Agronegócio

China entra no centro do debate sobre milho e sorgo em congresso da Abramilho

Embaixador chinês participa de congresso em Brasília para discutir aprimoramento de relações comerciais e entraves regulatórios
China entra no centro do debate sobre milho e sorgo em congresso da Abramilho
Foto: Diário do Comércio/ Juliana Sodré

O embaixador da China no Brasil, Zhu Qingqiao, é um dos participantes do 4º Congresso da Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo (Abramilho), que acontece nesta quarta-feira (13), em Brasília, e reúne lideranças do governo, do setor produtivo e do mercado internacional para debater as cadeias de milho e sorgo.

A presença de Qingqiao em dois momentos distintos da programação reflete a centralidade da China nas discussões do setor.

O presidente da Abramilho, Paulo Bertolini, destacou que o país asiático é o principal parceiro comercial do Brasil no agronegócio e um dos mercados estratégicos para o milho e o sorgo brasileiros, mas apontou entraves e caminhos para melhorar a relação.

“A China é um parceiro comercial importante para o Brasil. Pela primeira vez, vamos ter o embaixador chinês participando de um painel para discutir melhorias nas relações comerciais entre os dois países”, pontuou.

Ele também chamou atenção para as complexidades do processo regulatório chinês e para a necessidade de debater melhorias.

“Com o embaixador aqui, participando do painel, teremos a oportunidade de discutir melhorias nas questões regulatórias. A China tem um processo regulatório bastante rígido e, muitas vezes, demorado. Nosso propósito é aprimorar essas negociações”, disse.

Bertolini sugeriu que modelos de negociação já existentes com outros países possam servir de referência para o aprimoramento das negociações. “A Argentina e o Brasil já têm um modelo reconhecido em algumas etapas de processos regulatórios ligados à biotecnologia, e muito eficaz. Então, não é necessário refazer todo o processo do zero. Podemos usar esses exemplos como referência e discutir com a China como aprimorar esse aspecto”, detalhou.

Debate sobre a sustentabilidade econômica do milho

O 4º Congresso Abramilho é palco de discussões estratégicas sobre a sustentabilidade econômica do milho e do sorgo e abordará desde a dependência de fertilizantes importados até propostas para o novo Plano Safra e o seguro rural, buscando soluções para o endividamento e a vulnerabilidade logística do setor.

O encontro ocorre em um momento crítico, em que o setor enfrenta custos de produção elevados e dependência externa superior a 90% para fertilizantes, além da necessidade de garantir moléculas de defensivos e diesel.

O painel de abertura, “Agricultura em transformação”, reúne lideranças como João Martins, da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA); Lucas Costa Beber, da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT); e Manuel Ron, da Aliança Internacional do Milho (Maizall), em busca de respostas concretas sobre o próximo Plano Safra, a ampliação do seguro rural e melhorias na infraestrutura de armazenagem.

Na sequência, o painel focado em geopolítica analisará os reflexos dos conflitos globais e de tratados internacionais, como o acordo Mercosul-União Europeia. Representantes do Itamaraty e da indústria, incluindo a JBS e a Pivot Bio, discutirão estratégias para mitigar riscos e reduzir a exposição do produtor nacional às oscilações internacionais.

A programação completa ainda inclui o painel “Inovação que alimenta o mundo”, que discutirá biotecnologia e segurança alimentar, com o objetivo de traçar diretrizes para que as cadeias de milho e sorgo naveguem com maior segurança e previsibilidade.

* A repórter viajou a convite da Abramilho

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