A sua cidade está preparada para o El Niño?
Eu vi de perto um incêndio florestal em 2024 e, como você, senti na pele as repetidas ondas de calor daquele ano. Pelas redes e pela TV, fomos inundados com as imagens assustadoras daquelas enchentes no Rio Grande do Sul. O último El Niño ainda é uma ferida aberta na paisagem e na vida de quem perdeu tudo ou alguém.
Por isso, a confirmação de que teremos El Niño este ano pela Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA, em inglês) deve acender todos os alertas e provocar ações imediatas de prevenção nas cidades.
O El Niño é o aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico que altera padrões de chuva e calor, e que, em tempos de crise climática, as consequências ficam ainda mais dramáticas. No Brasil, os efeitos podem ser mais chuva no Sul, seca no Norte e no Nordeste e ondas de calor em vários estados.
A agência americana não sabe ainda a real intensidade do fenômeno, mas acredita que ele pode ser o mais forte da história. E a pergunta que faço é: a prefeitura da sua cidade fez algum investimento em prevenção e redução dos riscos?
Na última semana, presenciei no auditório do BDMG os debates sobre as soluções sustentáveis implementadas por diversas empresas. Projetos para resiliência hídrica, agricultura regenerativa, geração de energia a partir do bagaço da cana-de-açúcar e tantas outras iniciativas são possíveis quando gestores privados ou públicos tomam uma primeira decisão: começar. É preciso dar o primeiro passo, investir e implementar.
Para as cidades, as possibilidades de prevenção são amplamente detalhadas pela ciência e, mais recentemente, pela Confederação Nacional de Municípios (CNM), que soltou uma nota técnica com orientações aos gestores municipais.
As prefeituras devem priorizar a atualização ou elaboração dos Planos de Contingência (Plancon), identificando áreas de risco, rotas de fuga, pontos de abrigo e responsabilidades de cada órgão envolvido na resposta a desastres. A entidade também recomenda manter monitoramento permanente das áreas vulneráveis, realizar vistorias preventivas, produzir alertas antecipados para a população e organizar canais oficiais de comunicação, utilizando rádios, aplicativos de mensagens, carros de som e outros meios para combater boatos e orientar a população em emergências.
A CNM alerta também para a necessidade de ações preventivas na infraestrutura urbana, como a limpeza e manutenção dos sistemas de drenagem, a remoção de resíduos e entulhos que possam obstruir galerias pluviais e a avaliação da arborização urbana para identificar árvores com risco de queda. E orienta os municípios a preparar previamente contratos e compras emergenciais para itens essenciais, como água, cestas básicas, colchões e combustível, além de estruturar alternativas para o abastecimento de água em caso de estiagens e ondas de calor associadas ao El Niño.
Como podemos notar, a cidade que ainda não fez o dever de casa, mesmo depois dos últimos desastres, precisa agir e começar.
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