Editorial

O tempo de decidir

Sucessão para o Governo de Minas segue sem um cenário claro para as próximas eleições
O tempo de decidir
Foto: Carlos Moura | Agência Senado

Minas Gerais já tem governador em exercício, candidatos declarados e pesquisas que apontam um líder. O que falta, paradoxalmente, é a principal definição da corrida de 2026: saber se o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) vai mesmo disputar o Palácio Tiradentes.

As pesquisas são inequívocas: Cleitinho lidera todos os cenários testados com pelo menos 20 pontos percentuais de vantagem sobre os demais pré-candidatos. É um número que, em qualquer democracia funcional, equivaleria a um passaporte para a disputa. E, no entanto, o senador adiou mais uma vez sua decisão, agora para o período entre julho e o início de agosto, citando a Copa do Mundo e as festividades de São João como justificativa.

A justificativa diverte, mas o problema é sério. Enquanto o senador pondera, o tabuleiro político mineiro permanece travado. Partidos já trabalham com o cenário de sua ausência e estudam alternativas para não perder o momento de estruturar campanhas e alianças. O custo dessa indecisão não é apenas político. Em um estado que precisa de agenda clara de governo, a névoa eleitoral atrasa decisões de investimento e enfraquece o debate sobre o que realmente importa ao empresariado mineiro.

Do lado da situação, o governador Mateus Simões (PSD) tem a máquina, o tempo de TV e o aval do antecessor Romeu Zema. PP e União Brasil já anunciaram apoio à sua candidatura, mas o PL não confirmou alinhamento e intensifica conversas com o senador Cleitinho. Sem o PL, Simões busca ampliar o arco de alianças para compensar a lacuna à direita.

Na oposição, o campo está mais organizado do que parece. Alexandre Kalil (PDT) e Gabriel Azevedo (MDB) participam de debates, apresentam propostas e se unem nas críticas à gestão Simões. O PSB, após a desistência de Rodrigo Pacheco, lançou o ex-procurador-geral do Ministério Público de Minas Gerais, Jarbas Soares Júnior, como seu nome ao governo. Maria da Consolação (Psol) e Túlio Lopes (PCB) completam um campo à esquerda fragmentado, mas presente.

O resultado é uma disputa com candidatos declarados e um favorito em compasso de espera. E, nesse intervalo, o debate sobre o modelo de desenvolvimento de Minas segue em segundo plano. O que o Estado precisa ouvir dos candidatos não é apenas crítica ao adversário. É o que cada um pensa sobre o endividamento público, sobre as concessões de rodovias e saneamento, sobre a competitividade da indústria e do agronegócio, sobre a atração de novos investimentos para um estado que carrega o título de segundo maior colégio eleitoral do País sem conseguir traduzir esse peso político em crescimento econômico consistente.
Que os pré-candidatos apresentem suas agendas. E que Cleitinho, afinal, decida.

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