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Muito além do dress code: o que existe entre o tênis e o salto

Entenda como a pandemia e a flexibilização redesenham a imagem profissional e a importância da adequação no ambiente corporativo
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Para responder à questão “posso ir trabalhar de tênis?” é preciso ir além do dress code corporativo. Por muito tempo, o ambiente corporativo foi marcado por códigos rígidos de vestimenta. Ternos, gravatas, tailleurs e sapatos formais funcionavam como símbolos de autoridade, profissionalismo e pertencimento. Hoje, entretanto, essa realidade está mudando. A transformação digital, a flexibilização das relações de trabalho e as mudanças culturais aceleradas pela pandemia estão redesenhando não apenas a forma como trabalhamos, mas também como nos apresentamos profissionalmente.

A discussão sobre o dress code vai muito além da escolha entre tênis ou salto alto. Ela reflete uma mudança mais profunda relacionada à forma como as empresas enxergam seus profissionais e como os profissionais desejam ser vistos. A valorização da individualidade, da autenticidade e do bem-estar ganhou espaço nas organizações, trazendo consigo novos desafios de convivência e adequação.

Nos últimos anos, empresas de diversos segmentos passaram a flexibilizar suas regras de vestuário. O objetivo era criar ambientes mais acolhedores, modernos e alinhados às novas expectativas das equipes. Em muitos casos, a mudança foi bem recebida. Em outros, gerou dúvidas sobre os limites entre liberdade de expressão e adequação profissional.

A verdade é que não existe uma fórmula única para todos os ambientes. Cada organização possui sua própria cultura, seus valores e sua forma de se relacionar com clientes, fornecedores e colaboradores. O que funciona em uma startup de tecnologia pode não ser apropriado para uma instituição financeira tradicional. Da mesma forma, profissionais que atuam em contato direto com determinados públicos precisam compreender as expectativas e características desses ambientes para construir conexões mais efetivas.

A pandemia acelerou ainda mais essa transformação. O trabalho remoto levou milhões de pessoas a adaptarem suas rotinas profissionais ao ambiente doméstico. Reuniões virtuais substituíram encontros presenciais e, durante algum tempo, bastava cuidar da aparência da cintura para cima. Quando chegou o momento da retomada presencial, muitas organizações perceberam que não estavam preparadas para lidar com os novos comportamentos que surgiram nesse período.

Mais do que mudanças na forma de vestir, o mercado passou a conviver com novos desafios relacionados à comunicação, à convivência e ao relacionamento interpessoal. Profissionais que iniciaram suas carreiras durante a pandemia tiveram pouco contato com a cultura corporativa tradicional. Muitos aprenderam a trabalhar à distância antes mesmo de aprender a conviver em equipes presenciais. Ao mesmo tempo, profissionais mais experientes carregam referências construídas ao longo de décadas em ambientes de trabalho muito diferentes dos atuais.

Nesse cenário, a palavra que melhor resume o momento é adequação. Adequar-se não significa abrir mão da personalidade ou seguir padrões ultrapassados. Significa compreender o contexto, respeitar a cultura da organização e agir de forma coerente com os objetivos profissionais. A adequação está presente na forma de vestir, mas também na maneira de falar, de ouvir, de participar de reuniões e de se relacionar com as pessoas.

A imagem profissional, por exemplo, é construída por um conjunto de fatores. A roupa é apenas um deles. Postura, comportamento, comunicação, pontualidade e respeito contribuem para a percepção que colegas, líderes e clientes terão de cada profissional. Em um mercado cada vez mais competitivo, a imagem deixou de ser apenas uma questão estética para se tornar um ativo estratégico.

Da mesma forma, o ambiente corporativo contemporâneo exige uma convivência baseada em empatia, respeito às diferenças e colaboração. A diversidade é uma realidade crescente nas organizações e demanda maturidade para lidar com diferentes perfis, experiências e perspectivas. Mais do que nunca, o sucesso profissional depende da capacidade de construir relacionamentos saudáveis e contribuir para o fortalecimento da cultura organizacional.

Também é fundamental compreender que o comportamento profissional não termina ao final do expediente. As redes sociais passaram a fazer parte da construção da reputação pessoal e profissional. O alinhamento entre a imagem transmitida no ambiente corporativo e a presença digital tornou-se um fator relevante para profissionais de todas as áreas.

No dia a dia, atitudes simples continuam fazendo diferença: ser pontual, ouvir atentamente, evitar interrupções desnecessárias, utilizar o celular com responsabilidade durante reuniões e tratar todos com cordialidade. São práticas que demonstram respeito e fortalecem a credibilidade profissional.

O mundo do trabalho está mudando em velocidade sem precedentes. Novas tecnologias surgem diariamente, modelos de gestão são revisados e as expectativas das pessoas em relação às empresas também evoluem. Nesse contexto, a discussão sobre dress code representa apenas uma parte de uma transformação muito maior.

Mais importante do que escolher entre o formal e o informal é compreender que a verdadeira elegância profissional está na capacidade de adaptar-se aos diferentes contextos sem perder a própria identidade. Afinal, vestir-se para o sucesso não significa seguir regras rígidas, mas comunicar, por meio da imagem e do comportamento, competência, respeito, equilíbrio e profissionalismo.

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