Empreendedora mineira transforma necessidade do público trans em oportunidade de negócio

Laysla Soares transforma necessidade do público trans em negócio de sucesso, impulsionado pela Shopee, e planeja expansão e novas contratações
Ouvir a matéria 0:00 / 0:00
Empreendedora mineira transforma necessidade do público trans em oportunidade de negócio
Foto: Divulgação Sopee

A empreendedora mineira Laysla Soares, de 32 anos, foi uma das finalistas do Prêmio Mulheres do Ano 2026, realizado pela Shopee, em parceria com a Rede Mulher Empreendedora (RME). Ela transformou uma necessidade pessoal e de suas amigas trans em um negócio especializado em moda íntima para este público e já projeta ampliação na produção.

Natural de Patos de Minas, no Alto Paranaíba, Laysla Soares desenvolveu peças com compressão adequada e forro de algodão respirável, que dispensam o uso de fitas e podem ajudar a evitar problemas de saúde associados a métodos improvisados. A iniciativa que tinha o objetivo de atender a uma necessidade própria e de uma amiga acabou conquistando um público ainda maior por meio do boca a boca.

Em entrevista ao Diário do Comércio durante o Shopee Trends, realizado em São Paulo (SP) nessa terça-feira (18), a empresária destacou que, devido ao público limitado na cidade, ela acabou expandindo sua atuação para a plataforma de e-commerce em 2022. Dois anos depois, as vendas alavancaram, atingindo 250 pedidos mensais e atendendo cerca de 5 mil clientes em todo o Brasil.

“Eu tive visibilidade para levar meus produtos para quem precisa e para todo o País”, afirmou a empresária.

Ela explicou que o diferencial de suas calcinhas está na modelagem, com fundo mais largo para adequar os órgãos genitais de forma que ofereça maior discrição sem a necessidade do uso de fita adesiva ou outras camadas de calcinhas. De acordo com a vendedora, o principal objetivo é oferecer mais saúde para as clientes.

“As fitas podem causar dermatite e problemas de infecção urinária. Já a nossa calcinha trouxe uma inovação e atendeu essa demanda que antes não tinha, por não ser um produto convencional”, completou.

Crescimento da demanda

Loja Laysla Soares na Shopee.
Foto: Reprodução Site da Shopee

Quanto à questão envolvendo a capacidade produtiva, Laysla Soares garantiu que a estrutura atual é capaz de atender a demanda pelas calcinhas. Ela pontuou que já possui muitas peças prontas em estoque. No entanto, a empresária acrescentou que também planeja ampliar o mix de produtos, incluindo outros modelos e novas coleções.

A demanda por esse tipo de objeto, segundo ela, vem crescendo, o que exige o aumento na produção. A empreendedora mineira relatou que, com apoio da Shopee, o orçamento da empresa também vem evoluindo e os recursos estão sendo injetados no crescimento do negócio.

Laysla Soares destacou ainda que o negócio é muito querido pelo público trans, devido ao fato de ela também fazer parte desse grupo. Isso facilita a criação de consumidoras fiéis à marca que estão sempre torcendo pelo sucesso do negócio.

“Nós queremos retribuir esse carinho oferecendo uma grade de serviços a mais, lançando mais modelos e atendendo mais clientes em todo o Brasil. Queremos expandir a marca para ajudar a comunidade a ter mais conforto com essas peças íntimas inclusivas”, declarou.

Atualmente, ela não conta com uma equipe de funcionários, o processo de produção das peças envolve apenas a empresária e seu esposo. No entanto, devido à projeção de ascensão do negócio, a empreendedora afirmou que planeja contratar novos colaboradores futuramente.

Já sobre as barreiras que uma empreendedora trans enfrenta no mercado, Laysla Soares relatou que questões envolvendo, por exemplo, o preconceito têm sido superadas por esse público. Ela destacou que Minas Gerais já apresenta uma taxa positiva de empregabilidade de trabalhadores LGBTQIA+, mas também pontuou que ainda tem muito a evoluir nesse quesito.

Antes de iniciar sua jornada empreendedora, ela já trabalhou em uma loja de uniformes, atuou como arrematadeira, mototáxi, repositora e auxiliar de limpeza. A empresária avaliou que é possível conquistar alguns avanços aos poucos. “O conselho que eu dou para as outras empreendedoras trans é que busquem um grupo de apoio e cuidem de sua saúde mental, que também é muito importante”, acrescentou.

Jornada empreendedora

O início da jornada empreendedora começou quando ela ainda atuava como auxiliar de costureira. No início, Laysla Soares foi adquirindo máquinas aos poucos e aprendendo a costurar em casa, até receber de uma amiga o pedido para desenvolver uma calcinha que oferecesse mais conforto e segurança.

Ao perceber que havia um público com necessidades específicas e poucas opções disponíveis no mercado, deixou o emprego CLT para empreender. Ela já reinvestiu no negócio com a compra de novos maquinários, enquanto recebe relatos de clientes que destacam o conforto e a autoestima proporcionados pelas peças.

Para a empresária, o negócio também é uma forma de servir e abrir caminhos para outras pessoas da comunidade LGBTQIA+, mostrando que é possível começar aos poucos e conquistar seu espaço com persistência, coragem e motivação.

Sobre o autor

Leonardo Leão

Repórter do Diário do Comércio desde 2022. Graduado em Jornalismo pela Estácio.

Rádio Itatiaia

Ouça a rádio de Minas