Agro de Minas mantém volume exportado, mas faturamento cai 8,5% com queda nos embarques de café
O agronegócio de Minas Gerais, entre janeiro e julho de 2026, exportou US$ 10,5 bilhões, com o embarque de 10,3 milhões de toneladas de produtos. Com o resultado, em comparação com o mesmo período de 2025, houve um recuo de 8,5% na receita, enquanto o volume exportado permaneceu praticamente estável, com uma ligeira alta de 0,1%. O cenário reflete a retração do preço médio pago por tonelada no mercado externo, que caiu 8,6%, e também ao menor embarque de café, principal produto exportado pelo setor.
Mesmo com resultado negativo no faturamento, o setor se consolidou como um dos principais pilares do comércio exterior mineiro, respondendo por 41% do total de US$ 25,61 bilhões exportados por Minas Gerais no período.
Conforme os dados da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais (Seapa), o café manteve a liderança em faturamento e volume exportado, mas registrou queda no ritmo dos embarques. Ao todo, as exportações do grão somaram US$ 5,08 bilhões entre janeiro e julho de 2026, resultando em uma queda de 18,4% na receita. O volume embarcado recuou 19,6%, totalizando 12,4 milhões de sacas de 60 quilos, o equivalente a 745,9 mil toneladas embarcadas. Já o valor médio da tonelada de café apresentou alta de 1,5%.
Mesmo com a retração, o café seguiu como o produto de maior peso na balança comercial do agronegócio mineiro, correspondendo a 48,4% de toda a receita gerada pelo setor. No Informativo Conjuntural – Agosto de 2026, a assessora técnica da Seapa, Manoela Oliveira, explica que a queda no café é resultado, principalmente, da baixa disponibilidade do grão.
“A retração esteve associada principalmente à menor disponibilidade de produto para exportação, em um contexto de estoques mais reduzidos após safras anteriores mais restritas. A importância de Minas nessa cadeia permanece expressiva, respondendo por cerca de 68% da receita brasileira com exportações de café no período e mantendo a liderança nacional entre os demais estados. A expectativa de uma safra mineira maior em 2026 pode favorecer a recomposição gradual da oferta exportável no segundo semestre”.
Em contrapartida à queda do café, o complexo soja foi o grande motor de crescimento do agronegócio mineiro nos primeiros sete meses do ano. As exportações do complexo alcançaram US$ 2,54 bilhões, o que representa uma expansão de 13,3% em receita quando comparado com os sete primeiros meses de 2025. O volume total comercializado subiu 5,4%, totalizando 5,91 milhões de toneladas.
A soja em grãos liderou com folga o faturamento do complexo, somando US$ 2,45 bilhões. Assim, houve aumento de 13,4% em receita e 5,4% em volume. O farelo de soja registrou US$ 79,8 milhões em receita, 8% a mais, e o óleo de soja gerou US$ 16,4 milhões, crescimento de 21,9%. Conforme a Seapa, o bom desempenho do complexo foi impulsionado pelo maior volume negociado, pela demanda internacional aquecida e pela valorização da commodity, uma vez que o preço da tonelada subiu de US$ 400, para atuais US$ 430.
Grupo das carnes avança 8% em receita impulsionado por preços médios
O grupo das carnes também apresentou saldo positivo nos primeiros sete meses de 2026, movimentando um total de US$ 1,09 bilhão, um crescimento de 8% em receita sobre o ano anterior. O volume total exportado permaneceu estável em 286 mil toneladas, com leve incremento de 0,7%.
Conforme a Seapa, a carne bovina liderou as exportações do grupo com US$ 778,2 milhões, uma alta de 5,5% em faturamento. O volume embarcado, no entanto, recuou 8,9%, somando 135,7 mil toneladas. Essa queda foi compensada por uma elevação de 15,7% no preço médio da tonelada.
Já os embarques de carne de frango registraram aumento tanto em receita como em volume, atingindo, assim, US$ 248 milhões em receita, alta de 14,3%, e 119,3 mil toneladas, expansão de 7,9% em volume.
A negociação da carne suína com o mercado externo gerou US$ 53,7 milhões em receita, 18,9% a mais, sustentada por uma expressiva expansão de 30,6% no volume embarcado (27,2 mil toneladas).
Complexo sucroalcooleiro sofre forte retração
O setor sucroalcooleiro mineiro registrou perdas significativas no mercado externo de janeiro a julho de 2026. As exportações somaram US$ 746,5 milhões, redução de 24,9% em valor e de 7% em volume, somando 2 milhões de toneladas. O açúcar respondeu por US$ 729,8 milhões, queda de 23%. As vendas externas de álcool registraram queda ainda mais forte, de 65,7%.
“O resultado reflete um ambiente de preços internacionais menos favoráveis para o açúcar e mudanças no mix produtivo das usinas, com maior direcionamento da cana para a produção de etanol. Apesar da retração conjuntural, Minas mantém posição relevante na cadeia, ocupando o segundo lugar nacional tanto no complexo sucroalcooleiro quanto nas exportações de açúcar”, explicou Manoela Oliveira.
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