Serra do Pires, em Congonhas, receberá Observatório Planetário de R$ 15 milhões

Equipamento será voltado à pesquisa científica e tem inauguração prevista para o segundo semestre de 2028
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Serra do Pires, em Congonhas, receberá Observatório Planetário de R$ 15 milhões
Foto: Daniel Silva

Congonhas, na Região Central de Minas, vai ganhar um Observatório Planetário com investimento de R$ 15 milhões. A estrutura dedicada à astronomia será instalada na Serra do Pires.

O Observatório Planetário da Serra do Pires está sendo projetado pelo Laboratório Nacional de Astrofísica (LNA) e é resultado de um convênio entre a Prefeitura de Congonhas e a Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), além de uma parceria com a Ferro+, empresa do Grupo J. Mendes responsável por custear o projeto.

Para a secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação de Congonhas, Rina Dutra, a iniciativa representa uma oportunidade de promover o desenvolvimento territorial, projetar o município nacionalmente e contribuir para a geração de dados relevantes para a pesquisa científica brasileira.

“Este é mais um investimento da Prefeitura de Congonhas na ciência, tecnologia e inovação como vetores de diversificação econômica, aproximando a comunidade do conhecimento e abrindo novas oportunidades de formação, pesquisa, inovação e desenvolvimento sustentável”, destacou.

A previsão é de que as obras sejam iniciadas em 2027 e o equipamento seja inaugurado no segundo semestre de 2028. O observatório servirá como base para pesquisas científicas dos laboratórios de astrofísica do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Minas Gerais (IFMG) Campus Congonhas e da UFSJ Campus Alto Paraopeba, contribuindo para a pesquisa regional e para a produção de informações de interesse nacional para o LNA.

Parceria prevê R$ 30 milhões em investimentos em Congonhas

Além dos R$ 15 milhões destinados ao Observatório Planetário, a empresa vai investir R$ 8 milhões no subsídio tarifário do fornecimento de água potável e do tratamento de esgoto e R$ 7 milhões na requalificação urbana do bairro Pires. Ao todo, os aportes somam R$ 30 milhões.

Os repasses serão realizados de forma parcelada, conforme cronogramas e condições estabelecidos no termo de compromisso social firmado entre as partes, contribuindo para investimentos em saneamento básico, infraestrutura urbana, ciência, educação e desenvolvimento da cidade.

O diretor de Pessoas da J Mendes, Marcelo Oliveira, destacou o compromisso do grupo com a parceria. Segundo ele, ao assinar um termo como esse, a companhia faz uma escolha. “Essa escolha realmente é apresentar que responsabilidade empresarial ultrapassa a geração de empregos e o recolhimento de impostos. Nós fazemos uma escolha de estar ao lado do município”, disse.

Parceria entre grupo J Mendes e Prefeitura de Congonhas.
Da esquerda para a direita: Marcelo Oliveira e Anderson Cabido | Foto: Daniel Silva

Preservação da Serra do Pires

O prefeito de Congonhas, Anderson Cabido (PSB), assinou um decreto de reconhecimento e proteção da Serra do Pires e um Projeto de Lei (PL) que cria o Monumento Natural da Serra do Pires (Mona). A proposta será encaminhada à Câmara Municipal e prevê a proteção de uma área de 207 hectares.

A iniciativa é resultado de uma construção conjunta entre o Poder Público municipal e o Grupo J Mendes, dentro de uma agenda que busca conciliar desenvolvimento, responsabilidade ambiental, conhecimento, valorização do território e qualidade de vida. A gerente de Relações Governamentais da empresa, Thereza Balbi, avalia que a parceria representa uma forma de transformar diálogo e compromisso em iniciativas concretas para o território.

“Acreditamos em um desenvolvimento capaz de conciliar atividade econômica, preservação ambiental, conhecimento e geração de valor para as comunidades”, declarou.

Ela pontuou que a Serra do Pires tem relevância especial para Congonhas e para toda a região. “Queremos contribuir para que esse território seja cada vez mais reconhecido por sua biodiversidade, pelo seu potencial para a ciência e a inovação e, sobretudo, pelo legado que podemos construir juntos para as próximas gerações”, completou.

A partir da aprovação do PL, serão desenvolvidos os estudos técnicos necessários para o registro formal da área como Unidade de Conservação no Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza. A categoria de proteção integral é destinada à preservação de elementos naturais raros, singulares ou de grande beleza cênica e restringe atividades que possam causar danos ao ambiente, como desmatamento, mineração, construções ou alterações do relevo.

A presidente da Associação Comunitária do Bairro Pires (Cobapi), Isaura Lourdes Teodoro Lopes, lembrou a audiência pública realizada há dois anos para discutir o tombamento da serra. “Esse diálogo entre a Prefeitura, associação de bairro, moradores e a J Mendes foi uma grande surpresa para nós; esse investimento vai trazer grandes melhorias para nós, uma qualidade de vida melhor para todos os moradores, nossas crianças e jovens”, comentou.

Com a criação do Monumento Natural, a Serra do Pires passará a contar com um instrumento permanente de conservação e valorização de seu patrimônio natural. A medida contribuirá para a proteção da biodiversidade, das nascentes e dos demais recursos ambientais presentes na região.

O coordenador regional do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade em Minas Gerais, Frederico Drumond Martins, destacou o desafio de proteger áreas como a Serra do Pires, que, segundo ele, têm atributos relevantes, mas também enfrentam ameaças que podem comprometê-los. “Quando a gente tem essas duas situações, a melhor estratégia conhecida no mundo é criar ali uma área protegida, uma unidade de conservação”, pontuou.

Já Cabido afirmou que é do interesse de seu governo que “o desafio de compatibilizar desenvolvimento, proteção e preservação ambiental e valorização da comunidade se faça mais presente”.

Serra do Pires é estratégica para biodiversidade e segurança hídrica

A Serra do Pires reúne características biológicas, geológicas e hídricas que fazem da região um território estratégico para a conservação. A preservação desses ambientes contribui para a manutenção da biodiversidade, das nascentes e dos cursos d’água, além de favorecer a formação de corredores ecológicos.

O secretário de Meio Ambiente de Congonhas, João Luís Lobo, destacou a importância de manter essas conexões naturais para a circulação de animais, a dispersão de espécies vegetais e a sobrevivência da biodiversidade em uma região que passou por profundas transformações ao longo dos anos. Segundo ele, conservar a serra também ajuda a manter a segurança hídrica da cidade.

“As matas, nascentes e fundos de vale presentes nessa região fazem parte de um sistema natural que ajuda a produzir, armazenar e proteger a água que chega à população. Em um município com uma relação histórica tão forte com a mineração, precisamos também identificar quais áreas são insubstituíveis e precisam permanecer protegidas. A Serra do Pires é uma delas”, disse.

Lobo ainda destacou a importância da Serra do Pires para a paisagem que integra o Santuário do Bom Jesus de Matosinhos, reconhecido como Patrimônio Mundial pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). Segundo ele, a serra emoldura a paisagem avistada por quem circula entre os profetas de Aleijadinho no adro da Basílica.

Já o coordenador do Departamento de Recursos Hídricos e Meio Ambiente do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Tarcísio Nunes, destacou os desafios de conciliar a preservação ambiental com a atividade minerária e avaliou que a criação do Mona representa um avanço para a região.

(Com informações da Prefeitura de Congonhas)

Sobre o autor

Leonardo Leão

Repórter do Diário do Comércio desde 2022. Graduado em Jornalismo pela Estácio.

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