Comitê de Clientes de Mariana teria destituído Pogust e indicado nova banca em Londres

Escritório britânico afirma que o Comitê não tem autoridade para destituí-lo da representação
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Comitê de Clientes de Mariana teria destituído Pogust e indicado nova banca em Londres
Rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, foi em 2015 | Foto: Dirceu Aurélio / Imprensa-MG

O Comitê de Clientes do Litígio de Mariana, que representa a maioria dos atingidos pelo rompimento da barragem de Fundão no processo contra a BHP em Londres, teria destituído o escritório de advocacia britânico Pogust Goodhead e indicado o norte-americano Bailey Glasser International para assumir a condução da ação na Inglaterra.

Conforme informações veiculadas na imprensa, o comitê teria classificado a substituição da banca como algo comum em processos dessa natureza e duração nos tribunais ingleses, afirmado que a decisão não altera as condições de representação dos reclamantes e reforçado que, apesar da mudança na representação jurídica, os clientes pagarão os honorários apenas caso o litígio seja bem-sucedido.

Ainda segundo informações extraoficiais, o comitê teria dito que atua com base em um mandato concedido pelos próprios reclamantes por meio dos contratos que regem suas atividades, os quais lhe conferem autoridade para tomar decisões estratégicas em nome do grupo, incluindo a escolha do escritório de advocacia responsável pela condução do litígio.

Formado por indivíduos, empresas, instituições religiosas e integrantes de comunidades indígenas e quilombolas das regiões atingidas pelo rompimento da estrutura, ocorrido em 2015, o Comitê de Clientes do Litígio de Mariana reuniria mais de 300 mil autores.

Escritório britânico contesta destituição

Procurado pela reportagem, o Pogust contestou a validade da destituição. Em nota, o escritório afirmou que o Comitê de Clientes não tem autoridade para destituí-lo da representação do grupo mais amplo de autores nas ações contra a BHP na Inglaterra.

“O escritório continua representando centenas de milhares de brasileiros atingidos pelo maior desastre ambiental da história do país, e o litígio segue normalmente”, disse, em nota.

O Pogust Goodhead ainda ressaltou que, após a decisão, em novembro de 2025, que responsabilizou a BHP pelo rompimento da barragem em Mariana, a ação entrou na fase de apuração dos danos e definição das indenizações. O escritório também disse que assegurou recentemente US$ 150 milhões adicionais em financiamento para essa nova etapa.

“Continuamos comprometidos em responder a questionamentos legítimos, proteger os interesses dos clientes, evitar transtornos desnecessários e manter o cronograma atual para o julgamento, previsto para começar em abril de 2027”, reiterou.

Pogust perdeu quase todos os municípios que representava no processo

Em agosto, o Pogust Goodhead perdeu quase todas as prefeituras que representava no processo contra a BHP em Londres. Incluindo Mariana, 19 municípios aderiram ao Acordo da Bacia do Rio Doce, firmado no Brasil, abrindo mão do litígio na Inglaterra, totalizando 45 dos 49 municípios atingidos pelo rompimento da barragem de Fundão.

Sobre o autor

Thyago Henrique

Repórter do Diário do Comércio desde 2022. Jornalista pela Una, eleito entre os 100 mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças (2024) e 3º lugar no Prêmio Riquezas dos Vales (2025)

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