Antes que a casa caia

País precisa fortalecer sua capacidade de reação diante de um cenário externo incerto, antes que novas turbulências cheguem
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Antes que a casa caia
Foto: Reuters/Ueslei Marcelino

Boas notícias chegam de Brasília, especificamente do Banco Central e na forma dos mais recentes relatórios sobre o comportamento da inflação. Ficamos sabendo assim que o índice oficial de inflação, o IPCA, teve variação de 0,07% em julho passado, a menor taxa para o período nos últimos quatro anos e só comparável à deflação de 0,68% em julho de 22. Isso significa também que com o resultado o índice acumulado no ano ficou em 3,44% e em 4,44% se anualizado. Melhor, indica que a inflação está abaixo do teto da meta, feito de relevância muitíssimo especial diante das turbulências e incertezas que dominam a economia global, evidentemente com repercussões locais igualmente indesejadas.

Mas um alívio que ainda não parece estar sendo percebido na sua precisa dimensão dentro do próprio Banco Central, ou do Comitê de Política Monetária (Copom), que na ata de sua última reunião afirma que os índices inflacionários continuam pressionados pela demanda, cenário que exigiria a manutenção dos juros em patamar elevado, adiantando que “a magnitude do ciclo dos juros será ajustada à luz da evolução do cenário”. Para observadores mais familiarizados com os bastidores do BC, tudo isso para informar que o ciclo de cortes na taxa básica de juros (Selic) pode estar bem próximo do fim.

Em síntese, e mais uma vez, nada que pareça fazer sentido, pelo menos não para quem observa a partir da perspectiva daquilo que de fato possa ser melhor para o País. Mais que mera teimosia, mais que excessiva fidelidade a dogmas que em outras latitudes foram revistos, faz tempo a ponto de a política monetária brasileira ter sido comparada – e nos Estados Unidos por um Prêmio Nobel – à explícita tentativa de suicídio, não seria fora de propósito o entendimento de que apenas prevalecem interesses que não são os do país. Não, definitivamente não, quando também vem do Banco Central o reconhecimento de “desaceleração disseminada dos indicadores de atividade entre o primeiro e o segundo trimestres”. Algo que na cartilha ortodoxa corresponde a um esfriamento da economia, ambiente adequado para reposicionamento dos juros.

Conclusão, para terminar, é que dispensa registro ou observações sobre as incertezas predominantes na economia externa, a quebra dos acordos que suportaram a ordem econômica nas últimas décadas e que sugerem precisamente o contrário. Quem ainda tem fôlego que trate de guardá-lo, de acumular gorduras para intempéries que ainda podem chegar. O que todos estão fazendo, mas ainda o oposto do que sugere e faz nosso Banco Central.

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