Como ficar rico fazendo filmes
Roger Corman, que nos deixou outro dia, era desleixado à sua maneira.
Todos os que amam o cinema deveriam ler Como Fiz 100 Filmes em Hollywood e Nunca Perdi um Tostão (tradução livre; Random House, 1998, 206 pgs.) A autoria é dele, diretor e produtor dos melhores filmes de baixo orçamento da história.
O livro conta como o cineasta ficou milionário produzindo filmes com orçamentos ridículos (30 mil dólares, numa época em que um filme médio de um grande estúdio como a Columbia, não saia por menos de 1 milhão de dólares) – e, muitas vezes tendo lucros de até 1000% (!). Um de seus maiores sucessos, A Pequena Loja dos Horrores, foi feito em apenas dois dias.
No clássico Dicionário de Cinema, Jean Tulard assim o define: “Apesar de ser o mais rápido e o mais prolífico, há imperdoáveis microfones aparecendo como evidências de sua falta de esmero”.
Seus gêneros favoritos eram o terror, a ficção científica e os filmes de aventura – todos sempre da pior estirpe. Em 1963, achou que devia aproveitar o cenário de O Corvo para outro filme. Não tinha história. Farsa das farsas. Alinhavou uma que não fazia grande sentido e tocou em frente.
Fosse como fosse, era uma lenda entre os indies do mundo.
Corman era o ás do filme B, o pioneiro da produção independente americana. Fiquei impressionadíssimo comO Homem dos Olhos de Raio X estrelado pelo Ray Milland.
Ele foi o responsável ainda por um enxame de filmes com monstros pós-atômicos nos anos 50, em que criaturas como siris e gafanhotos de vinte metros de altura, adormecidos havia séculos no fundo do mar, eram acordados por alguma explosão nuclear. Filmados a toques de caixa, renderam-lhe uma fortuna.
Mentor ainda da geração que forjou a Nova Hollywood. Coppola, Scorsese, Jack Nicholson, James Cameron: a chamada Corman Connection abarca quase toda a indústria à época.
Um cineasta a se recomendar.

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