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Agronegócio

Caratinga pode ganhar planta de biochar

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Biochar pode ser produzido com palha do café (foto) e outros resíduos da agroindústria, como bagaço de cana | Crédito: Kim-Ir-Sen Pires Leal/ Embrapa

O município de Caratinga, no Vale do Rio Doce, pode receber, ainda neste ano, a primeira planta de biochar da empresa NetZero no Brasil. A iniciativa pioneira vai transformar a palha do café em biochar, material rico em carbono  e usado como condicionador de solos. Minas Gerais tem grande potencial para a instalação de mais unidades, podendo chegar a cerca de 162 plantas somente com o uso da casca de café. 

O biochar pode ser produzido utilizando tanto a palha do café como outros resíduos da agroindústria, como o bagaço de cana-de-açúcar, casca de coco, casca de cacau e outros. O investimento em cada planta varia entre R$ 10 milhões e R$ 12 milhões.

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De acordo com o diretor-técnico da NetZero, Pedro Figueiredo, a expectativa é de que sejam implantadas cerca de 280 plantas no Brasil até 2029. “Em Minas Gerais, acredito que será pelo menos a metade do volume estimado para o Brasil. No primeiro momento, vamos trabalhar apenas com o café”, explicou.

Ainda segundo o representante da empresa, as negociações para a instalação da  primeira unidade, que será em Caratinga, estão avançadas. A estimativa é de assinar o memorando de intenções nos próximos dias. Os contratos junto aos cafeicultores que irão entregar a palha do café devem ser assinados até a primeira quinzena de abril. 

“Assim que assinados os contratos, daremos início à fabricação dos equipamentos. A estimativa é de iniciar as operações no final de outubro e início de novembro. Acredito que nos primeiros três meses de 2023, a unidade de Caratinga já esteja operando com carga máxima”, disse.  

Além de Caratinga, já existe também negociação com a Cooperativa dos Cafeicultores da Região de Lajinha (Coocafé).

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No mercado nacional, os preços do biochar variam de R$ 25 a R$ 35 o quilo. O cafeicultor que fornecer a palha do café para a NetZero, dependendo das condições de cada planta, região e negociação, receberá o biochar em uma quantidade de até 30% da tonelada de palha que cedeu, a preços abaixo do mercado.

O secretário de Agricultura, Abastecimento e Agronegócios de Caratinga, Alcides Leite de Mattos Sobrinho, está otimista com as negociações e acredita que a instalação da unidade será importante.

Sustentabilidade da cafeicultura

Segundo ele, a instalação da unidade contribui para a maior sustentabilidade da produção cafeeira. “Nosso objetivo é formar o tripé da sustentabilidade. A produção do biochar tem  sustentabilidade econômica, gerando divisas através do sequestro de carbono, produção de energia elétrica e a transformação da palha em  fertilizante. Por envolver pequenos produtores rurais, o projeto também tem sustentabilidade social. No caso da sustentabilidade ambiental, a transformação de um resíduo em fertilizante sequestra o carbono, fazendo com que a produção tenha zero emissão de gases poluentes”, avaliou.

Em Caratinga, segundo Mattos, a primeira unidade deve ser instalada no Centro de Excelência do Café Robson Leite de Mattos, no Distrito de Santa de Luzia. Ela terá capacidade de processamento de 8 mil metros cúbicos de palha anualmente. 

“Este projeto será muito importante para o desenvolvimento da cafeicultura sustentável e vai trazer uma nova visão para os pequenos e médios produtores do grão. O Centro de Excelência é gerido por uma associação de produtores rurais e conta com 130 associados. O prefeito de Caratinga, Wellington Moreira, tem contribuído de forma muito positiva para tornar o projeto viável, sensibilizando a agricultura familiar e entendendo a necessidade de a atividade cafeeira ser mais sustentável”, afirmou.

Ainda segundo Mattos, diante da crise dos fertilizantes, com aumento dos preços e possibilidade de escassez, o biochar é uma opção muito interessante para os produtores. Além de ser natural, o uso do produto reduz a necessidade de aplicação de adubos químicos. 

“O biochar tem característica de tamponamento do solo, melhorando a estrutura física. O fertilizante, quando dissolvido na estrutura do solo, absorve as grandes dosagens no momento da colocação do adubo e libera para a planta gradativamente aumentando o poder de fertilizar o solo. Este aumento da fertilidade faz com que seja necessária uma menor aplicação de produtos químicos, tornando a produção mais limpa e reduzindo os custos”, explicou.

Ainda segundo o secretário de Caratinga, o biochar também retém grande quantidade de água e libera gradativamente, contribuindo para uma maior resistência da planta em períodos secos.

Guerra na Ucrânia tem contribuído para diminuir oferta de fertilizantes no mercado global | Crédito: Vasily Fedosenko/Reuters

Plano quer reduzir importação para 45% até 2050

Brasília – O Plano Nacional de Fertilizantes, lançado na sexta-feira (11), tem o objetivo de reduzir a dependência do Brasil de importações desses produtos dos atuais 85% para 45% em 2050, afirmou o Ministério da Agricultura, em um momento em que o Brasil lida com alta nos preços desses insumos, além de escassez por conta da guerra na Ucrânia.

A grande dependência de compras externas de fertilizantes pelo País – maior importador global desses insumos – é situação que preocupa a agricultura brasileira, disse a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, que afirmou que por isso o plano deve ser tratado como uma política de Estado, e não de governo.

No médio prazo, o programa tem potencial de aumentar em 35% a produção nacional de fertilizantes até 2025, com capacidade de atrair investimentos da ordem de R$ 4 bilhões por ano, afirmou o Sindicato Nacional da Indústria de Matérias-Primas de Fertilizantes (Sinprofert).

No entanto, o plano depende fundamentalmente de uma mudança na cobrança de ICMS, que hoje é zerado para a importação, mas tem uma tarifa de até 8,4% para a produção nacional.

“Imposto sobre fertilizante é tudo zerado. Todas as posições sobre fertilizantes importantes, grandes volumes, são todos zerados, desde imposto de importação, IPI, PIS/Cofins, tudo, todos os impostos federais. Onde incide o imposto: o ICMS”, disse Luís Eduardo Rangel, diretor de programas do Ministério da Agricultura.

Rangel explica que desde 1997 o Conselho dos Secretários de Fazenda Estaduais (Confaz) reduziu o ICMS de toda a cadeia de insumos para a agricultura, mas no caso dos fertilizantes criou uma distorção ao zerar o imposto para produtos importados, mas manter cobranças para a produção nacional.

Um acordo feito em 2021 no Confaz prevê uma equalização dos impostos nos próximos cinco anos, aumentando o dos produtos importados para 4% e reduzindo o da produção nacional também para 4%. Até o momento, no entanto, nem todos os governos estaduais fizeram os decretos necessários para as mudanças.

“Esse assunto estava tão discrepante que a gente conseguiu aprovar isso no Confaz”, disse Rangel, acrescentando que o governo vai monitorar o cumprimento do acordo.

Embora a situação da dependência externa de fertilizantes tenha sido acentuada com a guerra na Ucrânia, envolvendo a Rússia – normalmente o principal fornecedor aos brasileiros -, o plano mira o longo prazo.

Segundo a ministra, a dependência de fertilizantes do Brasil será em 2050 “proporcional à grandeza da nossa agricultura”.

“Mas teremos nossa dependência externa bastante reduzida… Não estamos visando à autossuficiência… as commodities continuarão circulando em ambiente de livre mercado… entretanto, precisamos garantir o suprimento para a nossa mais importante atividade econômica”, afirmou Cristina.

Segundo a ministra, a meta, para 2050, é poder suprir cerca de 50% dos fertilizantes utilizados no Brasil com a produção nacional. Hoje, o Brasil importa 85% da sua necessidade, chegando a 96% no caso do potássio.

O programa prevê incentivos à indústria nacional, com linhas de financiamento e atração de investimento privado para exploração de minas de potássio e fosfato, entre outros pontos. (Reuters)

Governo deve zerar impostos se guerra se agravar

Brasília – O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse na sexta-feira (11) que o governo planeja reduzir tributos como parte do Plano Nacional de Fertilizantes para estimular o setor, ressaltando que impostos poderão ser zerados de forma emergencial se a guerra entre Rússia e Ucrânia se agravar.

Em coletiva de imprensa após o lançamento do Plano Nacional de Fertilizantes, o ministro disse que há plano para eliminar todos os impostos que envolvem essa cadeia, além de facilitar a importação de máquinas e equipamentos e a concessão de crédito.

“Há diretrizes no plano nessa dimensão tributária. (…) A gente não consegue industrializar e aprofundar essa cadeia produtiva exatamente por causa dos impostos”, afirmou.

“Se a guerra acaba amanhã, a programação é de longo prazo. Se a guerra se agudiza, tem que zerar o imposto já, essa modulação da resposta é um acompanhamento que estamos fazendo”, disse. (Reuters)

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