Pecuária enfrenta falta de vacinas contra doenças letais do rebanho
A pecuária brasileira enfrenta hoje um desafio urgente: a falta de vacinas contra clostridioses. O problema não se restringe a Minas Gerais e afeta também outros estados. Com a saída de uma empresa que detinha cerca de 40% do mercado deste tipo de vacina, o fornecimento nacional ficou comprometido.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) informou na quarta-feira (6) que está em contato direto com o Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) para acelerar a recomposição dos estoques.
Durante a Expozebu, realizada na semana passada em Uberaba, no Triângulo Mineiro, a Comissão Nacional de Bovinocultura de Corte da CNA reuniu-se com o Sindicato da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sindan), que assegurou que as demais indústrias estão ampliando a capacidade de produção para atender à demanda emergencial. Porém, segundo o sindicato, a regularização só deverá ocorrer no segundo semestre desse ano.
Clostridiose é um grupo de doenças infecciosas graves e frequentemente letais, causadas por bactérias do gênero Clostridium (anaeróbias), que afetam, principalmente, ruminantes. Essas bactérias produzem toxinas potentes e vivem no solo, água e intestino. Exemplos incluem botulismo, tétano, manqueira (carbúnculo) e enterotoxemia. A vacinação é a principal forma de prevenção.
Diante da falta de vacinas, o Sistema Faemg Senar está orientando os pecuaristas que, neste momento, é fundamental reforçar as boas práticas de manejo nas fazendas. Dentre elas, estão suplementação mineral e alimentar adequada; descarte correto de carcaças e priorização de animais ainda não vacinados, sempre que houver disponibilidade de vacinas.
Resposta do Mapa
Na quarta, o Mapa divulgou nota oficial informando que o atual cenário de desabastecimento de vacinas contra clostridioses decorre, principalmente, de decisões mercadológicas adotadas por fabricantes que descontinuaram a produção e a comercialização desses imunizantes entre o fim de 2025 e janeiro deste ano.
Com o objetivo de mitigar os impactos desse cenário, o ministério confirmou que vem atuando junto à indústria de insumos veterinários para estimular a ampliação da fabricação e das importações, bem como para acelerar os procedimentos de fiscalização e liberação das vacinas.
Como resultado das ações emergenciais adotadas, o Mapa liberou, nos últimos meses de março e abril, 14.640.910 doses de vacinas contra clostridioses entre produtos de fabricação nacional e importados.
Além disso, a pasta esclareceu que o Sindan informou, no dia 5 de maio, que existe estimativa inicial de entrega entre 8 milhões e 10 milhões de doses mensais até dezembro, com possibilidade de ampliação no segundo semestre. A projeção é de que possam ser disponibilizadas mais de 100 milhões de doses até o fim do ano. (Com informações do Mapa e Faemg Senar)
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