Dos 66 anos brasileiros
No dia 9 de junho 1960, desembarcamos no Píer do Porto do Rio, minha mãe, minha irmã com 12 anos e eu, com 16 anos. Após 11 anos de prisão, reeducação e adaptação à vida socialista na Iugoslavia, encontramos meu pai. Éramos estranhos, minha irmã tinha um ano, eu, cinco, quando ele fugiu da Iugoslávia para a Itália. E o país, que acabava de inaugurar Brasília, em plena campanha presidencial no fim do mandato do JK, com vassourinhas de Jânio, fervia. Mas, era a família reunida, com seus sonhos de uma vida familiar e de liberdade, de estudar, avançar na vida. Estávamos na Amerika, sonho de todo emigrante.
Nesta terça feira quando fui recebido pelo Primeiro- Ministro Janez Janša, no seu quarto mandato não consecutivo na chefia do governo esloveno, passou-me o filme de como foram esses sessenta e seis anos de imigrante mineiro, e agora paulista, mas brasileiro. Nunca deixei de ser esloveno, judeu, nunca deixei de fazer tudo para que a Eslovênia fosse um país democrático e próspero. A luta pela sua independência, hoje celebrando 35 anos, foi árdua e o atual Primeiro-ministro foi um dos que com armas lutou por essa independência. Mas, estou tranquilo ter dado a minha parte. O Brasil foi um dos primeiros países que reconheceu a independência da Eslovênia.
Trabalhar sempre em prol do desenvolvimento das relações entre os dois países foi natural. A conversa de terça-feira foi nesta direção e em especial sobre o acordo de Mercosul-EU. O receio dos europeus pela importação de produtos agrícolas é impressionante, mas também a oportunidade de vender produtos manufaturados está mais do que clara. Esta é a grande oportunidade para que Europa, que está atrasada em relação à China, avance através do comércio mais intenso e com isso também se desenvolva mais no campo tecnológico.
Examinando minha vida, sobretudo hoje em dia feliz, diria que realizei meus sonhos. Não pelos cargos que ocupei, mas essencialmente pela oportunidade de poder trabalhar e realizar algo útil. Sejam os produtos da Tecnowatt, relés e luminárias, as pessoas que trabalharam conosco e avançaram na vida, seja nas entidades empresariais, em especial o SEBRAE, com as escolas gerenciais, e os projetos como o Cresce Minas, Estrada Real, Dia de Voluntariado, interiorização e as escolas de qualidade e avançadas do SESI e SENAI. E também de ter a oportunidade de contribuir com trabalho diplomático na Eslovênia e depois com a fundação de uma entidade que reúne empresários eslovenos pelo mundo, Slovenian Global Business network.
Nada desses sonhos se realizariam se não encontrasse no meu caminho pessoas de caráter, perseverantes e trabalhadoras, dispostas a obrar para o bem. Meus sócios na Tecnowatt, nossos trabalhadores, colegas de entidade de classe e tantos outros.
O que realizamos é história. Fica a questão, se os fundamentos que plantamos serão suficientemente fortes para o futuro. Sim, conhecimento é importante, mas os valores com os quais trabalhamos são os que permanecem e desenvolvem uma sociedade. Obrigado Minas, obrigado Brasil e tenho certeza de que o Brasil será ainda melhor nos próximos 66 anos.

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