Confiança do consumidor em BH cai 5,6% em agosto com piora na percepção sobre a economia
O Índice de Confiança do Consumidor (ICC), medido pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, Administrativas e Contábeis de Minas Gerais (Fundação Ipead), trouxe um movimento significativo de queda em agosto, caindo 5,60% em relação a julho, alcançando 42,12 pontos. No mês passado, o índice chegou a 44,61 pontos, com alta de 4,15% na comparação com junho. O ICC-BH acumula alta de 1,84% em 2026 e queda de 0,58% no comparativo com 2025.
O humor do consumidor ficou menos “estável” graças aos contextos que circundam Minas Gerais e o Brasil. Cenário econômico instável, período eleitoral se aproximando, o que acirra os ânimos com candidatos e atuais governantes, já que ambos prometem mudanças para melhorar a vida financeira das pessoas.
O gerente de pesquisa da Fundação Ipead, Eduardo Antunes, diz que não é anormal essa mudança de percepção por parte da população. E “contaminações” de humor do consumidor não são coisas raras, segundo o economista.
“O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) é um índice bastante volátil, pois é muito pautado no humor momentâneo da população. Assim, qualquer fator que possa contaminá-lo, positiva ou negativamente, será sentido no resultado. Em julho, por exemplo, o índice subiu de forma expressiva em relação a junho, e agora, em agosto, ocorreu o movimento inverso, com uma queda expressiva em relação ao mês anterior”, comenta Eduardo Antunes.
Instabilidade
Quando a avaliação de confiança do consumidor tem sua realidade analisada com mais critério, tentando entender os contextos que causam as incertezas na população, a compreensão do que deixa a população “feliz”, ou “infeliz” com os rumos da economia fica mais claro.
“Essa oscilação mostra, principalmente, que a situação econômica das famílias e dos trabalhadores não está muito bem estabilizada. Elas vêm sofrendo impactos que, ao longo do tempo, podem até parecer imperceptíveis. Não se trata de um aumento generalizado de preços, pois a inflação está até controlada, de certa forma, inclusive no índice, apesar de ter caído na percepção deste mês, no ano e nos últimos 12 meses”, explica Eduardo Antunes, do Ipead.
“Os aumentos pontuais de vários produtos essenciais acabam contaminando o índice, dependendo do mês. A alimentação como um todo não é, isoladamente, um fator de inflação, mas os aumentos pontuais de determinados produtos, em diferentes momentos, acabam influenciando o resultado”, completa.
Desempenho
O levantamento da Fundação Ipead mostrou que a queda acentuada da confiança do consumidor teve desempenho quase 100% uniforme. Cinco dos seis componentes do ICC-BH caíram em agosto.
A maior queda ocorreu no componente Situação Econômica do País (11,47%). Quatro dos seis componentes estão abaixo de 50 pontos, o que configura pessimismo dos consumidores. Os componentes acima de 50 pontos são a Situação Financeira da Família Atual e a em Relação ao Passado.
O Índice de Expectativa Econômica do País (IEE) caiu 7,57% em agosto, influenciado pela queda da Situação Econômica do País (11,47%). O Índice de Expectativa Financeira da Família (IEF) também caiu: recuo de 3,83%, impulsionado pela retração da Situação Financeira da Família Atual (5,93%). No acumulado do ano, quatro dos seis componentes ainda crescem, com destaque para Inflação (14,03%).
Eleições
Com eleições majoritárias para quase todos os cargos executivos e legislativos do Brasil, excetuando vereadores e prefeitos, o pleito deste ano tem potencial de alterar bastante a confiança do consumidor mineiro e brasileiro para além do fim de 2026.
E o que gera esse sentimento, mesmo que o cenário real não esteja uma “catástrofe” completa, é a perspectiva de melhora real, que o dia a dia fique mais acessível, mais barato para o orçamento caber e gerar mais poder de compra.
“Mesmo que a economia, de modo geral, não esteja apresentando uma piora consistente, e não saibamos exatamente em que momento econômico nos encontramos, há uma desconfiança por trás disso, especialmente pelo momento que vivemos agora, com a proximidade das eleições majoritárias no País no final de 2026”, disse o gerente de pesquisas da Fundação Ipead, Eduardo Antunes.
“Eleições sempre foram um fator de bastante distúrbio e contaminação nos diversos índices calculados no País, tanto os que refletem diretamente o consumo das pessoas quanto os de percepção, ainda mais impactados. Quanto mais se aproxima o período eleitoral, mais esses índices ficam contaminados pela opinião pública e o ICC não vai deixar de sofrer esse tipo de influência”, comenta.
Desejos de consumo
A pesquisa do Ipead também apresenta os grupos de bens e serviços que os consumidores planejam adquirir nos próximos três meses. Vestuário e calçados (22,48%), turismo (15,14%) e informática/telefonia (11,47%) foram os mais citados. A proporção de mulheres com intenção de compra foi maior do que a dos homens, 77,87% e 72,37%, respectivamente. As mulheres mencionaram especialmente os segmentos de vestuário, calçados e turismo. Os homens citaram mais os segmentos de vestuário e calçados e informática/telefonia.
Esses índices poderiam mudar e melhorar a confiança do consumidor caso houvesse uma melhora consistente da situação econômica do País. Também seria importante uma melhora na qualidade do emprego, não apenas na redução da carga horária, mas na oferta de empregos que gerem algum ganho pessoal em termos de desenvolvimento de carreira.
Há muitos trabalhos que são chamados subempregos, com remuneração próxima de apenas um salário mínimo, e boa parte das pessoas não enxerga formas de crescer profissionalmente.
“Outro ponto muito importante, que resume boa parte dessa questão, é a capacidade das famílias de se desendividarem, de sair do volume de dívidas em que se encontram, em grande parte por conta do poder de compra comprometido há muito tempo, que vem sendo corroído aos poucos pela inflação, mesmo quando ela está baixa. Aos poucos, a população vai empobrecendo dessa forma: o poder de compra vai se reduzindo com a passagem do tempo, sem que haja uma visão clara de que isso vai mudar, seja com um governo novo, seja com a continuidade do atual”, finaliza Eduardo Antunes, do Ipead.
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