo Mineiro e do Sul de Goiás.
O empreendimento de Uberlândia será o primeiro de vários hubs que serão desenvolvidos nos próximos cinco anos no Centro-Oeste brasileiro, fortalecendo a infraestrutura para caminhões, ônibus e grandes frotas que buscam alternativas ao diesel.
“A empresa pretende instalar mais dois até o final do próximo ano e expandir. O plano prevê mais de dez hubs pelo interior do Brasil”, disse.
Custos menores
O gás natural e o biometano podem ser utilizados de forma intercambiável no abastecimento, em qualquer proporção, e já existem no mercado brasileiro diferentes modelos de caminhões e ônibus movidos a gás, inclusive com garantia de fábrica.
Além dos benefícios ambientais, a tecnologia apresenta potencial para reduzir os custos da logística. Em simulação da Gasgrid para um caminhão que percorre 600 quilômetros (km) por dia, utilizando 60% de biometano e 40% de gás natural, a estimativa é de redução de R$ 0,39 por quilômetro nos custos operacionais e de aproximadamente 176 toneladas de CO₂ evitadas por ano, por caminhão.
Assim, o negócio de biometano da empresa já nasceu com demanda antecipada, já que o cliente que a empresa quer atender já busca esse tipo de solução.
O posto, segundo Henrique Ceotto, deve abrir com cerca de vinte abastecimentos por dia, podendo chegar a até oitenta abastecimentos diários, o que poderá atender adequadamente os futuros clientes.
“Há uma série de transportadoras do Triângulo e de outros estados (que são clientes em potencial) que passam pelo Triângulo e estão buscando abastecimento. O crescimento do mercado de caminhões a gás está bastante acelerado no País. Ele tem dobrado desde 2020. E deve continuar acelerado, principalmente por causa da diferença de preço”, diz.
Pioneirismo
Outro fato que torna o empreendimento da Gasgrid um negócio com alto potencial de retorno é a inovação. O modelo de hub integrado, com biometano e gás natural, ainda não é algo usual no mercado brasileiro, o que pode dar vantagem competitiva à empresa.
“A Gasgrid ainda não conhece ninguém com seu modelo. Existem empresas que produzem o biometano, em geral revendem depois para distribuidoras que levam até o cliente final. Há outro exemplo semelhante, mas não igual: o caso da Logas, que é uma empresa do grupo JBS. Eles têm hubs, porém são ligados diretamente ao duto. Fora do duto, no jargão do setor, não há conhecimento de outra empresa que atue nesse formato”, conta o CEO.
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