Especialistas veem ganha-ganha em acordo entre Votorantim e sueca Boliden pela Nexa
O acordo que a Votorantim fechou com a sueca Boliden AB para vender sua participação majoritária na Nexa Resources em troca de ações é uma grande movimentação no mercado global de commodities e tende a beneficiar as três companhias, conforme especialistas.
O sócio da Valor Capital, Pablo Alencar, analisa que, para a Votorantim, o negócio representa uma forma inteligente de destravar valor sem sair do jogo: a empresa ganha liquidez e não abre mão da exposição ao setor de mineração.
Ele ressalta que, em vez de a Votorantim transferir os 64,68% que detém na Nexa por dinheiro, trocará por 21,4 milhões de novas ações da Boliden, o que equivale a cerca de 7% do capital da empresa sueca, considerada mais líquida e diversificada.
Acrescenta ainda que a transação representa para a Votorantim um prêmio de 14,2% em relação ao preço médio ponderado das ações da Nexa nos 20 pregões antes de 1º de julho, que foi o último dia não afetado pelo vazamento das negociações.
“A troca reduzirá a concentração de risco que a Votorantim tem em um único ativo de zinco na América Latina e ainda vai garantir uma representação no conselho da Boliden”, afirma.
O especialista da Veedha Investimentos, Fernando Felipe, acrescenta que a Votorantim deixará um ativo que vinha entregando resultados operacionais abaixo do esperado e se associa a uma empresa com presença global e grande eficiência.
Ele pontua que o acordo anunciado na quinta-feira (27), cujo fechamento está previsto para o primeiro trimestre de 2027, após aprovações de acionistas e regulatórias, avalia a Nexa em US$ 2 bilhões e a participação da Votorantim em US$ 1,3 bilhão.
Também destaca que a engenharia financeira do negócio, envolvendo troca de ações, é interessante para a Votorantim, que ainda ganha um prêmio sobre as ações da Nexa.
“As ações da Nexa estavam indo muito bem, com uma alta bem forte no ano e mais de 200% em 12 meses, impulsionada justamente pelos boatos dessa negociação”, diz.
Diversificação de ativos e ganhos de escala
No caso da Boliden, na avaliação de Alencar, o acordo coloca a empresa sueca entre os maiores produtores de zinco do mundo, com exposição relevante para prata como subproduto, e diversifica sua base de ativos para fora da Europa.
Felipe faz uma análise semelhante, ressaltando que, com essa transação, a Boliden diversifica seus ativos para além do continente europeu e passa a ter uma participação geopolítica importante na América do Sul.
Já para a Nexa, o negócio resulta em ganhos de escala, segundo o sócio da Valor Capital. Alencar salienta que a empresa deixa de ser uma mineradora e metalúrgica isolada e passa a integrar um grupo com 12 minas e oito fundições na Europa e América Latina, o que abre espaço para aumento de eficiência operacional.
Cabe lembrar que a Nexa tem operações no Peru e Brasil. Em solo brasileiro, a empresa tem duas minas (uma em Três Marias, na região Central de Minas Gerais, e outra em Aripuanã, no Mato Grosso), e duas fundições (ambas em Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira).
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