Um quadro preocupante

Crescimento acelerado da frota expõe as deficiências da mobilidade e da infraestrutura viária na capital mineira e no Estado
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Um quadro preocupante
Foto: Gil Leonardi / Imprensa MG

A frota de veículos automotores que circula em Belo Horizonte e região metropolitana soma mais de 2 milhões de unidades e dobrou de tamanho em menos de 5 anos. O resultado é aquele que qualquer motorista, passageiro ou simples pedestre conhece muitíssimo bem. Nas áreas mais críticas, hoje, a velocidade de andar a pé pode ser maior que a de um veículo motorizado circulando em condições sabidamente adversas. Estudos técnicos recomendam que para cada veículo novo que entra em circulação seria preciso disponibilizar algo como seu espaço vital de circulação. No Brasil, apontam estudos, e Belo Horizonte não foge à regra, teria sido disponibilizado apenas 16% do recomendado.

Condições adequadas de circulação, considerados sobretudo deslocamentos entre residência e local de trabalho ou de estudo, é condição elementar de qualidade de vida. A tal mobilidade que implica também em condições de segurança para os usuários do sistema, de conforto e agilidade. Tempo perdido em deslocamentos é o mesmo que cansaço inútil, consequentemente desgaste e perda de produtividade com perdas econômicas também indesejadas. Tudo isso e o pior: a precariedade constatada implica na insegurança e igualmente em acidentes de implicações individualmente nefastas e impacto muito negativo para o sistema público de saúde.

Simplesmente não é possível fingir que não está acontecendo nada ou que estejamos todos apenas diante da consequência inescapável de duvidoso conceito do que seria “progresso”. Não, absolutamente não, quando a Polícia Rodoviária Federal (PRF) informa que entre os meses de janeiro e junho deste ano foram registrados 3,7 mil sinistros envolvendo transporte coletivo de passageiros nas rodovias federais que passam pelo Estado. Um aumento de 43% em relação ao igual período do ano passado, com 1.490 pessoas feridas ou 71% a mais que na contagem anterior. Uma outra estatística chama atenção: considerados o total de acidentes, envolvendo também caminhões e veículos leves, houve redução de 6,47%.

Como foi dito acima, estamos todos diante de uma realidade que precisa ser conhecida para que possa ser modificada. Para considerar também que a evolução dos veículos, sobretudo em termos de capacidade de carga ou de passageiros, além da velocidade alcançada, implica numa realidade que as rodovias brasileiras não acompanharam, mantidos sem alterações relevantes, por exemplo, o traçado, não raro velho de décadas e décadas. Todo o resto é consequência, numa situação de alarme amplificada diante da informação de que os investimentos realizados não bastam sequer para garantir manutenção minimamente adequada.

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