Economia

Alta da inflação em BH é pressionada por comida e gasolina em abril

Alta da inflação na RMBH em abril é puxada por alimentação e gasolina, com impactos de conflitos internacionais e safras
Alta da inflação em BH é pressionada por comida e gasolina em abril
Outros itens importantes na alimentação que tiveram aumentos significativos foram leite longa vida e cebola | Foto: Reprodução Adobe Stock / Alf Ribeiro

Antes do relatório consolidado, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou a prévia de abril de 2026 do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15). E o resultado não foi agradável para o povo mineiro. A inflação apresentou um aumento de 0,84% em relação a março na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH).

O índice para a RMBH foi o quinto menor resultado mensal entre as 11 áreas pesquisadas. No País, a variação mensal correspondeu a 0,89%. Já a variação acumulada em 12 meses foi de 4,15% na RMBH, o quinto menor resultado entre as áreas de abrangência da pesquisa, e de 4,37% no Brasil.

Dois grupos de itens de consumo se destacaram no levantamento: o de alimentação e bebidas (1,79%), que apresentou a maior elevação percentual, e a gasolina (0,25 p.p.), que teve o maior impacto individual positivo no índice.

A maior “vilania” entre os alimentos na composição da inflação da Grande BH ficou por conta da cenoura, com alta de 30,71%, e do tomate, com elevação de 24,68%. Outros itens importantes da alimentação do mineiro que tiveram aumentos substanciais foram: leite longa vida (16,08%), cebola (14,85%), feijão carioca (9,85%), ovo de galinha (7,77%), banana prata (6,82%) e queijo (3,63%). Por outro lado, registraram-se quedas na maçã (-10,93%), na carne de porco (-3,51%) e no café moído (-3,49%).

A gasolina registrou aumento médio de 4,81% e provocou um impacto de 0,25 p.p. no índice. Ainda no grupo de transportes, destacam-se os aumentos no óleo diesel (13,22%) e no etanol (2,79%).

Tanto na gasolina quanto nos alimentos e bebidas, o impacto direto na alta dos preços pode ser relacionado aos conflitos no Oriente Médio, que seguem em um cenário de incertezas, com reflexos diretos no preço do barril de petróleo e efeitos negativos em cascata sobre diversos segmentos econômicos.

“A alta da inflação não me surpreendeu. Eu já esperava uma alta no preço da gasolina, que foi o que aconteceu. A gasolina cresceu 4,81% em BH e 6,26% no Brasil. Essa foi uma contribuição por conta da guerra no Irã, que impactou o dólar e a alimentação. Cenoura e tomate subiram. Mas além das questões de frete e produção, questões de safra também podem ter influenciado a subida de preços”, disse o economista da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, Administrativas e Contábeis de Minas Gerais (Ipead), Paulo Casaca.

Mais subidas

Todos os grupos divulgados pelo IPCA-15 tiveram alguma elevação de preços. Todavia, algumas altas foram mais moderadas, como artigos de residência (0,81%), despesas pessoais (0,59%) e comunicação (0,57%).

Saúde e cuidados pessoais (1,14%) e vestuário (1,08%) acompanharam o grupo de alimentos e bebidas, ambos ficando acima de 1% no índice. Por outro lado, apenas dois grupos registraram queda: Educação (-0,08%) e Habitação (-0,06%).

“Mãos atadas”

Paulo Casaca observou que a guerra e seus desdobramentos exercem influência sobre a economia mundial, com impactos em praticamente todos os setores produtivos, deixando governos de todo o mundo — incluindo o brasileiro — sem muitas opções para mitigar o problema.

Mesmo intervenções estatais como subsidiar combustíveis, reduzir impostos e facilitar o crédito são ações pontuais, que alteram pouco o cenário como um todo.

“É muito difícil esperar que o governo consiga resolver uma situação que não tem nada a ver com ele. Não tem como a Petrobras negociar petróleo a um preço diferente do internacional. Não tem como o governo entregar subsídio sem limite. Quando a gente olha para o cenário internacional, a realidade brasileira ainda é positiva na média. Aqui os combustíveis subiram menos do que em outros locais”, explica.

“É óbvio que é importante que o governo faça movimentos que suavizem o efeito dessa crise no Brasil. Mas não consegue ir muito além do que está acontecendo”, completa.

Alimentos em risco

Neste momento, as consequências diretas da guerra se concentram no preço do barril de petróleo. Porém, em um futuro próximo, caso o conflito não seja encerrado, a capacidade produtiva dos países do Golfo Pérsico pode ser afetada a ponto de gerar um desabastecimento real de petróleo no mundo.

O anúncio da saída dos Emirados Árabes Unidos da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) também pode comprometer o equilíbrio e a capacidade de produção da região, afetando a economia global.

Da possível escassez de combustível em caso de longa duração da guerra, outro resultado preocupante para o mundo pode estar na produção de alimentos: o fornecimento de fertilizantes.

“No momento, a falta de fertilizantes no Brasil não é tão grave, porque a gente está em um período entre safras de importação. As principais safras que foram colhidas no final do verão, ou que estão sendo colhidas, foram fertilizadas meses atrás. Agora a gente vai entrar no período de meio do ano de importação de fertilizantes para preparar as próximas safras. E se a gente não conseguir comprar esses fertilizantes, tiver dificuldade para adquiri-los, aí a gente pode ter problema de aumento no preço de alimentos para o ano que vem”, conclui Paulo Casaca, da Fundação Ipead.

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