Representantes do agro cobram melhorias no Plano Safra em congresso da Abramilho
Durante o painel de abertura do 4º Congresso da Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo (Abramilho), em Brasília, produtores, parlamentares e lideranças do setor cobraram do vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, e do ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, presentes no evento, avanços no Plano Safra e medidas para enfrentar a pressão de custos que afeta o agro brasileiro.
Alckmin ouviu as demandas do setor e sinalizou abertura para discutir o crédito rural. Entre as hipóteses, afirmou que um fundo garantidor pode ser um caminho para ampliar o acesso ao financiamento. Sem anúncios sobre o Plano Safra, o vice-presidente se colocou à disposição para atuar como interlocutor das demandas do setor. “Tudo está se encaminhando para passarmos de 30% para 32% o percentual de etanol na gasolina. O etanol de milho é um sucesso. Traz ganhos ambientais e econômicos”, defendeu.
O ministro André de Paula concordou com as demandas apresentadas, mas também adotou cautela. “O que posso garantir é que vou defender as pautas do setor junto ao governo federal, mas essa é uma questão transversal”, disse.
Além de pontuar os principais desafios da produção de milho no Brasil, o presidente da Abramilho, Paulo Bertolini, sinalizou que o sorgo pode ser uma importante matéria-prima para etanol. Segundo ele, o grão, mais tolerante à seca e com custo de produção mais baixo, pode avançar em áreas onde a janela de plantio do milho ficou estreita, criando vantagens competitivas para o produtor.
A senadora Tereza Cristina, vice-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), descreveu um quadro de pressão simultânea sobre o setor: guerras em curso, preços de commodities em queda, insumos caros e juros elevados no Brasil. “É uma ‘tempestade perfeita’. Estamos vivendo uma crise, só não sei se no começo ou no meio”, resumiu.
O deputado federal e presidente da FPA, Pedro Lupion, também fez críticas ao Plano Safra, que, segundo ele, não reflete a realidade do produtor. O parlamentar defendeu que formas de custeio privado podem ser um caminho complementar ao crédito público. Outros assuntos recorrentes no painel foram o Prodes (sistema de monitoramento da supressão de vegetação) e os possíveis impactos da escala 6×1 no campo.
Sobre o congresso
O 4º Congresso Abramilho, realizado nesta quarta-feira (13), em Brasília, é palco de discussões estratégicas sobre a sustentabilidade econômica do milho e do sorgo e aborda desde a dependência de fertilizantes importados até propostas para o novo Plano Safra e o seguro rural, buscando soluções para o endividamento e a vulnerabilidade logística do setor.
O encontro ocorre em um momento crítico, em que o setor enfrenta custos de produção elevados e dependência externa superior a 90% para fertilizantes, além da necessidade de garantir moléculas de defensivos e diesel.* A repórter viajou a Brasília a convite da Abramilho
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