Alimentos, energia e viagens elevam a inflação de maio em BH, diz Ipead
A inflação em Belo Horizonte acelerou no mês de maio. De acordo com a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, Administrativas e Contábeis de Minas Gerais (Ipead), o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA-BH) da capital mineira subiu 0,28%. Alimentos, energia e viagens puxaram o resultado para cima.
Segundo a Fundação, esse resultado representa aceleração em relação à quadrissemana anterior (0,15%) e estabilidade em comparação a abril (0,28%). No acumulado dos últimos 12 meses, o IPCA-BH cresceu 3,66%.
Já o Índice de Preços ao Consumidor Restrito (IPCR-BH) de Belo Horizonte indicou um aumento no consumo das famílias com renda de até cinco salários mínimos de 0,36% em maio, valor mais alto em relação à quadrissemana anterior (0,23%), mas com desaceleração em relação a abril (0,46%). No acumulado dos últimos 12 meses, o IPCR-BH cresceu 3,50%.
Campeões de alta e surpresa
Um dos principais motivos para o incremento da inflação em BH é o alto custo dos alimentos. Os preços do grupo alimentação subiram 0,69% em maio. Vegetais (frutas, legumes e verduras), com alta de 2,87%, e produtos industrializados, com alta de 1,07%, puxaram os preços para cima, gerando impacto de 0,11 ponto percentual (p.p.) no índice geral.
Outras contribuições para a alta da inflação foram as viagens e as tarifas de energia, com altas de 4,66% e 2,55%, respectivamente. O impacto no índice inflacionário foi de 0,12 p.p. das viagens e 0,08 p.p. da energia.
Surpreendentemente, os combustíveis (gasolina e etanol) tiveram efeito negativo no índice final da inflação de maio, de -0,28 p.p. e -0,03 p.p., respectivamente. Os dois itens, tão presentes na vida das pessoas, tiveram queda de 14,28% e 7,28%, respectivamente.
O gerente de pesquisas do Ipead, Eduardo Antunes, afirma que o resultado da inflação, com aceleração no período, não surpreende, pois há uma pressão natural dos alimentos sobre os preços nesta época do ano.
“Dadas as características desse momento que vivemos, a inflação está em um patamar razoável, principalmente quando olhamos para os últimos 12 meses, que ainda está abaixo de 4%, em 3,66%. Os alimentos pressionaram bastante a inflação no mês de maio, mas outros fatores podem ser considerados: estamos entrando em um período de algumas festas juninas, alguns eventos que estão para acontecer, como a Copa do Mundo, e também as eleições majoritárias no Brasil, que também podem causar algum distúrbio na alta dos preços”, destaca Eduardo.
Beber e comer fora mais em conta
Outra situação que agradou aos moradores de Belo Horizonte foi a queda de preços nos grupos de bebidas e alimentação fora do lar. Eduardo Antunes afirma que não se trata de uma retração de consumo, com as pessoas evitando gastos com alimentação fora de casa, mas sim de um movimento natural do setor.
“É um movimento próprio. Sempre há essa pequena variabilidade entre os itens, mas normalmente o preço sobe mesmo. Em poucos períodos vemos alguma retração mais significativa com relação a bebidas em bares e restaurantes ou a refeições fora de casa. Normalmente, esses itens sempre pressionam a inflação para cima. No caso de bebidas em bares, houve uma pequena retração de quase 1%, mas isso não deve perdurar muito por causa da Copa do Mundo, que deve pressionar bastante o preço dos produtos”, comenta Antunes.
Cesta básica sobe e consome quase 50% do mínimo
O custo da cesta básica subiu 3,77% em maio de 2026 em Belo Horizonte, segundo a Ipead. Com isso, o valor da cesta atingiu R$ 796,58, o que representou 49,14% do salário mínimo na capital mineira. No mesmo período de 2025, essa proporção era de 49,78%, e a cesta estava R$ 40,90 mais barata do que atualmente. Ou seja, embora o valor nominal da cesta tenha aumentado, ela passou a representar uma parcela ligeiramente menor do salário mínimo.
“A cesta básica, por ser uma cesta de produtos bem restrita, fica muito suscetível a variações elevadas de alguns itens. Vimos essa variação acontecer com a batata-inglesa, que subiu mais de 41%, e o feijão-carioquinha, com alta acima de 21%. Esses foram os dois principais vilões da cesta básica. Por ser uma cesta só de alimentação, essa variação é bem mais elevada do que no caso da inflação geral”, explica o gerente de pesquisas do Ipead, Eduardo Antunes.
“A população tem que ficar atenta e procurar produtos mais baratos para tentar compensar um pouco essas altas. Por se tratar de produtos que dependem de safra, principalmente a batata e o feijão, os valores podem ser revertidos no médio e longo prazo. Mas neste momento, infelizmente, esses produtos apresentam uma alta substancial que acaba impactando de forma muito negativa o bolso da população”, completa.
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