Case desenvolve em Minas primeira pá carregadeira movida a etanol do mundo
A Case Construction Equipment desenvolveu em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), um conceito inédito de pá carregadeira. A marca da CNH Industrial criou um protótipo da máquina movida a etanol.
“É a primeira pá carregadeira a etanol do mundo”, afirmou o gerente de marketing de produto da CNH, Anderson do Nascimento, durante apresentação na terça-feira (18) no Case Experiente 2026, evento realizado pela Case em Sarzedo, também na RMBH.
Batizada de 721E a etanol, a pá carregadeira visa atender ao setor sucroenergético, que já produz etanol. Há potencial para reduzir a dependência dos clientes por diesel, que representa entre 20% e 30% dos custos operacionais das usinas, além de contribuir para a redução das emissões de gases de efeito estufa (GEE) nas operações.
A máquina foi adaptada para aplicações com materiais de baixa densidade, dispondo de caçamba de maior capacidade (seis metros cúbicos) e pneus adequados para favorecer tração e estabilidade em superfícies irregulares e com acúmulo de material leve.
A ideia inicial da Case é que a pá carregadeira seja usada por usinas de cana-de-açúcar, movimentando o bagaço da cana. No entanto, a marca também vislumbra oportunidades de utilização em usinas de etanol de milho, com a movimentação dos resíduos da produção.
“No Brasil, estamos trabalhando com etanol de milho muito na região Centro-Oeste. Têm surgido muitas usinas ali e, na primeira apresentação [do protótipo] que fizemos na Agrishow [em abril], tivemos uma atratividade imensa por esse tipo de produto. Acreditamos que teremos uma escala favorável com eles”, disse Nascimento à reportagem.
A pá carregadeira movida a etanol, segundo o gerente, no primeiro momento, tem como foco o mercado brasileiro. Porém, a máquina também possui aderência com outros países, por exemplo, os Estados Unidos, que produzem etanol de milho.
Protótipo está em fase de testes, com expectativa de início da produção em 2029
A 721E a etanol foi desenvolvida a partir da plataforma da 721E, pá carregadeira da Case movida a diesel. De acordo com Nascimento, a marca fez a adaptação do motor para o ciclo Otto, o desenvolvimento de todas as tubulações e componentes agregados para trabalhar com o etanol e iniciou os testes internos do protótipo.
Posteriormente, começou a testar o conceito em uma usina de açúcar e álcool em Valparaíso (São Paulo). Na operação, a Usina da Mata, a Case validou a proposta da máquina, observando resultados promissores.
Neste momento, o protótipo está no campo de provas da marca em Sarzedo para conclusão de testes, mais focados na engenharia do produto. Após essa etapa, prevista para ser finalizada o mais breve possível, o projeto seguirá para o desenvolvimento propriamente dito, fase estimada para ocorrer entre um ano e meio e dois anos.
A expectativa da Case é que a pá carregadeira movida a etanol comece a ser produzida em 2029. Segundo o gerente, a fábrica de Contagem será responsável pela produção.
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