Trabalho temporário cresce em Minas e saldo de vagas quase dobra em 2026
O mercado de trabalho mineiro reteve mais trabalhadores temporários no primeiro semestre de 2026 do que no mesmo período do ano passado, conforme dados do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). De acordo com os números, a diferença entre admissões e desligamentos (saldo) passou de aproximadamente 1,5 mil em 2025 para 2,9 mil vagas em 2026, alta de 93,3%.
As contratações ficaram praticamente estáveis, foram 18.444 admissões no primeiro semestre de 2026 no Estado, contra 18.571 em 2025. A redução de 127 contratos, ou -0,68%, é pequena e indica que a demanda por trabalhadores temporários permaneceu praticamente estável.
O grande movimento ocorreu nos desligamentos que caíram de 17.054 nos primeiros seis meses de 2025, para 15.522 no mesmo período em 2026, uma redução de 1.532 demissões, ou cerca de -9%. Isso significa que, embora as empresas tenham contratado praticamente o mesmo número de temporários, uma parcela menor desses trabalhadores deixou os postos no período.
O trabalho temporário costuma responder a necessidades pontuais como aumento de produção, períodos de maior demanda, substituições ou projetos específicos. Se os desligamentos diminuíram, o sinal é de que as empresas podem estar prolongando contratos ou transformando uma necessidade inicialmente temporária em uma ocupação de maior duração, como explica a vice-presidente da Associação Comercial e Empresarial de Minas (ACMinas), Eliane Ramos.
De acordo com a lei brasileira, o contrato de trabalho temporário (regido pela Lei 6.019/1974 e pelo Decreto 10.060/2019) tem o prazo máximo de 180 dias, que pode ser prorrogado por mais 90 dias, podendo durar, no total, até 270 dias (ou cerca de 9 meses). “Aproveitar essa mão de obra temporária no teto máximo legal em vez de dispensá-los, custa menos do que você contratar do zero a cada ciclo”, observa.
Ela lembra ainda que o fato de 2026 ser um ano eleitoral, o prolongamento dos contratos temporários também pode ser uma consequência de uma postura mais cautelosa por parte dos empresários. “É um ano mais instável e eles podem estar fazendo isso até terem mais clareza sobre os rumos econômicos e políticos do próximo governo”, complementa.
Outro ponto que a vice-presidente da ACMinas destaca é a questão dos recordes de endividamento. O cenário de muitas famílias com restrição de crédito, leva o trabalhador a reduzir a rotatividade e buscar a estabilidade. “Trocar de emprego no cenário em que ele está endividado é pior. Ele prefere uma segurança de renda aceitando a renovação do temporário ao risco de um emprego mais flexível ou autônomo”, avalia.

Para o economista da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, Administrativas e Contábeis de Minas Gerais da Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade Federal de Minas Gerais (Fundação Ipead/UFMG), Paulo Casaca, o mercado de trabalho está evoluindo e avançando de forma consistente desde a pandemia. Dessa forma, com a população ocupada, a realocação fica cada vez mais difícil por parte das empresas, gerando, na visão dele, a necessidade de ampliação das possibilidades de contratação.
Conforme o especialista, por encontrarem mais dificuldade em contratar bons profissionais do que há alguns anos, as empresas acabam se tornando mais flexíveis. “O cenário de quase pleno emprego e a redução da informalidade mostra isso, mas não necessariamente que eles estão ocupando empregos formais. Hoje, as pessoas buscam contratos menos engessados e mais diversificação na composição da renda, atendendo mais as vontades próprias e as suas necessidades. Eles escolhem ter duas atividades, ou dois empregos de jornada parcial, ou um de jornada parcial e um serviço autônomo numa segunda atividade, em busca de mais liberdade ou complemento de renda”, analisa.
Tendência segue em todo o Brasil
Ainda de acordo com os números do Novo Caged, as contratações temporárias no Brasil cresceram 4,9% no primeiro semestre. De acordo com os dados, o mercado desse tipo de trabalho registrou aproximadamente 537,2 mil admissões entre janeiro e junho de 2026, ante as mais de 512 mil contratações temporárias no mesmo período em 2025.
O avanço também aparece no saldo entre admissões e desligamentos. Nos primeiros seis meses de 2026, foram 507,1 mil desligamentos, resultando em um saldo positivo de pouco mais de 30 mil postos temporários. No mesmo período de 2025, o saldo havia sido cerca de 6,3 mil, com 506 mil desligamentos. Assim, o saldo registrado em 2026 foi cerca de 4,8 vezes maior que o observado no ano anterior.
Ouça a rádio de Minas