Setor aéreo cresce 9,7% em Minas nas férias de julho, mas fica abaixo de 2025

Recuperação mensal foi puxada por Confins e polos regionais como Goianá e Uberlândia; juros altos e crédito restrito ainda limitam expansão por todo o Estado
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Setor aéreo cresce 9,7% em Minas nas férias de julho, mas fica abaixo de 2025
Com a alta temporada de julho, os aeroportos mineiros receberam 1,2 milhão de passageiros | Foto: Divulgação Nitro Imagens

O fluxo de passageiros nos aeroportos de Minas Gerais avançou 9,7% com a alta temporada de julho, somando 1,2 milhão de passageiros, 106,9 mil a mais que no mês anterior. O avanço foi impulsionado pelo crescimento nos terminais de Confins, Uberlândia e Goianá, que chegaram a superar 25%.

O reaquecimento, no entanto, não foi suficiente para superar o patamar do mesmo período do ano anterior (1,24 milhão), registrando índice 2,5% inferior. Os dados constam em relatório divulgado pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

Entre os terminais mineiros, o principal destaque ficou com o Aeroporto Regional da Zona da Mata, em Goianá, que registrou salto de 25,7% na movimentação mensal, passando de 14,6 mil passageiros em junho para 18,4 mil em julho. Em termos absolutos no interior, a liderança foi de Uberlândia, no Triângulo Mineiro, que cresceu 21,5% no período, um incremento de quase 20 mil usuários, alcançando a marca de 112,6 mil embarques.

Já a principal porta de entrada do Estado, o Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, em Confins, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), respondeu pela maior parte do volume adicional gerado pelas férias de julho. O terminal voltou a superar a marca de 1 milhão de passageiros no mês (1.034.759), um avanço de 8,6% na comparação com junho, concentrando 85,5% de todo o fluxo da aviação comercial em Minas Gerais.

A expansão sazonal também se repetiu em outros polos regionais, embora em ritmo moderado. Os terminas de Uberaba, Governador Valadares apresentaram aumento de 10,5% e 7,1% respectivamente no fluxo de passageiros. Montes Claros, no Norte de Minas, cresceu 4,3% no mesmo período comparativo.

O economista e conselheiro de política econômica da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Stefan D’Amato, explica que a movimentação dos aeroportos mineiros em julho precisa ser analisada a partir de três componentes principais: sazonalidade, condições econômicas da demanda e oferta de transporte aéreo. “As férias escolares naturalmente ampliam as viagens de lazer e ajudam a explicar a recuperação. No entanto, quando comparamos ao mesmo mês do ano passado, encontramos um comportamento heterogêneo entre os aeroportos, indicando que as férias, sozinhas, não explicam o resultado”, argumenta.

O desempenho do aeroporto em Confins, segundo ele, embora tenha apresentado uma recuperação importante na comparação mensal, permaneceu abaixo do nível observado em julho do ano passado. Isso significa que o crescimento expressivo de alguns aeroportos do interior não foi suficiente para compensar integralmente o desempenho do principal terminal mineiro.

Por outro lado, Uberlândia apresenta uma dinâmica de destaque que reflete sinais de maior dinamismo econômico na região, sustentado por atividades de serviços, agronegócio, comércio e geração de empregos. “Nesse caso, há indícios de uma combinação entre economia regional relativamente aquecida, maior oferta de voos e efeito sazonal das férias, o que ajuda a explicar por que o aeroporto apresenta crescimento não apenas frente a junho, mas também em relação ao ano passado”, acrescenta D’Amato.

Ambiente macroeconômico dita o ritmo da recuperação

O cenário macroeconômico observado ao longo do ano também ajuda a explicar por que a recuperação não ocorre de maneira uniforme. O ambiente de juros elevados, crédito mais restritivo e maior comprometimento da renda com o serviço das dívidas reduzem a renda disponível para determinadas despesas, entre elas as viagens.

“Nas empresas, uma atividade econômica crescendo em ritmo mais moderado também pode produzir maior racionalização das viagens corporativas”, salienta o economista.

Por outro lado, D’Amato salienta a importância de não olhar apenas para os fatores restritivos. Segundo ele, o mercado de trabalho ainda relativamente aquecido e a sustentação da renda funcionam como um contraponto aos juros e ao endividamento, ajudando a preservar parte da demanda das famílias.

Esse cenário mostra que, mesmo em um ambiente financeiro restritivo, existe uma resposta significativa da movimentação aérea durante períodos de maior demanda, como as férias. “Julho mostra uma recuperação sazonal importante no Estado, mas o resultado ainda não é homogêneo em relação a 2025. O cenário reflete um impulso das férias sobre uma demanda que segue limitada pelo quadro macroeconômico, marcada por fortes diferenças regionais”, finaliza o economista.

Sobre o autor

Leonardo Morais

Repórter de economia e negócios do Diário do Comércio, com experiência em jornalismo digital e produção multimídia. Graduado pela PUC Minas, foi premiado com o 2º lugar no Prêmio Sebrae de Jornalismo, Fotojornalismo (2024). LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/leomoraisj/

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