AgroAmigo expande crédito rural e reduz inadimplência em Minas Gerais
Em meio ao ciclo das safras no Norte de Minas Gerais, o crédito rural tem se tornado um “grande amigo” dos pequenos agricultores. Com carteira ativa de R$ 1,5 bilhão no Estado, em 2025, o crédito especializado do Banco do Nordeste, batizado de AgroAmigo, tem contribuído há décadas para manter e dar continuidade à produção dos trabalhadores rurais.
Em Coração de Jesus, no Norte do Estado, a produtora Sandra Pereira Silva utiliza o AgroAmigo há mais de dez anos para custear insumos e serviços. “Eu pego para fazer o plantio do feijão, do alho, pagar o trator, o adubo, a semente. A gente entra com a mão de obra”, conta. O benefício garante a continuidade da produção. “Se não fosse isso aqui, a gente não conseguia trabalhar”, diz.
A produção é familiar e parte dela garante o sustento da casa, enquanto o excedente é comercializado na própria região. “Vai por safra. A gente planta, colhe e vende aqui mesmo”, explica. Para pequenos produtores, ela reforça que o programa faz diferença. “É uma ajuda para quem não tem condição. Ajuda a gente a expandir”, afirma.
Na mesma cidade, a cerca de 30 km da propriedade de Sandra Pereira, o produtor José Alvimar Soares de Araújo também viu a vida da família mudar ao longo de mais de uma década de acesso ao programa. “É uma ajuda boa demais da conta. Melhorou a vida da minha família e de muita gente aqui da região”, afirma.
No caso dele, o crédito foi utilizado tanto para produção quanto para infraestrutura. “Com esse dinheiro, nós abrimos poço, colocamos placa solar, melhorou muito”, relata.
A atividade também envolve toda a família. “É plantação, criação de animal, milho, feijão, rapadura, açúcar mascavo. A gente vende tudo na comunidade”, diz. Ele também destaca a importância do uso consciente dos recursos. “Se souber aplicar, ajuda demais. Tem que investir na roça mesmo”, orienta o produtor rural.

Os relatos refletem o avanço do programa de microfinança rural do Banco do Nordeste (AgroAmigo), que segue em expansão e tem se consolidado como uma das principais políticas de crédito voltadas à agricultura familiar no País. Assim como eles, milhares de agricultores familiares têm recorrido ao microcrédito produtivo para investir, produzir e gerar renda no campo. Dados do banco mostram crescimento tanto nos volumes contratados, como na carteira ativa e o melhor, queda nos índices de inadimplência.
De acordo com os números mais recentes, o índice de inadimplência, que era de 4,32% em 2022, caiu para 1,93% em 2025, demonstrando maior capacidade de pagamento dos beneficiários e eficiência no modelo de acompanhamento do programa.
O gerente estadual do AgroAmigo em Minas Gerais, Frederico Silveira, credita a baixa inadimplência ao desempenho e à metodologia de acompanhamento adotada. “O programa em Minas Gerais tem uma das menores inadimplências do Brasil, sempre abaixo de 2%. Atualmente, estamos em torno de 1,7%. Isso se deve claramente à metodologia do programa. Cada agricultor familiar é acompanhado em sua propriedade. O crédito não é um crédito por si só, é um microcrédito orientado. O que é levado para o agricultor é o volume de recursos necessário para ele e, assim, a possibilidade da inadimplência é muito pequena. O microcrédito orientado é a base do sucesso”, esclarece.
Quanto aos contratos, no ano passado, o valor do AgroAmigo alcançou R$ 833,2 milhões, alta de 12,6% em relação ao ano anterior (R$ 739,7 milhões) e de 110% em relação a 2022 (R$ 351 milhões), mantendo e demonstrando a tendência de crescimento.
Apesar da expansão financeira, o número de contratos realizados apresentou leve recuo, passando de 60,9 mil em 2024 para 59,9 mil em 2025, indicando maior valor médio por operação. A produtora Sandra Pereira Silva, citada no início da reportagem, começou no programa contratando cerca de R$ 1 mil, este ano conseguiu aumentar a cota. “Pegamos R$ 12 mil para colocarmos placas solares”, conta.
A carteira ativa do programa também cresceu de forma expressiva, atingindo R$ 1,57 bilhão em 2025, um salto significativo (36%) em comparação ao R$ 1,15 bilhão de 2024.
Previsão é de recorde de contratos no primeiro semestre de 2026
O gerente estadual do AgroAmigo, Frederico Silveira, atribui o avanço dos resultados à expansão da estrutura de atendimento no Estado. “O aumento do volume de recursos do AgroAmigo em Minas Gerais deve-se, em grande parte, à política de expansão do programa colocada em prática no ano passado. Passamos de 19 para 33 unidades. Inclusive, hoje o escritório do AgroAmigo em Minas Gerais é o maior do Brasil”, afirmou.
Segundo ele, o reforço da rede permitiu ampliar significativamente a oferta de crédito. “Com esse incremento, temos a maior quantidade de agentes de microcrédito, o que nos possibilitou termos uma contratação bem superior à do ano anterior. No primeiro semestre de 2025, fizemos R$ 360 milhões. Este ano, já contratamos R$ 423 milhões antes de o semestre terminar, ou seja, mais de 17% do que até junho do ano passado. Temos previsão de fecharmos o primeiro semestre com R$ 468,5 milhões contratados, um recorde”, reforça.
O crescimento também se reflete no atual Plano Safra. “No Plano Safra 2024/2025, a agricultura familiar em Minas Gerais contratou em torno de R$ 713 milhões com o Banco do Nordeste, distribuídos em 52 mil operações de crédito. No atual, 2025/2026, Minas Gerais vai atingir a incrível marca de mais de R$ 1 bilhão em contratações, ou seja, 40% superior, com mais de 63 mil operações de crédito, um recorde na história do Estado. O AgroAmigo vai contribuir com R$ 940 milhões desse montante”, ressalta.
Para Silveira, os resultados demonstram o impacto social do programa. “Nós entendemos que os agricultores familiares estão na base da pirâmide social, são as pessoas que levam alimentos para as nossas mesas e é um público que estava até pouco tempo fora do mercado bancário. Com o AgroAmigo, um microcrédito orientado que acompanha cada unidade familiar, eles têm a oportunidade de acessar o crédito e se desenvolver”, afirma.
O gerente destaca ainda as condições diferenciadas oferecidas aos beneficiários. “Para o grupo B do Pronaf, por exemplo, a taxa de juros é de 0,5% ao ano. É um recurso que realmente transforma a vida das pessoas. E a pulverização do crédito é o que ajuda a manter o homem, a mulher e o jovem no campo. Temos recorde de contratações com mulheres. Vemos a possibilidade de crescimento da economia com a manutenção dos agricultores no campo tendo as suas vidas transformadas e melhoradas”, diz.
Escala nacional
Em números consolidados até dezembro de 2025, o AgroAmigo já aplicou mais de R$ 51,3 bilhões desde sua criação, com cerca de 8,9 milhões de operações contratadas. A carteira ativa soma R$ 18,2 bilhões, atendendo mais de 1,9 milhão de clientes.
A operacionalização do programa é feita em parceria com o Instituto Nordeste Cidadania (Inec), responsável pela execução das atividades em campo, enquanto o Banco do Nordeste define as diretrizes, supervisiona e acompanha os resultados.
Inclusão produtiva e orientação no campo
O AgroAmigo é voltado a agricultores familiares enquadrados no Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), com exceção dos grupos A e A/C. A iniciativa busca melhorar o perfil social e econômico das famílias rurais por meio do acesso ao crédito produtivo orientado.
O programa atua com base em acompanhamento direto dos beneficiários, por meio de agentes de microcrédito que auxiliam no planejamento das atividades e na gestão dos recursos. A metodologia segue as diretrizes do Programa Nacional de Microcrédito Produtivo Orientado (PNMPO), com foco na geração de renda e no melhor aproveitamento da mão de obra familiar.
Os financiamentos abrangem uma ampla gama de atividades, incluindo produção agrícola, pecuária, agroindústria, turismo rural, pesca, artesanato e serviços no meio rural. O atendimento é realizado em duas modalidades: o AgroAmigo Crescer, voltado a agricultores de menor renda, e o AgroAmigo Mais, direcionado a produtores com renda bruta anual de até R$ 360 mil.
Para acessar o crédito, é necessário possuir a Declaração de Aptidão ao Pronaf (DAP) ativa ou o Cadastro da Agricultura Familiar (CAF).
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