Mapa reúne orientações para produtores se protegerem dos impactos do El Niño

Página reúne previsão do tempo, alertas meteorológicos, informações sobre crédito, seguro rural, Zarc e tecnologias para ajudar agricultores a planejar a produção e reduzir riscos climáticos
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Mapa reúne orientações para produtores se protegerem dos impactos do El Niño
Somente para a agricultura, os desembolsos caíram 14,1%, passando de R$ 26,22 bilhões para R$ 22,52 bilhões, de acordo com a Seapa | Foto: Wenderson Araujo / CNA

Produtores rurais já podem consultar, em uma única página, informações para auxiliar no planejamento da produção diante dos possíveis efeitos do El Niño. O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) lançou, na última sexta-feira (2), um site com dados climáticos, orientações técnicas e informações sobre instrumentos de proteção disponíveis para agricultores e pecuaristas.

Desenvolvida em parceria com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a página concentra ferramentas que podem ser utilizadas na tomada de decisão no campo, como avisos meteorológicos de eventos severos, previsão do tempo para as capitais brasileiras, notas técnicas e o Painel El Niño.

Também estão disponíveis informações sobre o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), crédito rural, seguro rural, Plano Safra e assistência técnica. O conteúdo inclui ainda tecnologias desenvolvidas pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), que podem contribuir para a prevenção e a redução dos impactos de eventos climáticos sobre as atividades agropecuárias.

Informações para antecipar decisões

A proposta é permitir que o produtor tenha acesso a diferentes instrumentos de gestão de risco antes que os efeitos do fenômeno climático atinjam a produção. Como o El Niño pode provocar alterações nos volumes de chuva e nas temperaturas, os impactos não são iguais em todas as regiões do País.

No Sul, uma das principais regiões produtoras de grãos, a previsão aponta possibilidade de excesso de chuvas. Já no Centro-Sul, há indicação de possibilidade de seca moderada acompanhada de temperaturas elevadas. No norte do Sudeste, existe risco de seca, enquanto no Nordeste e no Norte, incluindo a Amazônia, aumenta a possibilidade de períodos de estiagem.

Nesse cenário, informações climáticas podem auxiliar o agricultor a definir estratégias de manejo, avaliar riscos para as culturas e utilizar instrumentos de proteção disponíveis na política agrícola.

Seguro rural ganha espaço na gestão de riscos

Entre as ferramentas apresentadas pelo Mapa está o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR), que permite ao produtor contar com apoio para a contratação do seguro rural e transferir parte dos riscos da atividade.

A legislação publicada em 30 de setembro no Diário Oficial da União também estabeleceu a integração do seguro rural ao conjunto de garantias das operações de crédito rural. Com a mudança, operações de crédito amparadas por seguro poderão ter condições favoráveis de juros, prazos e limites, além de prioridade de acesso ao crédito e possibilidade de financiamento do prêmio do seguro.

A prioridade também será obrigatória em casos de prorrogação e renegociação de operações, conforme as regras estabelecidas pelo Poder Executivo.

El Niño pode alterar chuva e temperatura

O El Niño é caracterizado pelo aquecimento acima da média das águas do Oceano Pacífico Tropical. O fenômeno altera a circulação atmosférica e pode modificar os padrões de chuva e temperatura em diferentes partes do Brasil. Por isso, os efeitos sobre a agropecuária dependem da região e da atividade desenvolvida. Culturas agrícolas, pastagens e áreas de produção podem ser afetadas de maneiras diferentes conforme a intensidade e a duração das alterações climáticas.

Além dos dados meteorológicos, a página reúne informações sobre as ações do Grupo de Trabalho criado pelo Mapa para acompanhar a evolução do fenômeno e propor medidas de prevenção, preparação e mitigação dos impactos sobre o setor. O trabalho faz parte de uma força-tarefa coordenada pela Casa Civil, que reúne diferentes ministérios para acompanhar os efeitos do El Niño e antecipar medidas destinadas a reduzir os impactos sobre a população e os setores produtivos.

Segundo o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, a intenção é ampliar a capacidade de antecipação dos riscos climáticos. O Mapa também prevê a criação de um núcleo permanente de gestão de riscos climáticos.

“Não podemos enfrentar os riscos climáticos do futuro com instrumentos do passado. Zoneamento agrícola, seguro, crédito, pesquisa, inovação e informação climática vão trabalhar juntos. A emergência climática passa, mas a capacidade de prevenir fica”, comenta o ministro.

Sobre o autor

Ana Luisa Sales

Repórter do Diário do Comércio desde 2025, graduada em jornalismo pela UFMG e especialista em ESG e sustentabilidade corporativa pela FGV.


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