Gás, energia elétrica e alimentos elevam prévia da inflação em Belo Horizonte em maio
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou a prévia da inflação de maio com resultado de alta. Segundo a instituição, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) apresentou um aumento de 0,54% na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH).
O índice para a RMBH foi o terceiro menor resultado mensal entre as 11 áreas pesquisadas. No país, a variação mensal correspondeu a 0,62%. Já a variação acumulada em 12 meses foi de 4,28% na RMBH, o quarto menor resultado entre as áreas de abrangência da pesquisa, e de 4,64% no Brasil.
Assim como em abril, os principais grupos que puxaram os preços para cima foram os de alimentação e bebidas (1,52%), saúde e cuidados pessoais (1,07%) e habitação (1,02%). Despesas pessoais (0,76%), artigos de residência (0,58%), vestuário (0,48%) e comunicação (0,07%) também sofreram altas. Somente dois grupos registraram queda: transportes (-1,13%) e educação (-0,07%).
O leite longa vida, do grupo de alimentação e bebidas, o gás de cozinha e a energia elétrica, do grupo de habitação, foram os itens com maior impacto no índice, segundo o IBGE. O leite teve aumento médio de 9,07% e impacto de 0,09 ponto percentual (p.p.) no índice. O gás de cozinha subiu 4,15%. A energia elétrica, com bandeira tarifária amarela, teve alta de 0,97%. O impacto desses dois itens na prévia inflacionária foi de 0,05 p.p. e 0,04 p.p., respectivamente.
Para o professor de economia do Centro Universitário Arnaldo, de BH, Alexandre Miserani, a prévia da inflação trouxe um par de surpresas: uma boa e outra nem tão positiva assim.
“Temos que destacar que em maio a prévia da inflação fechou em 0,54%, abaixo do índice nacional, que foi 0,62%. Então isso é meritório e a gente não pode tirar isso, apesar do acumulado nos 12 meses ser 4,64% e estar além da expectativa do fechamento da inflação em 2026”, disse.
“A surpresa maior veio do item alimentação, que realmente foi além da expectativa. Mas também é preciso ponderar que nesse item há uma parte que é a sazonalidade dos alimentos. Então, efetivamente, por conta da sazonalidade, você pode ter essa inflação. Não podemos deixar de destacar, por exemplo, problemas climáticos que ocorreram nos hortifrútis, o que acabou afetando a inflação para cima”, ponderou.
Bandeira vermelha, gás e remédios
A energia elétrica residencial, que avançou 2,16%, deve se consolidar como vilã nos próximos meses, já que houve um reajuste na tarifa da Cemig que vai impactar as contas domésticas. Com um inverno mais rigoroso se aproximando, o valor das tarifas pode ter a bandeira vermelha como base tarifária.
Entretanto, um dos maiores vilões inflacionários da prévia de maio ficou por conta do reajuste dos remédios. No grupo de saúde e cuidados pessoais, houve alta de 1,05% no Brasil, devido à autorização de reajuste de 3,81% no preço dos medicamentos, vigente desde o primeiro de abril. Esse aumento, liberado em abril, está sendo sentido agora pelas famílias.
O aumento do botijão de gás tem reflexo direto das tensões internacionais. “Isso pode ter ligação direta com a guerra entre Ucrânia e Rússia, que afeta o preço do gás globalmente, já que a Rússia é uma grande produtora. Conflitos no Oriente Médio também podem contribuir com a pressão nos preços”, comenta o professor Alexandre Miserani, do Centro Universitário Arnaldo.
Em relação ao gás, há outro aspecto a considerar, segundo o professor Alexandre: a lei federal do vale-gás. “Ela tem dois lados: por um lado, mais famílias passaram a consumir gás, aumentando a demanda enquanto a oferta permanece estática, o que pressiona o preço para cima. Por outro lado, o preço internacional do gás também exerce influência. São exatamente essas questões que impactaram o maior índice do preço do gás”, explica.
Próximos meses
Quanto às perspectivas para o segundo semestre, o professor de economia do Centro Universitário Arnaldo, de BH, Alexandre Miserani, indica que há duas visões a considerar: uma focada no cenário internacional e outra no contexto interno, com as eleições pelo caminho.
“Ainda persistem muitas incertezas externas: aumento da inflação nos Estados Unidos, instabilidade do governo Trump, guerra no Oriente Médio e continuidade do conflito entre Rússia e Ucrânia. O ambiente externo não está propício. Já no Brasil, estamos em ano eleitoral. À medida que a eleição se aproxima, tende a haver um impacto inflacionário menor, porque tanto o governo federal quanto a oposição têm interesse em demonstrar resultados para o eleitorado. O objetivo comum é mostrar alguma possibilidade de redução do custo de vida para o trabalhador, especialmente aquela inflação percebida no dia a dia, como no supermercado”, conclui.
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