Economia

Gás, energia elétrica e alimentos elevam prévia da inflação em Belo Horizonte em maio

Índice oficial, que sairá no dia 12 de junho, deverá ficar no mesmo patamar da prévia indicada pelo INGE
Gás, energia elétrica e alimentos elevam prévia da inflação em Belo Horizonte em maio
Crédito: Marcello Casal / Agência Brasil

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou a prévia da inflação de maio com resultado de alta. Segundo a instituição, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) apresentou um aumento de 0,54% na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH).

O índice para a RMBH foi o terceiro menor resultado mensal entre as 11 áreas pesquisadas. No país, a variação mensal correspondeu a 0,62%. Já a variação acumulada em 12 meses foi de 4,28% na RMBH, o quarto menor resultado entre as áreas de abrangência da pesquisa, e de 4,64% no Brasil.

Assim como em abril, os principais grupos que puxaram os preços para cima foram os de alimentação e bebidas (1,52%), saúde e cuidados pessoais (1,07%) e habitação (1,02%). Despesas pessoais (0,76%), artigos de residência (0,58%), vestuário (0,48%) e comunicação (0,07%) também sofreram altas. Somente dois grupos registraram queda: transportes (-1,13%) e educação (-0,07%).

O leite longa vida, do grupo de alimentação e bebidas, o gás de cozinha e a energia elétrica, do grupo de habitação, foram os itens com maior impacto no índice, segundo o IBGE. O leite teve aumento médio de 9,07% e impacto de 0,09 ponto percentual (p.p.) no índice. O gás de cozinha subiu 4,15%. A energia elétrica, com bandeira tarifária amarela, teve alta de 0,97%. O impacto desses dois itens na prévia inflacionária foi de 0,05 p.p. e 0,04 p.p., respectivamente.

Para o professor de economia do Centro Universitário Arnaldo, de BH, Alexandre Miserani, a prévia da inflação trouxe um par de surpresas: uma boa e outra nem tão positiva assim.

“Temos que destacar que em maio a prévia da inflação fechou em 0,54%, abaixo do índice nacional, que foi 0,62%. Então isso é meritório e a gente não pode tirar isso, apesar do acumulado nos 12 meses ser 4,64% e estar além da expectativa do fechamento da inflação em 2026”, disse.

“A surpresa maior veio do item alimentação, que realmente foi além da expectativa. Mas também é preciso ponderar que nesse item há uma parte que é a sazonalidade dos alimentos. Então, efetivamente, por conta da sazonalidade, você pode ter essa inflação. Não podemos deixar de destacar, por exemplo, problemas climáticos que ocorreram nos hortifrútis, o que acabou afetando a inflação para cima”, ponderou.

Bandeira vermelha, gás e remédios

A energia elétrica residencial, que avançou 2,16%, deve se consolidar como vilã nos próximos meses, já que houve um reajuste na tarifa da Cemig que vai impactar as contas domésticas. Com um inverno mais rigoroso se aproximando, o valor das tarifas pode ter a bandeira vermelha como base tarifária.

Entretanto, um dos maiores vilões inflacionários da prévia de maio ficou por conta do reajuste dos remédios. No grupo de saúde e cuidados pessoais, houve alta de 1,05% no Brasil, devido à autorização de reajuste de 3,81% no preço dos medicamentos, vigente desde o primeiro de abril. Esse aumento, liberado em abril, está sendo sentido agora pelas famílias.

O aumento do botijão de gás tem reflexo direto das tensões internacionais. “Isso pode ter ligação direta com a guerra entre Ucrânia e Rússia, que afeta o preço do gás globalmente, já que a Rússia é uma grande produtora. Conflitos no Oriente Médio também podem contribuir com a pressão nos preços”, comenta o professor Alexandre Miserani, do Centro Universitário Arnaldo.

Em relação ao gás, há outro aspecto a considerar, segundo o professor Alexandre: a lei federal do vale-gás. “Ela tem dois lados: por um lado, mais famílias passaram a consumir gás, aumentando a demanda enquanto a oferta permanece estática, o que pressiona o preço para cima. Por outro lado, o preço internacional do gás também exerce influência. São exatamente essas questões que impactaram o maior índice do preço do gás”, explica.

Próximos meses

Quanto às perspectivas para o segundo semestre, o professor de economia do Centro Universitário Arnaldo, de BH, Alexandre Miserani, indica que há duas visões a considerar: uma focada no cenário internacional e outra no contexto interno, com as eleições pelo caminho.

“Ainda persistem muitas incertezas externas: aumento da inflação nos Estados Unidos, instabilidade do governo Trump, guerra no Oriente Médio e continuidade do conflito entre Rússia e Ucrânia. O ambiente externo não está propício. Já no Brasil, estamos em ano eleitoral. À medida que a eleição se aproxima, tende a haver um impacto inflacionário menor, porque tanto o governo federal quanto a oposição têm interesse em demonstrar resultados para o eleitorado. O objetivo comum é mostrar alguma possibilidade de redução do custo de vida para o trabalhador, especialmente aquela inflação percebida no dia a dia, como no supermercado”, conclui.

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