Governança é o próximo passo da inteligência artificial

Saiba como implementar políticas eficazes em sua organização
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Governança é o próximo passo da inteligência artificial
Foto: Reprodução Adobe Stock

A inteligência artificial deixou de ser uma promessa para se tornar uma ferramenta de negócios. Empresas já usam IA para analisar dados, automatizar tarefas, atender clientes e apoiar decisões. O desafio não é decidir se a tecnologia será adotada. É definir como utilizá-la de forma segura e responsável.

O avanço da adoção, porém, não tem sido acompanhado pelo mesmo ritmo de governança. Segundo o relatório Cost of a Data Breach 2025, da IBM, 63% das organizações que sofreram violações de dados não tinham uma política de governança para IA ou ainda estavam desenvolvendo uma. O estudo também aponta que um em cada cinco casos de violação analisados envolveu o chamado shadow AI, quando funcionários utilizam ferramentas de IA sem autorização ou controle.

Esse cenário mostra que proibir a IA não é uma estratégia eficiente. O caminho é criar regras claras para seu uso. A empresa precisa definir quais ferramentas podem ser utilizadas, quais informações podem ser inseridas e quais processos exigem revisão humana. Também deve estabelecer responsabilidades.

A supervisão humana é especialmente importante. Uma pesquisa da McKinsey, publicada em 2025, mostrou que apenas 27% dos profissionais em organizações que utilizam IA generativa afirmam que todo conteúdo produzido pela tecnologia é revisado antes de ser utilizado. Uma parcela semelhante diz revisar 20% ou menos dos resultados.

Isso revela um ponto central. A IA pode produzir respostas convincentes e, ainda assim, incorretas. Por isso, governança não significa apenas controlar o acesso às ferramentas. Significa criar processos para avaliar resultados, identificar erros e corrigir desvios.

Outro aspecto fundamental é a proteção dos dados. Informações estratégicas, dados pessoais e propriedade intelectual não podem ser tratados da mesma forma que uma informação pública. É necessário classificar os dados e estabelecer níveis de acesso.
A governança também precisa acompanhar todo o ciclo de vida da tecnologia. O National Institute of Standards and Technology (NIST) recomenda uma abordagem baseada em quatro funções: governar, mapear, medir e gerenciar riscos. A proposta é que a avaliação seja contínua, e não uma etapa realizada apenas antes da implementação.

Outro erro é tratar governança como responsabilidade exclusiva da área de tecnologia. O tema envolve jurídico, segurança da informação, recursos humanos, compliance e as próprias áreas de negócio. Governança, portanto, não deve ser vista como uma barreira à inovação. É justamente o contrário. Regras claras reduzem incertezas e permitem que a tecnologia seja ampliada com mais segurança. A questão não é escolher entre inovação e controle. É entender que os dois precisam caminhar juntos.

Mais do que criar barreiras, a governança deve orientar decisões. Quando inovação, segurança e responsabilidade caminham juntas, a empresa consegue ampliar o uso da IA sem transformar velocidade em vulnerabilidade.

Erick Nuñez
Sobre o autor

Erick Nuñez

Contador, graduado em Ciências Contábeis e em Administração de Negócios. É investidor, CEO da Tag Contabilidade e sócio da Equity Fund, holding de investimentos com atuação nacional

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