PIB do agronegócio de Minas Gerais cresce 18% e alcança recorde de R$ 279 bilhões
A diversificação da produção agropecuária foi fundamental para que Minas Gerais registrasse, em 2025, um novo recorde no Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio. No período, o setor movimentou R$ 279 bilhões, valor 18% superior ao de 2024. O resultado foi impulsionado principalmente pela valorização dos preços dos produtos agrícolas e pecuários, com destaque para o café e o setor florestal. Os dados são da Fundação João Pinheiro (FJP).
O secretário de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Thales Fernandes, destaca que o desempenho do setor também ampliou sua participação na economia mineira. Em 2025, o agronegócio respondeu por 24,1% do PIB estadual, ante 22,3% em 2024.
“O agronegócio de Minas Gerais atingiu, em 2025, um marco histórico ao alcançar R$ 279 bilhões, o que representa 24,1% do PIB estadual. Essa é, sem dúvida, a maior participação desde o início da nossa série histórica em 2010. Se formos comparar com 2024, quando o setor registrou R$ 236,3 bilhões e o PIB estava na ordem de 22,3%, ocorreu um crescimento nominal de praticamente R$ 43 bilhões, o que consolida o agronegócio mineiro como o principal motor da economia mineira”.
Valorização dos preços impulsiona crescimento
Segundo Fernandes, o avanço de aproximadamente 18% foi impulsionado principalmente pela valorização dos preços, enquanto o crescimento real da produção foi mais moderado. Dados da FJP mostram que os preços dos produtos do setor subiram, em média, 16%, enquanto o volume produzido avançou 1,7% em termos reais.
O crescimento do volume produzido foi mais intenso nas atividades primárias (3,2%), que formam o núcleo do complexo do agronegócio. Nas atividades do entorno (agroindústria e serviços relacionados), o avanço real da produção foi de apenas 1,1% em 2025. Nas indústrias, contribuíram positivamente para este resultado os segmentos da fabricação de alimentos e de celulose. No setor de serviços ligados ao agronegócio, destacaram-se as atividades de comercialização, transporte e armazenagem, alojamento e alimentação fora do domicílio, bem como os serviços financeiros.
Quanto ao valor adicionado bruto (VAB), as atividades primárias do agronegócio registraram expansão estimada de 36,5% em 2025. Já a agroindústria e os serviços relacionados cresceram 7,3%.
A FJP destaca que, do lado da produção, por exemplo, o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicou que a colheita estadual da soja expandiu de 7,7 milhões de toneladas em 2024 para 9,2 milhões de toneladas em 2025; a do milho, de 6,6 para 7,1 milhões; a do café reduziu ligeiramente de 1,7 para 1,6 milhões de toneladas; e a da cana-de-açúcar, de 83,8 para 82,1 milhões de toneladas.
Por outro lado, o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) informou que os preços do café ficaram, na média anual de 2025, 65,8% acima da média de 2024.
“Em 2025, o desempenho do agronegócio de Minas Gerais esteve muito mais associado às condições de mercado do que à expansão de volume. Mas é importante frisar a diversidade que nós temos hoje, dentro de Minas Gerais, na nossa produção. Somos o maior produtor de café, leite, batata, alho e morango do Brasil. Somos o segundo maior produtor de cana-de-açúcar e de citros. Destaco, principalmente, o setor silvícola, que está em um crescimento exponencial, o que mostra também que somos não só o Estado que mais planta, mas também o que mais produz florestas hoje no Brasil. Isso, sem dúvida, foi o diferencial para que esse PIB tivesse esses números que nós estamos comemorando hoje”, comentou o secretário.
Conforme os dados, a maior parte da expansão nominal do PIB do agronegócio mineiro ocorreu nas atividades primárias da agricultura, da pecuária e da produção florestal. Nesse segmento, o VAB passou de R$ 69,7 bilhões em 2024 para R$ 98,2 bilhões em 2025, um acréscimo de R$ 28,5 bilhões. Nos demais elos da cadeia, o PIB avançou de R$ 166,6 bilhões para R$ 180,8 bilhões no mesmo período, alta de R$ 14,2 bilhões.
“Além desse impacto econômico direto, o agronegócio de Minas Gerais mantém também um papel muito estratégico impulsionando a geração de emprego, especialmente, no nosso interior, promovendo o desenvolvimento regional e consolidando, realmente, depois desses números como um dos pilares estruturais da nossa economia. Estamos muito felizes com o resultado e, isso, mostra que estamos no caminho certo com o agro em Minas Gerais cada vez mais forte”, explicou Thales.
Faemg destaca a força do produtor rural
Para o presidente do Sistema Faemg Senar, Antônio de Salvo, o resultado demonstra a força do produtor rural e dos investimentos realizados no setor. “O anúncio do PIB de 2025 confirma, mais uma vez, a força do agro mineiro, mostrando que a diversidade da nossa produção é um dos principais fatores desse desempenho. A nossa agropecuária segue crescendo, gerando desenvolvimento, renda e qualidade de vida para toda a sociedade. Parabéns aos produtores rurais, que são os verdadeiros responsáveis por mais essa conquista”, disse.
Segundo a Gerência do Agronegócio do Sistema Faemg Senar, o principal fator responsável pelo desempenho do agro mineiro em 2025 foi a valorização dos preços agropecuários, que registraram alta média de 16% no ano. Além do café, o algodão também foi destaque, com crescimento de 48% na produção e valorização de 106,6% nos preços. Apresentaram desempenho positivo tanto em valores quanto em produção as culturas de soja, milho e as proteínas de frango e suína. O boi gordo, embora tenha apresentado uma leve redução de 2% na produção, teve uma valorização de 21,3% nos preços.
Ouça a rádio de Minas