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Produtos agrícolas ficam mais caros com geadas

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Com oferta menor, os preços das frutas estão em alta | Crédito: Divulgação
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As geadas registradas desde o final de junho, em Minas Gerais e outras partes do País, estão causando prejuízos e prejudicando a produção de muitos alimentos, o que vai pesar no bolso do consumidor. No Sul de Minas e no Cerrado são vários os registros de cafezais atingidos, o que pode afetar a safra de 2022 e tem mantido os preços do grão acima de R$ 1.000 por saca de 60 quilos.

Além do café, a fruticultura, a cana-de-açúcar, a produção de hortaliças, de grãos e as pastagens também estão sendo afetadas.

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O impacto já é sentido na unidade da Central de Abastecimento de Minas Gerais (Ceasa Minas) em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), que verificou uma alta no preço médio dos hortigranjeiros de 11,7% entre os dias 1º e 26 de julho frente a igual período do mês anterior.  

De acordo com o chefe da Seção de Informações de Mercado da Ceasa Minas, Ricardo Fernandes Martins, as geadas e as temperaturas mais frias prejudicam a produção de vários itens que são mais sensíveis. Com isso, pode haver menor oferta e aumento dos preços. Dentre esses itens estão o tomate, quiabo, abobrinha, berinjela, frutas e pimentão.

Outro fator que pode impulsionar os valores praticados no mercado mineiro é que as geadas têm prejudicado a produção de vários itens em outros estados produtores como São Paulo e os estados do Sul do País. Além de reduzir a oferta desses estados para Minas, também pode haver maior demanda de fora do Estado. 

“As geadas trazem um prejuízo muito grande. As baixas temperaturas prejudicam a produtividade e pode haver queda na oferta. Ainda não foi possível estimar o impacto total na oferta, porque ainda estamos registrando geadas nas áreas produtoras, mas a estimativa é que em julho a oferta fique cerca de 5% menor que em junho”, explicou.

Reflexo na Ceasa

Entre 1º e 26 de julho, na comparação com o mesmo período do mês anterior, foram registradas variações de preços em alguns itens afetados pelo fenômeno climático. No caso do quiabo, que é sensível às baixas temperaturas, os preços ficaram 82,8% maiores. Alta também foi vista no valor do tomate, 52,3%.

“Caso as geadas continuem, pode haver queda importante na oferta e provocar aumentos dos preços. Como os hortigranjeiros têm um peso significativo na composição da inflação, dependendo da situação, podem repercutir nos índices de inflação. Outro fator que contribui para o aumento dos preços é que outros mercados podem buscar o Estado para manter o abastecimento, já que as geadas também estão prejudicando a produção no Sul do País e em São Paulo”.

Martins ressalta que os consumidores devem ficar atentos aos preços e buscar alternativas mais acessíveis. Apesar de já registrar altas nos preços em função das geadas, outros produtos vêm apresentando queda. É o caso da cebola, com redução de 23,9%, inhame de 21,25%, e batata (-1,6%). 

Apoio a produtores

De acordo com a coordenadora da Assistência Técnica da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg), Aline Veloso, as geadas têm impactado de forma negativa as produções mineiras de café, cana, pastagens e grãos. A entidade e os sindicatos estão em contato com os produtores para avaliar os impactos, possíveis perdas e em busca de soluções para apoiar os produtores rurais. 

“Ainda estamos fazendo levantamento e aguardando os dados apurados pelos sindicatos. Já sabemos que várias cadeias produtivas foram afetadas, em especial, a cafeicultura. Existe um receio de que os impactos sejam sentidos nas safras 2022 e 2023 de café. Dentre os relatos já recebidos, foram verificados danos e perdas em áreas ocupadas com mudas. Também há comprometimento nas lavouras que já estavam enfraquecidas pela sequência de fatores climáticos, como a seca registrada desde o ano passado”.

Ainda segundo Aline, outras culturas atingidas são as de hortaliças e fruticultura. “Há o risco de cair a oferta. É muito delicado se falar de preços no curto prazo, mas a influência do clima impacta na produção e pode trazer alta nos valores. É importante avaliar a situação com muito cuidado”.

A Faemg também está empenhada em apoiar os produtores, seja com orientações técnicas, em relação ao acionamento de seguros previamente contratados, novas contratações e na busca de políticas públicas, caso sejam necessárias. 

“A gente está buscando soluções para acolher os produtores rurais atingidos. A situação é muito delicada, o produtor precisa ficar ciente e, principalmente, precisa estar bem orientado para tomar as medidas que possam mitigar as perdas, ficar resguardado para que seja possível a continuidade na atividade”.

Manchas tomam conta de cafezais no Sul de MG

Varginha – Em um sobrevoo pela região cafeeira de Varginha, no Sul de Minas, é possível ver manchas amarronzadas em grande parte das plantações, sinais de como as geadas do último dia 20 queimaram os cafezais e indicam perdas para pelo menos as próximas duas safras.

“Foi pior do que eu imaginava… Difícil ver uma lavoura que não sofreu nada”, disse o engenheiro agrônomo Adriano Rabelo de Rezende, coordenador-técnico da cooperativa Minasul, depois de sobrevoar, pela primeira vez após as geadas, fazendas nos municípios de Varginha, Elói Mendes, Paraguaçu, Alfenas, Machado, Boa Esperança, Nepomuceno e Carmo da Cachoeira.

Após avaliação visual das manchas escuras nos cafezais, o agrônomo estimou na quinta-feira que entre 20% e 30% das lavouras foram afetadas pelo frio intenso, destacando que o fenômeno climático, que vem sendo comparado com as históricas geadas de 1994, atingiu com maior intensidade as áreas mais baixas, onde o ar congelante se concentra nas madrugadas.

A Minasul atua em importantes polos produtores do Sul de Minas Gerais, região que respondeu por cerca de 40% da produção de café arábica do Brasil em 2020. A área da cooperativa foi mais uma entre várias brasileiras – como o Cerrado Mineiro – golpeada pelo fenômeno climático da semana passada, que fez disparar os preços em Nova York para o maior valor desde 2014, diante da intempérie no maior produtor e exportador mundial.

Apesar de fazer uma estimativa da área queimada pelas geadas, Rezende considera que é cedo para falar sobre o tamanho das perdas, ainda mais considerando que havia previsões de novas geadas severas na madrugada de sexta-feira (30).

Ele explicou à Reuters, que também participou do sobrevoo pelas regiões cafeeiras, que a intensidade das “queimaduras” causadas pelas geadas varia dentro de um mesmo talhão, o que torna difícil qualquer avaliação no momento. Mas considera um fato que haverá perdas.

“É fato, 2022 não vai ser um ano de alta (produtividade)”, comentou, em referência ao ciclo bianual do café arábica, que em 2021 estava na baixa. Ele ponderou ainda que os cafezais já vinham sofrendo os efeitos de uma seca prolongada.

Em mais um mês, observou o coordenador-técnico ao visitar juntamente com a Reuters a fazenda Mato Dentro, em Varginha, as folhas ressecadas pelas geadas estarão todas no chão, e ficará mais fácil saber até que ponto os pés de café foram atingidos.

Aqueles afetados com maior severidade terão que passar por uma poda mais radical, chamada recepa.

“Se for recepa, a próxima safra com produção significativa será só em 2024”, avaliou, ao comentar o impacto da geada em uma lavoura que já havia sido podada em 2021 para produzir bem somente em 2022, mas que agora terá produção zero no ano que vem e renderá pouca coisa em 2023. (Reuters)

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