Agronegócio

Palma forrageira ganha espaço como alternativa estratégica para pecuária no semiárido mineiro

Evento promovido pela Epamig aborda cultivo, manejo e pesquisa da planta em regiões semiáridas, buscando alternativas para o rebanho bovino
Palma forrageira ganha espaço como alternativa estratégica para pecuária no semiárido mineiro
Foto: Reprodução Site Pamatech

A palma forrageira é uma importante alternativa para a alimentação do rebanho bovino e, nos últimos anos, a produção ganhou espaço em Minas Gerais, principalmente, nas regiões semiáridas, onde as produções de grãos e forrageiras sofrem impactos do clima com as secas prolongadas, por exemplo. Com o objetivo de disseminar os estudos e estimular a implantação da cultura, será realizada, até 7 de maio, em Janaúba e Nova Porteirinha, no Norte de Minas, a 4ª edição do Palmatech. O evento é promovido pela Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig).

No Campo Experimental de Gorutuba, da Epamig, em Nova Porteirinha, estão sendo realizados o Simpósio Mineiro da Cultura da Palma Forrageira (SimPalma) e o Dia de Campo da Palma Forrageira (PalmaDay), atividades que abordarão aspectos variados sobre a cultura da palma.

Conforme a pesquisadora e chefe-geral da Epamig Norte, Leidy Rufino, as expectativas em relação ao Palmatech são altas e é esperado um público superior a 200 participantes. O evento abordará temas como o uso da palma na alimentação animal; formas de cultivo e manejo, desafios e pesquisas em andamento, entre outras discussões. Um dos destaques será a palestra de abertura, que visa desmistificar o uso da palma, mostrando que ela pode ser utilizada o ano inteiro, independentemente do regime de chuvas, para uma pecuária rentável.

Os painéis do Palmatech também discutirão outros usos da palma, como na indústria e na alimentação humana. Haverá também um painel sobre outras forrageiras resistentes às condições climáticas da região, como capim-buffel, milheto e sorgo, que podem ser associadas à palma para diversificar as opções dos produtores.

“A palma é uma reserva estratégica de forragem. O produtor planta pensando que, se vier uma crise hídrica, poderá utilizá-la. Se não for preciso, ela pode ficar armazenada no campo sem perda de valor nutritivo e aguardar o ano seguinte, sem prejuízo nutricional nenhum. É uma garantia de que o rebanho terá alimento”, revela a chefe-geral da Epamig Norte.

Os estudos da empresa pública voltados para a palma forrageira foram intensificados a partir de 2015, quando o Norte de Minas Gerais sofreu com uma seca prolongada, que provocou diversos prejuízos.

“O evento é muito importante para a região, porque a palma é uma cultura que ganhou importância, principalmente, após o Norte de Minas passar por sucessivos anos de crise hídrica e de chuva abaixo da média, em 2015. As forrageiras que os produtores estavam acostumados a trabalhar, como sorgo e os capins sentiram essa crise e começaram a não desenvolver como esperado. Nessa época, o rebanho bovino da região reduziu quase pela metade, principalmente, pela falta de comida. Então, os produtores começaram a nos procurar pedindo alternativas de forrageira que fosse mais resistente à seca”, completa.

Nesse contexto, a Epamig decidiu investir na cultura da palma, que já era muito utilizada no Nordeste do País, sendo a base da alimentação dos rebanhos. A Epamig, o Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA) e outras instituições têm investido em pesquisas e programas para difundir o uso da palma.

Em 2017, o IPA cedeu 25 genótipos de palma à Epamig, que iniciou estudos para identificar as variedades mais adaptadas às condições de solo e clima do Norte do Estado. Paralelamente, genótipos já adaptados no Nordeste, como a “orelha de elefante mexicana”, “miúda” e “palma Sertânia”, foram distribuídos na região através do programa Rede Palma. Este programa, conforme Leidy Rufino, permite que produtores recebam mudas gratuitamente, com o compromisso de doar a mesma quantidade aos vizinhos, realimentando o ciclo de distribuição.

Ainda conforme ela, a Epamig prossegue realizando diversas pesquisas voltadas para a palma forrageira, isso devido à demanda crescente pela cultura. Além do cultivo, manejo e seleção das cultivares mais adaptadas, a pesquisa abrange também a produção de farelo de palma, buscando genótipos mais indicados para essa finalidade.

“O objetivo é permitir que os produtores desidratem a palma e a armazenem por tempo indeterminado, garantindo uma alternativa de alimentação para o rebanho e evitando perdas em períodos de escassez”, explica a chefe-geral da Epamig Norte.

Toda a programação e outras informações sobre o evento podem ser acessados pelo site.

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