Case desenvolve em Minas primeira pá carregadeira movida a etanol do mundo

Protótipo está em fase de testes, com expectativa de início da produção em 2029; máquina visa atender ao setor sucroenergético
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Case desenvolve em Minas primeira pá carregadeira movida a etanol do mundo
Testes da pá carregadeira movida a etanol | Foto: Divulgação/Case

A Case Construction Equipment desenvolveu em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), um conceito inédito de pá carregadeira. A marca da CNH Industrial criou um protótipo da máquina movida a etanol.

“É a primeira pá carregadeira a etanol do mundo”, afirmou o gerente de marketing de produto da CNH, Anderson do Nascimento, durante apresentação na terça-feira (18) no Case Experiente 2026, evento realizado pela Case em Sarzedo, também na RMBH.

Batizada de 721E a etanol, a pá carregadeira visa atender ao setor sucroenergético, que já produz etanol. Há potencial para reduzir a dependência dos clientes por diesel, que representa entre 20% e 30% dos custos operacionais das usinas, além de contribuir para a redução das emissões de gases de efeito estufa (GEE) nas operações.

A máquina foi adaptada para aplicações com materiais de baixa densidade, dispondo de caçamba de maior capacidade (seis metros cúbicos) e pneus adequados para favorecer tração e estabilidade em superfícies irregulares e com acúmulo de material leve.

A ideia inicial da Case é que a pá carregadeira seja usada por usinas de cana-de-açúcar, movimentando o bagaço da cana. No entanto, a marca também vislumbra oportunidades de utilização em usinas de etanol de milho, com a movimentação dos resíduos da produção.

“No Brasil, estamos trabalhando com etanol de milho muito na região Centro-Oeste. Têm surgido muitas usinas ali e, na primeira apresentação [do protótipo] que fizemos na Agrishow [em abril], tivemos uma atratividade imensa por esse tipo de produto. Acreditamos que teremos uma escala favorável com eles”, disse Nascimento à reportagem.

A pá carregadeira movida a etanol, segundo o gerente, no primeiro momento, tem como foco o mercado brasileiro. Porém, a máquina também possui aderência com outros países, por exemplo, os Estados Unidos, que produzem etanol de milho.

Pá carregadeira CASE 721E laranja e preta descarrega bagaço de cana em usina, criando uma nuvem de poeira dourada. A máquina está inclinada em uma pilha de material fofo e seco. O braço do carregador está levantado e a caçamba despeja o bagaço sobre a pilha. Ao fundo, estruturas industriais complexas de metal, incluindo transportadores de correia e um ciclone, operam sob um céu azul. O solo é cuberto de bagaço de cana triturado. O operador é visível na cabine de vidro.
Protótipo exposto no Case Experience 2026 | Foto: Diário do Comércio/Thyago Henrique

Protótipo está em fase de testes, com expectativa de início da produção em 2029

A 721E a etanol foi desenvolvida a partir da plataforma da 721E, pá carregadeira da Case movida a diesel. De acordo com Nascimento, a marca fez a adaptação do motor para o ciclo Otto, o desenvolvimento de todas as tubulações e componentes agregados para trabalhar com o etanol e iniciou os testes internos do protótipo.

Posteriormente, começou a testar o conceito em uma usina de açúcar e álcool em Valparaíso (São Paulo). Na operação, a Usina da Mata, a Case validou a proposta da máquina, observando resultados promissores.

Neste momento, o protótipo está no campo de provas da marca em Sarzedo para conclusão de testes, mais focados na engenharia do produto. Após essa etapa, prevista para ser finalizada o mais breve possível, o projeto seguirá para o desenvolvimento propriamente dito, fase estimada para ocorrer entre um ano e meio e dois anos.

A expectativa da Case é que a pá carregadeira movida a etanol comece a ser produzida em 2029. Segundo o gerente, a fábrica de Contagem será responsável pela produção.

Uma pá carregadeira CASE 721E de cor laranja brilhante trabalhando ao pôr do sol em uma plantação de cana-de-açúcar. A máquina está levantando uma grande quantidade de material orgânico escuro, como esterco ou restos de plantação, com sua caçamba dianteira. Poeira dourada é levantada pela atividade. Ao fundo, vê-se uma usina industrial com chaminés e estruturas, além de colinas verdes com plantações sob um céu claro com nuvens leves.
Foto: Divulgação/Case

Sobre o autor

Thyago Henrique

Repórter do Diário do Comércio desde 2022. Jornalista pela Una, eleito entre os 100 mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças (2024) e 3º lugar no Prêmio Riquezas dos Vales (2025)

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