Confiança do industrial mineiro tem leve alta em agosto, mas segue abaixo de 50 pontos pelo 21º mês
O Índice de Confiança do Empresário Industrial de Minas Gerais (Icei-MG), “termômetro” que mede a confiança e o “humor” do empresário da indústria mineira, teve leve aumento no mês de agosto, marcando 45,7 pontos, um avanço de 0,2 ponto frente a julho (45,5 pontos). Apesar da melhora, o indicador permaneceu abaixo de 50 pontos pelo 21º mês consecutivo, evidenciando a falta de otimismo entre os industriais mineiros.
E com 2026 tendo apenas mais quatro meses completos pela frente, a tendência é que dificilmente este ano haverá reversão no quadro. O cenário econômico pré e pós-eleições será um dos principais pontos para não haver mudanças da confiança do industrial do Estado.
“As expectativas para os próximos seis meses ficaram relativamente estáveis de julho para agosto. Elas estavam em 48 pontos em julho e foram para 47,9 pontos em agosto. Ou seja, o índice permaneceu abaixo dos 50 pontos já pelo sétimo mês consecutivo e isso mostra que ainda há uma visão pessimista em relação ao desempenho futuro da economia”, explica a economista da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), Daniela Muniz.
“Para que haja uma recuperação realmente mais sustentada, vai depender de melhores condições financeiras. É preciso uma continuidade também da desaceleração da inflação, redução gradual dos juros e ser acompanhada também de uma atividade mais dinâmica e, principalmente, redução de incerteza, que afeta demais a confiança dos empresários”, completa.
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Juros altos e incertezas freiam confiança
O que a economista quer dizer sobre melhorias financeiras é uma reclamação recorrente do setor industrial: a alta taxa de juros, que mesmo com reduções recentes, segue gerando incômodo e desconfiança no horizonte de que haja boas condições para produzir e comercializar produtos manufaturados.
“Embora haja esse processo de flexibilização da política monetária, que avançou nos últimos meses (taxa de 14% ao ano após queda de 0,75% nos últimos meses), os efeitos que se observam sobre o custo do crédito, e mesmo sobre a decisão de investimento, tendem a ocorrer de forma gradual. Então, há um ambiente econômico que, apesar de apresentar alguns sinais de melhora, ainda tem muitos desafios da atividade empresarial”, ressalta a economista da Fiemg, que destaca outro ponto para manter o segmento com o “pé atrás”: inflação.
“Percebe-se que a inflação vem apresentando uma certa desaceleração, caindo para 4,44% em julho, mas ainda permanece acima da meta estabelecida pelo Banco Central. Então, a tendência é que o processo de redução da taxa básica da Selic, mesmo que haja alguma redução nos próximos meses, seja uma redução pequena. Provavelmente, a Selic vai permanecer em patamar elevado, mantendo essas condições financeiras restritivas, e o custo do crédito muito alto ainda para as empresas e para os consumidores”, comenta a economista.
Confiança melhora, mas nem tanto
Na comparação com agosto de 2025, quando o índice de confiança registrou 43,9 pontos, houve elevação de 1,8 ponto. Ainda assim, o indicador ficou 6,3 pontos abaixo de sua média histórica, de 52,0 pontos, sinalizando que a confiança segue inferior ao padrão observado na série.
No Brasil, o Icei passou de 44,4 pontos em julho para 46,3 pontos em agosto, aumento de 1,9 ponto. O indicador nacional permaneceu em terreno de falta de confiança pelo 20º mês consecutivo. A leve melhora do índice em agosto ocorreu em um ambiente econômico que apresenta alguns sinais favoráveis, mas ainda impõe restrições à atividade empresarial.
Cenário externo e expectativas do industrial mineiro
No ambiente externo, as novas medidas tarifárias dos Estados Unidos já afetam parte das exportações brasileiras e têm reduzido o comércio bilateral, aumentando os riscos para segmentos exportadores e para as decisões de produção e investimento.
Esse item afetou o índice de condições atuais, crescendo 0,9 ponto entre julho (40,5 pontos) e agosto (41,4 pontos). O desempenho do indicador revela que os empresários continuam avaliando de forma desfavorável o ambiente econômico e a situação de seus próprios negócios, embora essa percepção negativa tenha perdido intensidade. Em relação a agosto de 2025 (40,7 pontos), o índice avançou 0,7 ponto.
O componente de expectativas apresentou relativa estabilidade de julho (48,0 pontos) para agosto (47,9 pontos). O indicador permaneceu abaixo dos 50 pontos pelo sétimo mês consecutivo, evidenciando que ainda prevalece uma visão pessimista dos industriais quanto ao comportamento da economia nos próximos seis meses. Na comparação com agosto de 2025 (45,5 pontos), o índice cresceu 2,4 pontos.
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