Etanol sobe em BH, mas segue mais competitivo que a gasolina

Combustível ficou mais caro na capital mineira e no estado, mas ainda compensa mais para o motorista de veículo flex
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Etanol sobe em BH, mas segue mais competitivo que a gasolina
Preço médio do etanol em Belo Horizonte atingiu R$ 3,73 o litro na semana passada | Foto: Reprodução Adobe Stock

Pouco mais de 15 dias após o litro do etanol ser encontrado a R$ 2,99 em Belo Horizonte, o combustível voltou a subir de preço nos postos da Capital. O valor médio passou de R$ 3,73 na primeira semana de agosto para R$ 4,05 na semana de 23 a 29, uma alta de 8,58%, segundo levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). O movimento também foi observado em Minas Gerais, embora com menor intensidade. No Estado, o preço médio avançou 2,28%, de R$ 3,94 para R$ 4,03 no mesmo intervalo.

Apesar da alta mais expressiva, o economista Leonardo Baldez, da ISF Crédito, explica que o etanol continua sendo mais competitivo do que a gasolina. Em Belo Horizonte, o litro do biocombustível corresponde a 64,1% do preço médio da gasolina comum, que chegou a R$ 6,32. Em Minas Gerais, a relação é praticamente a mesma: 64%, considerando a gasolina a R$ 6,30.

A chamada regra dos 70% é uma referência utilizada para avaliar a relação de preços entre os dois combustíveis. Quando o etanol custa menos que 70% do preço da gasolina, em geral, tende a ser mais vantajoso para o motorista de um veículo flex. No entanto, o economista esclarece: “Essa conta não deve ser analisada de forma totalmente automática. O consumo varia de veículo para veículo. O motorista que conhece a autonomia do próprio carro consegue fazer uma comparação ainda mais precisa”, ressalta.

A gasolina, de fato, ganhou competitividade em relação ao etanol ao longo de agosto. Isso ocorre porque seu preço avançou menos no período. Em Belo Horizonte, a gasolina comum passou de R$ 6 para R$ 6,32, alta de 5,33%, enquanto o etanol subiu 8,58%. Em Minas Gerais, os aumentos foram de 1,78% e 2,28%, respectivamente. Isso significa que a diferença de preços entre os dois combustíveis diminuiu, mas ainda não o suficiente para tornar a gasolina mais vantajosa.

Na Capital, por exemplo, seriam necessários R$ 4,42 por litro de etanol para que ele atingisse 70% do preço atual da gasolina. O valor médio está em R$ 4,05. Portanto, há uma diferença de R$ 0,37 por litro até esse limite de referência. O cenário é semelhante em Minas Gerais, onde o etanol precisaria chegar a R$ 4,41 para atingir 70% dos R$ 6,30 cobrados, em média, pela gasolina.

Por que o etanol caiu e voltou a subir?

O comportamento recente dos preços mostra como o mercado de etanol pode oscilar em um intervalo relativamente curto. “O que chama atenção agora é justamente a velocidade desse movimento”, diz Baldez. O preço na bomba não depende apenas do valor cobrado pela usina: envolve também distribuição, revenda, impostos e as condições de oferta e demanda.

“Eu vejo o etanol como um combustível naturalmente mais sensível às mudanças de oferta. O preço reage rápido ao volume produzido pelas usinas, à safra de cana, à quantidade destinada para açúcar ou combustível e também ao ritmo de compra das distribuidoras”, afirma.

Baldez explica que no mercado produtor, o comportamento da cana-de-açúcar e a decisão das usinas sobre a destinação da matéria-prima também influenciam a formação dos preços. A cana pode ser direcionada tanto para a produção de etanol quanto para açúcar, e mudanças na remuneração de cada produto alteram a dinâmica do setor.

“Na minha leitura, a queda veio em um momento de maior disponibilidade do produto e de preços mais pressionados na cadeia. Quando existe mais etanol sendo ofertado e as usinas estão mais dispostas a negociar, essa redução tende a chegar ao consumidor”, afirma.

A gasolina também apresentou alta em agosto. Além das condições do mercado de revenda, o combustível tem sua formação de preço influenciada pelo petróleo, câmbio, tributos, margens de distribuição e revenda e pelo custo do etanol anidro utilizado na mistura da gasolina. Em Belo Horizonte, a alta da gasolina foi de 5,33% entre a primeira e a última semana de agosto. O preço médio chegou a R$ 6,32, conforme os dados da ANP.

No entanto, o etanol segue competitivo, conforme destaca o professor de Ciências Contábeis da Estácio BH, Alisson Batista. Segundo ele, a gasolina também está oscilando bastante em virtude dos conflitos no Oriente Médio e as oscilações no preço do barril do petróleo. “Isso acaba por puxar mais consumidores para o etanol. Além disso, tivemos o aumento da utilização de etanol na própria gasolina, o que faz com que pessoas que têm interesse no etanol migrem de vez”, explica.

Diesel recua, mas ainda é cedo para falar em tendência

Já o diesel apresentou comportamento oposto ao dos dois combustíveis utilizados principalmente pelos veículos leves. Em Belo Horizonte, o preço médio recuou de R$ 6,77 para R$ 6,74 entre a primeira e a última semana de agosto, queda de 0,44%. Em Minas Gerais, caiu 0,74%, de R$ 6,73 para R$ 6,68.

A redução, entretanto, é pequena e, isoladamente, não permite afirmar que o diesel entrou em uma trajetória consistente de queda. “O combustível também está exposto às condições do mercado internacional de petróleo, ao câmbio, aos custos de distribuição e às condições de oferta e demanda, políticas de importação. Então, isso tudo reflete diretamente”, diz Batista.

Dessa forma, os especialistas avaliam que enquanto o diesel apresenta uma ligeira acomodação nos preços médios, o comportamento das próximas semanas será importante para verificar se o movimento representa apenas uma oscilação ou o início de uma tendência mais prolongada. “Neste momento, eu vejo mais como uma acomodação dos preços do que como um sinal de que o diesel entrou definitivamente em um ciclo de baixa”, afirma Baldez.

O que esperar daqui para frente?

Para o consumidor, o cenário aponta para um mercado ainda sujeito a oscilações. No etanol, os especialistas convergem em dizer que a evolução da oferta e dos preços no mercado de cana-de-açúcar será determinante. Já na gasolina, a trajetória dos derivados de petróleo, do câmbio e do etanol anidro terá peso na formação dos preços.

Na análise de Baldez, o que os números mostram é uma recuperação importante do preço do etanol depois de um período de queda. “No curto prazo, ainda podemos ter bastante oscilação porque existem várias forças atuando ao mesmo tempo: produção, estoques, demanda das distribuidoras e decisões das próprias usinas. Então, eu não vejo espaço, neste momento, para cravar nem uma disparada nem uma nova queda forte. O consumidor provavelmente continuará encontrando variações de uma semana para outra e até diferenças relevantes entre postos”, conclui.

Sobre o autor

Juliana Sodré

Repórter do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo pela PUC Minas, com especialização em Imagens e Culturas Midiáticas pela UFMG.

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